Uma adiantada no segundo semestre
A seleção brasileira de futebol já tem um adversário marcado para abrir o segundo semestre: a Suécia.
Resta saber como estará a seleção brasileira até esta data, considerando o desempenho a ser assistido em comparação às promessas de “a fase de testes está chegando ao fim”, “está na hora de definir a equipe-base que irá disputar a Copa do Mundo de 2014”, entre outros exemplos.
Discurso uníssono e afinado entre chefe (Andrés Sanches) e subordinado (treinador Mano Menezes), numa réplica, em âmbitos maiores, dos tempos de Corinthians-BRA.
Pelo que se percebeu, o chefe (nomeado Diretor de Seleções da CBF) tem poderes para literalmente até trocar de treinador.
Com muito a se fazer e com poucos amistosos, sobretudo de “peso”, Mano Menezes não deverá priorizar os Jogos Olímpicos, apesar de ter um bom número de jogadores na seleção principal que provavelmente disputarão os jogos de Londres, como Ganso, Neymar, Lucas Silva, David Luiz; e sem falar nas possibilidades sobre Casemiro, Danilo, entre outros.
Casemiro e Danilo deveriam merecer melhor atenção, sobretudo por suas polivalências.
A seleção sueca, 17º. do ranking FIFA, enfrentará o Brasil na despedida do antigo estádio Rasunda, palco da nossa primeira conquista. Este estádio dará lugar a um melhor e mais moderno estádio que abrigará a seleção sueca.
É um adversário razoável, ainda mais se contar com, para mim, o melhor centroavante do mundo, Zlatan Ibrahimovic (Milan-ITA).
Ibra não tem sido convocado. Para seu lugar, tem jogado o atacante Ola Toivonen (PSV-HOL) e seu estiloso cabelo. Este jogador perde muitos gols.
Os suecos se classificaram em segundo lugar na sua chave na Euro 2012, atrás da Holanda, a quem perderam por 4 x 1 e, depois, se classificaram, por 3 x 2 no já citado estádio Rasunda, terminando com uma duradoura invencibilidade “laranja”.
De destaques, os veteranos Andreas Isaksson (goleiro do PSV-HOL), Mellberg (Olympiacos-GRE) e Sebastian Larsson (Suderland-ING). Como jogarão contra atletas deste simpático time inglês, somando-se todos os amistosos até esta data!
Gosto especialmente do meia Kim Källström (Lyon-FRA) e do atacante Johan Elmander (Galasataray-TUR). Este último, o melhor em campo na difícil classificação contra os holandeses na Euro-2012.
Espero que não fiquemos apenas nas reuniões e nos discursos bem feitos.
Qualidade quantidade que preocupam, reforçando a coluna anterior.
AMIMstosos da seleção
Claro que o julgamento técnico dos amistosos da seleção brasileira, agendados para o primeiro semestre pela CBF, são de suma importância; porém, o título desta coluna, evidencia o fato de nenhum dos cinco amistosos marcados (Bósnia, Dinamarca, EUA, México e Argentina) serem jogados no Brasil.
É um paralelo político com a tabela da Copa 2014 e, claro, com os locais nos quais a seleção brasileira joga também, há muito tempo, seus amistosos.
Seleção brasileira que, de patrimônio nacional, tornou-se um produto rentável para seus comandantes e outros beneficiados que tomaram-na para si em seus negócios e propósitos muito particulares; sem esquecermos o maior e preocupante acontecimento que será a Copa do Mundo por aqui, aliado às nossas peculiares e históricas formas de administrar, conduzir, planejar, cumprir e organizar.
Tudo muito questionável, mas falemos também dos amistosos.
No final de fevereiro, a 19º do ranking FIFA (muito para esta seleção!) Bósnia, que foi eliminada da Euro 2012 por Portugal em acachapantes 6 x 2.
Apesar de contar com Dzeko, Saluhovic e alguns regulares jogadores, tem o mesmo efeito de como quando jogamos, por exemplo, contra a Escócia (2 x 0, onde Neymar e Damião foram muito bem, lembram?). E será na Suiça. Sei!
Depois de uma longa pausa (espero que sem amistosos “roubadas” ou “promocionais”), enfrentará um adversário que atualmente é de bom nível, e 11º do ranking, a Dinamarca.
O duro é passar um tempo grande destes sem amistosos. Não acredito que tamanha espera justifique, ainda mais não sendo um amistoso de “peso”, esta programação.
Em Hamburgo, na Alemanha (sei, de novo!), a equipe do lendário ex-jogador Morten Olsen, ao menos liderou seu grupo classificatório da Euro 2012, que tinha Portugal e Bósnia citados nesta coluna, e conta com um bom time e jogadores como Christian Poulsen, Christian Eriksen (os palmeirenses conheceram contra o Ajax), o zagueiro Agger (Liverpool-ING), o atacante trombador Bendtner que está hoje peregrinando no Sunderland-ING, ente outros.
Depois, teremos, de novo, os EUA (para quê?). Os 33º do ranking foram os que abriram a seqüência de amistosos da era Mano em 2010 (e é a foto que estampa a seleção no site da CBF). Não se justifica. Será em Boston ou Washington. É para ajudar o Obama?
E nossas relações com o México? Andam muito bem, obrigado! Tanto andam bem que jogaremos contra eles, os 21º do ranking, em Dallas, local da séria antiga série de TV de mesmo nome nos anos 80. De novo, né?
E, terminando, a 10º colocada Argentina, em New Jersey (oh!!!), de novo. Talvez completa.
Uma Argentina que conseguiu empatar com a Bolívia no Monumento de Nuñez, em sua última partida pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo aqui.
Enfim, uma seleção brasileira, que carece de muitas coisas e não pode ficar com amistosos e programação deste nível apresentado, além de depender somente das Olimpíadas como evento.
Bem animador na volta das férias!
Meu amigo-secreto (ou oculto) é…
Como as festividades de final de ano estão chegando, nada melhor que brincar de amigo-secreto, ou oculto, dependendo da região de quem lê esta coluna.
Neste processo imaginário da ficção futebolística, e com muita sorte, quem sabe meu amigo-secreto possa saber do presente, que humildemente compartilho com vocês.
Nesta brincadeira, tirei de amigo-secreto o Mano Menezes, que é o treinador da seleção brasileira sexta colocada no ranking da FIFA; país-sede da próxima Copa do Mundo (que por questões diversas não deveríamos abrigá-la!) e que tem boas idéias, fala muito bem, é um estudioso do futebol, se expressa de forma clara e lúcida, mas não está conseguindo fazer a seleção brasileira jogar bem e ser eficiente ao mesmo tempo.
Uma seleção que ainda não ganhou (e nem convenceu!) diante de seleções de seu porte histórico (grandes, diria!), além de contusões, de problemas com convocação (suas convicções, seus medos e também os alheios à sua vontade), calendário e desorganização da CBF e um declínio histórico de nosso futebol mais evidenciado após a Copa de 2006, mas que fomos perdendo nossas características desde o início dos anos 80.
Anos 80, aliás, em que mudamos nossa forma de jogar, mais eficiente, diga-se de passagem, mas que vencemos duas Copas do Mundo com o acréscimo dos foras-de-série. Não tiro os méritos (que não foram poucos!), mas que estamos “pagando uma alta conta agora”, isto estamos! Uma coisa não exclui a outra.
E, sobretudo, um declínio ocasionado pelo imediatismo e lucro fácil em que pesam: a pressão de boa parte da mídia, de boa parte dos dirigentes, de boa parte dos empresários e agentes do futebol e também dos torcedores “pachecões” e desinformados.
Enquanto isso, um certo Barcelona trabalhava quietinho, errando muito para acertar muito hoje em dia. Há 30 anos!
As seleções da Espanha, da Alemanha (essa, então!) e da Holanda, foram agregando nossa antiga forma de jogar às suas conhecidas eficiências.
Em sua última entrevista, Mano Menezes mostrou realmente que está por dentro do acontece no futebol mundial, mas percebo que ele precisa transformar suas idéias em prática.
Além disso, precisa ser auxiliado pela boa vontade de treinadores e dirigentes do futebol brasileiro em admitir e mudar a nossa forma de jogar e ver o futebol aqui no Brasil, porque os jogadores brasileiros que atuam na Europa (nos grandes clubes, é claro!), já estão assimilando o futebol moderno que, de forma adaptada às condições físicas de hoje, nada mais é que um aprimoramento, por exemplo, do que o Flamengo de 81 (com um trabalho que se iniciou em 1976), já fazia.
Para registro: Raul; Leandro, Mozer, Marinho e Júnior; Andrade, Adílio e Zico, Tita, Nunes e Lico.
Este time não dava chutão para frente e não apelava para as ligações diretas e desesperadas; aproximava todos os setores do campo, tinha excelente posse de bola, quase não errava passes, tinha velocidade e cadência na medida certa, tinha variações táticas de acordo com o adversário e as modificavam ao longo do jogo, tinha jogadores que lideravam de forma positiva a equipe dentro de campo, tinha ótima saída de bola tanto pelo meio quanto pelas laterais, talentos individuais que contribuíam para decidir com consciência coletiva, jogo coletivo de ocupação de espaços tanto na parte ofensiva quanto na parte defensiva e colaboração. Um time de futebol!
É preciso entender melhor as declarações de Pep Guardiola!
Por isso, Mano Menezes, encaminho um “presentinho” que chamo de escalação para tentar melhorar a seleção brasileira! Não é pretensão, é apenas uma forma de pensar que tenho e que compartilho com todos!
Eis-la:
Julio Cesar; Danilo, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Paulinho, Kaká e Hernanes; Daniel Alves, Leandro Damião e Neymar.
Na suplência: Fernando Prass; Maicon (ou Fágner se este não se recuperar), Dedé, Luisão e Adriano; Lucas Leiva, Ganso e Ramires; Hulk, Fred e Lucas Silva.
Dá para fazer alguma coisa com bastante treinamento e dedicação, além de paciência, não é?
Um abraço e a todos e um Feliz Ano-Novo. Que o ano de 2012 seja bem melhor que este aqui, no nosso futebol, por exemplo.
Para o bem do futebol brasileiro
O 3 na Copa não comenta campeonatos que não sejam Copa do Mundo ou Eliminatórias, mas este jogo de domingo entre Barcelona e Santos é uma situação muito à parte. Não é natureza deste site, mas exceções são essenciais!
O Barcelona seria o melhor time do mundo, mesmo se perdesse. Messi seria também ainda o melhor do mundo e Neymar ainda é craque, ainda mais depois do que falou, após o jogo, que hoje tomamos uma aula de futebol e é o que levaremos de lição.
Nada mudaria, como diz mestre Tostão, qualquer que fôsse o resultado. Não é o que pensa a maioria dos ignorantes!
Claro que a ideia dos 3 zagueiros poderia dar certo, desde que os volantes jogassem como tal e não aumentassem o congestionamento improdutivo de zagueiros. A defesa do Santos era só um muro com buracos. Buracos de um pífio Durval e um sofrível Leo, além de chamarem o Barcelona mais para o jogo do que já normalmente este time vem.
Danilo (enquanto esteve em campo até se contundir), Rafael e Edu Dracena (que deveria ter sido expulso!) impediram um massacre maior que os 4 x 0, enquanto que Leo e Durval facilitaram os 3 gols do Barcelona ainda no primeiro tempo. Zagueiro que deixa a bola passar embaixo das pernas sugere o adjetivo que Durval ganhou desta coluna.
Um segundo tempo melhor e mais exposto do Santos, mas ainda com um inseguro sistema de marcação, ressaltado pelas opções defensivas que Muricy tinha e como as distribuiu também. Todos erraram absurdamente no primeiro tempo com uma melhoria tardia no segundo.
Um contraste: enquanto Leo cobrava a titularidade, Pedro (reserva imediato de Villa e/ou Fábregas) aceitou a opção tática de Guardiola por Thiago Alcântara. Uma lição apresentada até na hora da substituição de um pelo outro no segundo tempo.
Enquanto a mídia enalteceu os jogadores brasileiros, no melhor nível “Estrelas” (um tipo de programa de sábado apresentado pela primeira-dama da atual mídia), Xavi e Iniesta chegam ao Japão e saem para passear sozinhos, como simples cidadãos como todos nós, que exercemos diversas profissões, como eles. Os nossos têm seguranças e parafernália de estrelas de show. Responsabilidade dos jogadores, da educação de seus pais, dos dirigentes e da maior parte da mídia nefasta.
Gostei de Ganso, mesmo que me critiquem, mas achei que, na hora das poucas e boas chances de definição a gol que o Santos teve, um pouco de pretensão transparecia nos homens de ataque.
Comparem o gol que Messi fez por cima do Rafael com o que Neymar perdeu tentando definir a gol, por debaixo das pernas do goleiro barcelonista.
O futebol brasileiro, principalmente daquele Flamengo de 81, guardadas as devidas proporções de tempo, jogava à maneira do Barcelona e, como a seleção brasileira foi sendo derrotada em Copas do Mundo, foi aderindo ao estilo europeu, com destaque para o estilo da família Scolari. Se há foras-de-série, os títulos encobertam a queda da qualidade do futebol, apesar de ser também importante a eficiência.
O mundo do futebol, tática e tecnicamente, muda, de forma sadia e correta, para a valorização do futebol coletivo que poucos o fazem, e em que o Barcelona reina!
Trabalho humilde de 30 anos atrás que ensina ao mundo que o jogo de futebol tem que ser coletivo, participativo, companheiro, solidário e sabedor de que o time ou a seleção está acima de todos nós e de todas as instituições que os cercam.
Enquanto o futebol brasileiro quiser “sentar no trono de cinco estrelas”, não conseguirá recobrar suas origens e, principalmente, perceber as mudanças que um time como o Barcelona demonstra em campo, empobrecendo seu futebol.
A espetacularização, cruelmente estimulada por boa parte da mídia sanguessuga que vive (e bem!) com isso, é o que “mata” o futebol, principalmente o nosso. Ou é jogo de firula para aparecer ou de guerreiro para “jogar para a torcida e os cururus”.
O emocionante Brasileirão é muito fraco tecnicamente, além da maioria dos jogos que acompanhamos. Poucos se destacam porque a inteligência tem que acompanhar cada jogador, em cada canto do planeta em que se joga futebol.
Valorizo as conquistas de 1994 e 2002, mas não poderíamos apenas viver delas e, sim, deixá-las na importância histórica que tem, de fato!
Precisávamos ter trabalhado nosso futebol com a soma da eficiência que adquirimos e o resgate do jogo coletivo que perdemos, da qualidade dos bons e poucos passes errados, do futebol solidário e consciente dos nossos jogadores.
Futebol não é só vontade e raça, que não faltaram ao Santos e nem na última seleção brasileira na Copa de 2010, por exemplo.
Faltou inteligência emocional, individual e coletiva, humildade, proximidade, companheirismo e aprimoramento da técnica que jogadores pretensiosos, como são a maioria no planeta, acham que não precisam por que são os “vocês s/a´s”.
Culpa deles, da educação dada por suas famílias que os vêm como “tábua de salvação” para seus problemas financeiros e sociais, dos dirigentes e da maior parte da mídia que os cria para sobreviver e lucrar com isso!
Messi é maior do mundo e Neymar um dia será. Isto nada mudou, apenas ressalto que Messi sabe o seu tamanho e de seu time. Talvez Neymar não saiba (mas está aprendendo!) qual é o seu tamanho ainda! Com certeza, não é o tamanho popstar que lhe colocam e que aceita.
Mesmo Daniel Alves jogando muito bem e sendo muito útil ao Barça, percebo um pouco de pretensão “à brasileira” que ele traz para a seleção, como no gol que perdeu aos 44 do segundo tempo. Futebol tem que ser jogado, e bem, durante todo o tempo da partida, independente do resultado! Mais uma lição do Barcelona.
Humildade ganha de goleada da pretensão e contribui para um time ou seleção melhor.
Para o bem do futebol brasileiro e seu futuro, uma goleada muito providencial!
Ao menino Lucas
Nasceu hoje, dia 14 de dezembro de 2011, o menino Lucas, filho de um brilhante e ao mesmo tempo, humilde e generoso casal de amigos. O pai, palmeirense e a mãe, corinthiana (com “th” mesmo!).
Assim como os leitores deste espaço já presenciaram a homenagem ao Gabriel em que enalteci as qualidades de Gabriel Batistuta ao meu querido novo ser que já está conosco a um tempinho; talvez o leitor, se houvesse uma enquete, apostasse em nomes como: Lucas Leiva (Liverpool), Lucas Silva (São Paulo FC), Lucas Barrios (o argentino-paraguaio do Borussia Dortmund e da seleção paraguaia) ou mesmo, “forçando a barra” na grafia, para o Lukas Podolski (polonês-alemão do Colonia e da seleção alemã, o novo carrossel do futebol em termos de seleções).
Mas, por conhecer este casal que batalha pela sua vida de forma tão itinerante e que fez sua carreira acadêmica no Reino Unido (que aventura!), optei por escolher um jogador inglês, atacante e que nasceu no mesmo dia do Lucas, dia 14 de dezembro.
Em 14 de dezembro de 1979, um grande goleador inglês (Manchester United, Liverpool, Real Madrid, Newcastle e seleção inglesa), nasceu: Michael Owen.
Querido Lucas, de ascendência galesa e escocesa, Michael Owen foi um jogador de muita técnica e habilidade, verdadeiros diferenciais para um atacante.
Ele nasceu 32 anos antes de você e sofreu com muitas contusões que insistiam em atrapalhar sua carreira, mas ele sempre se reerguia. Tal como desejo a você, toda vez que encontrar dificuldades.
Eu considero, na Copa de 98, o gol dele contra a Argentina, pelas oitavas-de-final na França, um dos mais bonitos gols ingleses em Copas do Mundo.
Ele foi o melhor jogador europeu na temporada 2001 também, entre muitas coisas.
Tem um jogo especial em que ele brilhou muito: nas Eliminatórias da Copa do Japão e da Coréia do Sul, pela seleção inglesa, em que ele fez 3 gols (hat-trick) na goleada de 5 a 1 sobre a Alemanha, do badalado goleiro Oliver Kahn, que seriam vices do Brasil em 2002. Uma surpresa, não é?
Seus pais têm um carinho afetivo pela ilha, pela Inglaterra.
Esta mesma Inglaterra que deu ao mundo, 32 anos atrás, Owen e suas importantes conquistas e dedicação ao futebol.
Um mundo que nos trouxe você, por meio de seus pais, neste ensolarado dia 14 de dezembro (quarta-feira) para engrandecer-nos e alegrar-nos, como o fez o baixinho Michael Owen.
Acerca do Doutor
(TEXTO DE ANNA FAGUNDES, A “MEMBRA” DO 3 NA COPA)
Pedi licença ao Dárcio Ricca, que é o cronista oficial do programa, para escrever a respeito de Sócrates Brasileiro.
É preciso explicar que base, base mesmo, eu não tenho nenhuma, fora o fato de ser uma corinthiana rodeada, no podcast, por dois palmeirenses.
Nascida em 1981, não vi a famosa Seleção Canarinho de 1982 (ou melhor, ver, eu devo ter visto; lembrar, não lembro) e tenho vaga memória dos jogos de 1986 – todas elas envolvendo meus tios soltando julgamentos sonoros a respeito da conduta da mãe do Michel Platini.
Mas Sócrates é parte da minha memória, em boa medida pelas alegrias que ele trazia ao meu pai. Corinthiano daqueles doentes, roxo cardeal mesmo, o Doutor Djalma é um sujeito pragmático, não muito afeito a demonstrações ruidosas de carinho.
Ele gosta até hoje de assistir os jogos sozinho, que é para poder falar palavrão e reclamar do juiz sem que ninguém veja. Mas eu via os jogos com ele.
Eis como eu virei corinthiana: por conta do entusiasmo dele diante do time. Na minha cabeça de criança, o Corinthians da Democracia era meio como um desenho animado. Bem, lembrem-se que tinha Casagrande, Biro-Biro e Wladimir na composição do time – incrível que ninguém tenha feito um HQ sobre isso, porque são personagens prontos para serem desenhados. Ganhar que é bom, ninguém ganhava, mas era divertido ver.
Taí uma coisa que fazia sentido na época: a ideia de que você poderia até perder o jogo, mas sem corpo-mole, que afinal você tinha uma torcida para dar explicações depois.
Não sou saudosista; não tenho tempo para isso. Outros jogadores e títulos vieram. Eu vi gente como Neto, Marcelinho Carioca (por quem não nutro a menor estima, mas, enfim!, sei que foi importante), Tupãzinho, Freddy Rincón… Outros loucos, em outros tempos.
Não sei o que é ficar duas décadas esperando título (Senise e Dárcio, aviso: Libertadores não conta nesse caso). Assim como não sei como é não ter democracia, justamente. Com 30 anos, já votei para presidente tanto quanto meu pai, com 64 anos recém-feitos. Mas eu sei que nem sempre foi assim.
E se hoje estou aqui, celebrando o quinto título nacional do Corinthians (de maneira pragmática, porque com 39 semanas de gravidez não dava para sair na rua gritando), é porque, parafraseando Isaac Newton, estou sobre os ombros de gigantes.
Sócrates é um desses gigantes.
E é por isso que eu sou grata a ele por tudo.
Qualquer problema, chame o Doutor!
É assim com a vida: da prevenção à remediação!
Copa de 1982, Brasil e URSS (era assim a Rússia de hoje pessoal!), 1 x 0 para os atletas soviéticos, estréia do Brasil na Copa, termina o primeiro tempo.
O juiz ainda foi camarada em não dar ao menos um dos dois suspeitos pênaltis para eles, que Luizinho cometera. Jogo duríssimo!
O Brasil tenta e eis que o camisa 8, o Doutor daquele time, tenta resolver na base da individualidade.
De fora da área, dribla um, se livra da marcação do segundo e, no pequeno espaço para tocar, ele resolve desferir um chute contra a meta do grande (não de altura!) Rinat Dasaev; conseguindo empatar a partida, aos 30 minutos do segundo tempo. Um golaço, na “gaveta”. Eder, aos 43, em outro golaço, viraria para 2 x 1. Boa, Doutor! Que remédio!
Nesta mesma Copa, no jogo da chamada “Batalha do Sarriá”, depois de Paolo Rossi (que seria protagonista de nossa eliminação naquela tarde histórica), ter feito 1 x 0 aos 5 minutos do primeiro tempo; o Doutor resolveu agir.
Contando com um auxiliar cirúrgico de nome Zico (que deslocamento e que passe deste!), o Doutor recebe a tabela de volta, invade a área italiana e chuta rasteiro, sem chances, para o melhor goleiro do mundo Dino Zoff, entre a trave e a perna esquerda do grande arqueiro de 40 anos!
Saiu até pó da cal da marca do gol. Empate, aos 12 minutos do primeiro tempo, até aquela altura do jogo, que nos classificaria para as semifinais. Ainda teríamos muito jogo pela frente!
Copa de 86 e mais uma estréia duríssima para a seleção brasileira: os espanhóis.
Jogo duríssimo!
Francisco da Espanha fez um gol para os espanhóis mal anulado. Lembrou um pouco aquele da Inglaterra na Copa de 66, na final contra a Alemanha.
Aos 17 do segundo tempo, em boa jogada de Junior, Careca invade a área e chuta forte, a bola bate no travessão, rebate no chão e nosso Doutor, em boa presença de área como um centroavante que já fôra um dia, fez 1 x 0, de cabeça.
Que cabeça tinha esse Doutor!
Nas oitavas de final desta Copa, num jogo com calor insuportável diante dos poloneses, outra partida dificílima no primeiro tempo.
Graças a um pênalti sofrido por Careca, o Doutor, naquele seu estilo de bater as penalidades máximas, fez 1 x 0, dando alívio às dores daquele jogo.
No segundo tempo, com ajuda da temperatura, o Brasil faria mais 3 gols, levando a seleção para enfrentar os franceses nas quartas, num dos mais intensos jogos de Copas do Mundo.
O Doutor ainda faria mais um golaço pelo Brasil: ser partícipe e atuante pela redemocratização neste país, após um longo período de estupidez ditatorial. O mais bonito gol de sua carreira!
Obrigado por tudo, Doutor!
Um novo “quadrado mágico” (trágico), cinco anos depois
Quem não se lembra do “quadrado mágico” enaltecido pela maioria da imprensa, num excesso de favoritismo que culminou na má preparação física de alguns atletas do selecionado nacional?
Componentes deste “ quadrado” na ocasião: Kaká (jogou a Copa machucado!), Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Adriano.
Claro que uma série de fatores levou aquela seleção à eliminação precoce que não correspondeu ao repertório técnico e retrospectivo pré-Copa.
Leve-se em consideração também que alguns jogadores da Copa das Confederações foram preteridos a outros de maior nome e peso, como Cafu, Ronaldo e Roberto Carlos.
Eis que cinco anos depois surge um novo quadrado, com ares de três mosqueteiros (parodiando a mascote de um clube paulista em sua rica história. O clube, sim, ok?) com um D´Artagnan. Trágico mesmo, não é?
Os três mosqueteiros: o mandatário da seleção canarinho, o novo presidente do comitê que irá organizar o Mundial (numa grande manobra, ainda a ser eleito) e o novo Diretor de Seleções (eleito antes mesmo do término do principal campeonato de futebol destas terras).
Seu D´Artagnan: um dos presidentes mais populistas da história deste país.
E que harmonia terá este novo quadrado!
E o povo continua sorrindo na tela da TV!
Um pouco de agito contra o Egito
No último amistoso do ano, um pouco de agito contra o Egito (não pude perder o trocadilho nesta ponte de feriado!), causado por Hulk, Jonas, Thiago Silva e o jovem Dudu, que o Cruzeiro vendeu a preço de “banana”! Da nanica, não é?
Foram duas situações importantes: ao mesmo tempo que este Egito caiu de produção em relação ao seu último título da Copa Africana de Nações, o Brasil soube marcar bem sob pressão e tentou ir ao ataque com mais determinação, mas infiltrando pouco. Exceções: Dudu e Hulk.
Claro que esta seleção não é a base do Brasil do meio para a frente!
A dupla de zaga (Thiago Silva e David Luiz) e a dupla dita de volantes são as titulares no momento, apesar da minha preferência ainda por recuar Hernanes para o lugar do mediano Fernandinho. Sem falar, sobretudo, que a real posição de Hernanes é a de auxiliar tanto na marcação quanto no apoio à Lucas Leiva, na saída de bola da equipe.
Hernanes não é armador, como também não é Ronaldinho Gaúcho e nem o somente esforçado Bruno Cesar. Este último teve uma grande chance hoje, mas provou sua limitação para a função.
Sandro é melhor que Ralf, além de minha predileção por Rômulo a Fernandinho. Vale o teste de Lucas Leiva e Hernanes.
Espera-se muito de dois grandes jogadores de meio que se machucam muito: Ganso e Kaká.
Acredito que Ganso poderá tornar-se o armador que anda em extinção e que Kaká pode tentar auxiliá-lo nesta função, além de fazer muito bem tanto a ligação com o ataque na transição do jogo para as laterais, quanto evitar os afunilamentos pelo meio.
Temos a possibilidade de vermos estes dois jogarem juntos. Vale a aposta no bom desempenho da medicina esportiva e da preparação física atual.
Lucas Silva e Ronaldinho Gaúcho também não são armadores, mas com volantes que saiam para o jogo em ótima saída de bola, o jogo pelo meio pode ganhar um pouco de criatividade por conta tanto da aproximação quanto dos toques rápidos.
Penso em Lucas Silva como reserva e a tentativa de Diego Souza para ser uma opção de banco assim como o são-paulino. Caso contrário, poderia-se abrir vaga na frente com Dudu, num 4-3-3 do time reserva. Ronaldinho Gaúcho, pela lógica de Dudu e até de Diego Souza, não!
Neymar absoluto busca seu parceiro que, ao que tudo indica, será Leandro Damião.
Fred está queda. Pato não se firmou, além de sucessivas contusões. Jonas de hoje e Borges de um bom tempo para cá, disputam vaga de reserva na grande área, porque Hulk é uma ótima opção de ataque para o elenco, de qualidade e de versatilidade.
Maicon deve voltar e deixar Daniel Alves no banco. Marcelo volta também e daí teremos uma disputa acirrada pelo seu reserva entre três jogadores: Alex Sandro, Adriano e Bruno Cortês.
No gol, com Jefferson e Diego Alves, não precisamos de Julio Cesar, ainda mais com a juventude de Rafael. Até Victor pode voltar. Tudo menos o goleiro da Copa de 2010!
Dedé vem jogando uma barbaridade na zaga e pode ser opção, ou com o veterano Luisão ou ao lado de Réver.
Precisamos sim, e urgente, de uma base!
Me preocupa que, na volta, em fevereiro, provavelmente a seleção enfrentará o Iraque em um jogo mais de caráter de apoio humanitário e até político. A volta das seleções melhor posicionadas no cenário mundial precisa voltar já, doa a quem doer!
Quem não agüenta, bebe leite, como diz aquele ditado popular!
Romário 2 x 0 pessoal da Copa. Ah, teve o jogo contra o Gabão!
O placar que Romário, um dos maiores artilheiros de nossa história impôs aos homens da Copa nesta semana foi mais expressivo que os 2 x 0 do Brasil (meio B, meio C e uns da seleção A) contra o Gabão, debaixo de chuva, péssimo gramado (eles vão abrigar a Copa Africana de Nações), atrasos, falta de luz e um pessoal gabonês que não aliviou.
Romário deu um gol de placa para cada um no Congresso esta semana! Caprichou! Valeu como nos tempos de outro tapete: o gramado!
Confesso que estava trabalhando e dei uma espiadela no jogo nos últimos 15 minutos.
Não era um jogo que merecia ser assistido ao vivo, ainda mais sob a responsável labuta!
O jogo contra o Egito, poderei assistir na íntegra. Este valerá mais a pena.
Quanto ao jogo de número 1.000 da seleção (pasmem, é isso mesmo, apesar da CBF contabilizar menos), algumas considerações:
Sem Jefferson, Julio Cesar, Maicon, Daniel Alves, Dedé, Réver, Marcelo, Bruno Cortês, Ganso, Kaká, Ronaldinho, Leandro Damião, Borges ou Fred, Lucas Silva e Neymar. E com Lucas Leiva e Thiago Silva entrando no final e com David Luiz se matando em campo. Campo? São 14 jogadores da seleção A que fazem falta, apesar de não contarmos o adversário, ok?
Para mim, Fernandinho, que não jogou, não faz falta!
Para mim, Ralf, que não foi convocado, também.
Diego Alves é um goleiro razoável e disputa vaga de terceiro goleiro com Rafael e Neto.
Fabio é fraco e do time C. O que Alex Ferguson vê nele?
Luisão é veterano. Disputa vaga com Réver. Ao menos, é experiente.
Ver David Luiz gritar, numa cobrança de falta do círculo central, para dar o passe, abre, abre, foi demais!!!
Adriano disputa vaga com Bruno Cortês. Uma ressalva: gostei de Alex Sandro, da seleção C. Com ele, gostei de William. Justo os dois que entraram. Pareciam raciocinar antes, no que falta também à seleção.
Sandro é bom volante. É melhor que Ralf. Dá para ser reserva de Lucas Leiva.
Elias hoje jogou de titular. O eterno reserva de Mano é apenas mediano. Ele e Fernandinho não dão para a função. Prefiro Hernanes nesta saída de bola, além de Rômulo do Vasco.
Bruno Cesar do time C e olhe lá. Apesar de que quase fez um golaço!
Hernanes seria mais útil na saída de bola, como dito.
Hulk tentou, mas jogar ao lado do mediano Jonas é complicado. Jonas é a quinta opção de centroavante de Mano. Está atrás de Damião, Fred, Borges e Pato. Robinho voltou bem e pode incomodar esta posição, além de Lucas Silva. Ambos reservas de Neymar.
O que foi a saída de Elias, no finalzinho, para entrada de Thiago Silva: 3-5-2???
Kléber do Porto?!
Que venha o Egito contra nossa seleção remendada, no jogo 1.001. 1.001 utilidades?
