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AN e Chape, Chape e AN

Não foi uma partida qualquer, nem uma partida com o “x” do versus e nem um “ante” ou mesmo um “contra” entre os times do Atlético Nacional e a Chapecoense, no dia 30/11/2016, em Medellin, Colômbia.

O símbolo entre as duas equipes foi o da fita preta de luto, nas camisas brancas dos torcedores, nas mãos floridas brancas e amarelas arremessadas contra o gramado verde do estádio Atanasio Girardot.

Às 21:45, horário local em Chapecó e 18:45 em horário dos irmãos colombianos, duas arenas para um mesmo jogo, de uma equipe que homenageou a outra que não chegou em sua casa, de uma imprensa que não pôde cobrir porque também não estava dolorosamente lá. Tudo interrompido pela irresponsabilidade de mesquinhos, no meio do caminho. Tragédia!

Na Arena Condá, culto ecumênico e presença maciça da torcida em respeitosa celebração aos que se partiram. Em Medellin, homenagens com velas, discursos sinceros e cerimonial com 40 mil no estádio lotado e mais 100 mil do lado de fora.

        

Apesar do mando de jogo ser do Atlético Nacional, nosso querido segundo time AN junto com a Chape, no gramado as flâmulas tradicionais de jogo estavam com a Chape à esquerda do centro de campo com o AN à direita. Porque os inchas do AN e o povo irmão colombiano assim o desejaram. Logos dos times em preto e branco e camisetas em verde e branco dos torcedores.

Nos dois estádios, os gritos de torcida Vamos Chape, em dois sotaques de povos latinos. Bandeiras, crianças, orquestra, famílias.

Um lema em comum: Nasce uma nova família!

Reinaldo Rueda, treinador do AN, prestou homenagem ao futebol brasileiro citando nossa seleção de 1970, escalando-a e listando também cada titular da Chapecoense. Atletas do AN no gramado, em suas cadeiras em comunhão emocional com todos.

O mundo inteiro assistiu a esta partida diferenciada, única, especial e de paz entre os povos. A maior audiência da história do futebol. O mundo é Chape, em todo o planeta! O mundo saúda o AN pelo carinho!

Não importa se a Conmebol acate o pedido do AN de declarar a Chape campeã e nem se a CBF não mandou representante ou não.

O que importou foi o amor entre os times, as torcidas, os povos.

O povo colombiano deu uma aula nos campos da vida!

A criança que existe em nossos corações, agradece, para sempre, por ser lembrada nesta partida!

 

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Luto no futebol em Medellin

Exemplo de gestão esportiva e de trabalho no dia-a-dia, do time à direção, dos funcionários do clube à comissão técnica. Uma referência para nosso tão mal administrado e corrupto futebol. Tristeza pela Chape, a querida “linguiça atômica”, num apelido tão carinhoso quanto sua presença.

E tristeza pela perda dos profissionais da FOX Sports (entre eles Deva Pascovicci, Mario Sergio, Paulo Clement, Vitorino Chermont, Rodrigo Santana, entre outros), pessoal da Globo e Globo Esporte, RBS TV, Diário Catarinense, Rádio Oeste, tripulação e convidados.

Entre os 5 sobreviventes, a ironia amarga do destino da morte pós-resgate, no hospital em Medellin, do ótimo goleiro Danilo, que no último minuto da partida da semi contra o San Lorenzo, na Arena Condá, que colocou seu pé para defender a ida da Chape à maior final de sua linda história de superação! Chegou com vida, mas não se juntou, ao final, aos outros sobreviventes de sua equipe (zagueiro Neto, goleiro reserva Jakson Follmann e lateral reserva Alan Ruschel).

Fica a imagem do último jogo da Chape, contra o Palmeiras em que quase todos os titulares entraram em campo, mesmo que ao longo da partida, poupando o time por conta da final da Sulamericana contra o Atlético Nacional que seria disputada em solo colombiano dia 30/11/2016: o dia que, infelizmente, não chegou.

Tragédia que se junta à Tragédia de Superga de 1949 (o “Grand Torino”), Tragédia de Munique de 1958 com o Manchester United (assim com o goleiro Danilo e seus dois companheiros de clube de Chape, sobreviveu Bobby Charlton) e o Club Alianza Lima em 1987.

O inédito e o original, no suor do trabalho!

Prezados, o 3 na Copa, neste espaço virtual, trata de uma questão importante em termos de registro de obra.

No dia 7 de dezembro de 2016, no Museu do Futebol, será lançada a tradução comentada do livro Inverting the Pyramid, do jornalista britânico Jonathan Wilson, pelo treinador Mano Menezes, sobre tática de futebol.

É claro que é importante a tradução desta obra, que foi uma das bases da construção da minha: De Charles Miller à Gorduchinha lançada em 2014, no Museu do Futebol (24/5 em SP) e na Livraria Folha Sêca (07/06 em RJ).
Minha obra sim, inédita e original, já está presente no Centro de Referência do Futebol Brasileiro – CRFB e no Museu do Futebol como podem comprovar os amigos e parceiros Daniela Alfonsi, Ademir Takara, Aira Bonfim, Lua Lopes.

O livro foi editado pro www.livrosdefutebol.com por Cesar Oliveira, com prefácio de Max Gehringer e participação de muitos entrevistados de renome nacional e internacional, com sucesso de crítica especializada.

Na época, na condição de Coordenador do maior grupo de preservação da memória do futebol deste país, o Memofut – Memória e Literatura do Futebol.

Fica aqui o justo registro de quem suou muito a camisa e dos dedos no teclado para que esta contribuição ao futebol fosse escrita como legado.

  

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