Publicado por Darcio Ricca no dia 8 de fevereiro de 2010
Chegamos fim das breves análises das seleções, por seus grupos, neste primeiro momento.
Nesta coluna, o Grupo H que tem 3 países de língua hispânica que são a Espanha, o Chile e a Honduras, além da Suíça; um país com vários idiomas (alemão, francês e até italiano).
Espanha
Cotada como principal favorita ao título, por ser a detentora do melhor futebol jogado e organizado da atualidade, a Fúria nunca teve tantos talentos em seu elenco.
Herança da equipe montada por Luis Aragonés, quando de sua saída após o título da Eurocopa de 2008, o atual e também vencedor técnico Vicente Del Bosque, procurou deixar a Espanha bem ofensiva, amparado pelo melhor meio de campo das seleções deste Mundial.
Como nem tudo é um paraíso, a defesa, no meu entendimento, ainda deixa a desejar, se compararmos, é claro, com o restante da equipe.
Num sistema de jogo bem moderno e ousado, um 4-2-2-2, a Espanha tem dois volantes de boa marcação e que sabem sair jogando, dois meias de ótima habilidade e construção de jogadas e um ataque rápido e de ótima finalização.
Vicente Del Bosque deverá enviar a campo:
- Iker Casillas (um dos melhores do mundo);
- O fraco Sérgio Ramos, o experiente e lento Puyol, o bom Marchena e o regular Capdevilla;
- O líder Xabi Alonso e o craque Xavi;
- O constante Fábregas e o craque Iniesta;
- A temida dupla David Villa e Fernando “El Nino” Torres.
Como opções de banco, seu técnico poderá contar com os ótimas opções, num dos melhores bancos de reservas do Mundial.
Entre eles, o ótimo goleiro Reina, os regulares defensores Pique, Alberloa e Albiol, o excelente volante brasileiro naturalizado espanhol Marcos Senna, os ótimos meias Cazorla e Da Matta e os ótimos atacantes David Silva e Negredo (Sevilla-ESP).
Troca de posições nas jogadas de ataque, pouquíssimos passes errados, muita disciplina tática, um banco de reservas com muitas e variadas opções de jogo e a melhor safra de jogadores de sua história; fazem da Espanha a principal favorita ao título, na teoria e diante do extraordinário desempenho nos últimos 4 anos, acima do Brasil.
Porém, sua tradição de cair nas quartas-de-final, mesmo com equipes muito boas como esta de hoje; criam uma incógnita na hora de decisão, ainda mais num torneio curto como a Copa do Mundo. Sua melhor colocação foi um quarto lugar em 1950.
Não será fácil derrotá-la. Numa comparação com nossa seleção brasileira, temos 3 pontos ainda superiores aos espanhóis: nosso sistema defensivo, nosso contra-ataque e nossa tradição.
Como sempre em mundiais e, sobretudo neste caso, é ver para crer!
Suíça
Reconhecido como o melhor sistema defensivo entre as 32 seleções do Mundial, mas com um sistema ofensivo e criatividade quase inofensivas, a Suíça, chega ao à Copa com uma performance recheada de empates.
Uma seleção, que pela tradição da criação do famoso ferrolho futebolístico de antigamente, privilegia o sistema defensivo e procurando, nas poucas jogadas de ataque que cria, finalizar com perfeição, no que nem sempre obtém resultados positivos.
Posso dizer que houve uma boa melhora de sua campanha de 2006 para este Mundial, no que cabe ressaltar um curioso dado: a Suíça não levou nenhum gol na Copa de 2006 nos 3 jogos da 1ª. fase e nem nas oitavas contra Ucrânia (0 x 0), sendo eliminada, sim, nos pênaltis.
O experiente e vitorioso técnico alemão Ottmar Hitzfeld que foi campeão da Copa dos Campeões com o Bayern de Munique e com o Borussia Dortmund, ambos da Alemanha; conseguiu melhorar um pouco a criatividade e a ofensividade da Suíça, mas, neste aspecto, os suíços ainda deixam muito a desejar.
Porém, na defesa, é uma verdadeira muralha, como suas equipes que sempre dirigiu em sua vitoriosa carreira.
Num tradicional 4-4-2, Hitzfeld, tem, por equipe-base:
- O bom goleiro Benaglio;
- A forte defesa, em que os laterais quase na apóiam, com Litchteiner, o ótimo Phillip Senderos (Arsenal-ING), Gritching e Spycker;
- Os experientes trio Barnetta, Inler e Fernandes e o bom meia Padalino;
- O bom atacante Derdyok (Bayern Leverkusen-ALE) e o experiente grandalhão Frei (Basel-SUI).
Para suplentes, o ótimo atacante Nkufo, o defensor Von Berger, o volante Von Lanthen (parece trocadilho da palavra volante) e o meia Huggel.
Devem disputar o segundo lugar do grupo com o Chile e, também, dentro das probabilidades, enfrentarem a seleção brasileira no primeiro jogo eliminatório das oitavas de final da Copa.
A ofensividade insinuante do Chile me faz apostar neste com um pouco mais de chances diante da defensiva Suíça.
A segunda rodada deste grupo deverá ser decisiva para a definição de que, na teoria, deverá passar ao lado dos espanhóis.
Honduras
Em 1982, ano de sua primeira e única participação em Copas do Mundo, a seleção de Honduras protagonizou partidas da envergadura de verdadeiras zebras.
Após empates diante das seleções da Espanha (dona da casa, em pelo estádio do Camp Nou, em Barcelona) e Irlanda do Norte, Honduras fazia seu jogo decisivo contra a Iugoslávia. O time precisava de mais um empate, que conseguiu segurar até os 43 minutos do segundo tempo. Eis que num avanço iugoslavo, a zaga cometeu um pênalti infantil. Vladimir Petrovic bateu e converteu. No fim da partida, eliminados, os jogadores hondurenhos não conseguiram se segurar. Choraram copiosamente diante das câmeras de televisão.
Com certeza, tal surpresa não deverá se repetir, pois é uma seleção até que ofensiva, porém, com problemas com seu sistema de marcação.
Muito oscilante nas Eliminatórias da Concacaf, onde ocupou desde o primeiro lugar até o quarto e quase desclassificado posto, os hondurenhos deverão oferecer pouco perigo aos seus adversários de grupo, com chances remotíssimas de classificação.
Reinaldo Rueda, seu técnico, dentro do sistema 4-4-2, costuma escalar seu time da seguinte forma:
- O irregular goleiro Valladares;
- Sabillon, Chávez, Figueroa (só o nome de zagueiro que é famoso) e Izaguirre, numa defesa irregular;
- Alvarez, o bom William Palácios (Tottenham-ING), Guevara (não é parente do histórico Che) e Nuñez;
- Os habilidosos atacantes David Suazo e Carlos Pavón da Inter-ITA.
Na reserva, os mais utilizados são os zagueiros Morales e Johnny Palácios e o bom meia Julio César de Leon (o 12º jogador do time).
Não deve passar de fase, sendo, talvez, a seleção que fará a diferença no saldo de gols em uma eventual disputa entre Chile e Suíça pela segunda posição. Bom para os chilenos, que falarei a seguir, que farão sua estréia contra os hondurenhos.
Chile
Uma equipe com um sistema ofensivo insinuante, criativo e habilidoso, mas diante de uma defesa de baixa estatura e um sistema defensivo ainda em melhoria, o argentino e polêmico técnico Marcelo “El Loco” Bielsa, leva à Copa uma seleção chilena que poderá ser capaz de surpreender em seu grupo, uma vez que a ousadia é a marca registrada deste treinador.
Bielsa costuma arriscar e polemizar sempre, porém colecionou grandes vitórias e também grandes fracassos. Uma prova de sua oscilação é a seleção de Argentina em 2002, que caiu na primeira fase, mesmo sendo uma das favoritas ao título após impecável campanha nas Eliminatórias para aquele Mundial, com 1 derrota apenas em 3 anos de disputa da vaga.
Emoção é com ele mesmo, no que tem passado para seus jogadores chilenos, fazendo do Chile uma equipe muito criativa e ofensiva, de ótimo toque de bola, mas muito faltosa e defensivamente tendo muito que aprimorar.
Laterais que atuam como alas e meias, volantes que atuam como zagueiros e vice-versa, fazem do Chile uma seleção que poderá dar trabalho no Mundial, com efetivas chances de classificação para as oitavas, podendo até ser adversário da seleção brasileira eventualmente. Neste aspecto, o Brasil foi a única seleção que não encontrou dificuldades diante destes audaciosos chilenos e seu comandante.
Num 3-4-3, que varia para um 3-5-2, o Chile costuma se apresentar da seguinte maneira:
- O bom e experiente goleiro Cláudio Bravo;
- Ponce, Gary Medel e Carlos Carmona, numa defesa irregular, de baixa estatura e viril;
- Os volantes raçudos e duros Arturo Vidal e Milar e os meias González e Matias Fernandez (o organizador do Sporting-POR);
- O trio de atacantes, no melhor estilo de pontas abertos em diagonal, com o ótimo Aléxis Sanchez (pela direita) e o clássico Jean Beausejour (pela esquerda) e o artilheiro das Eliminatórias, com 10 gols, o homem-de-área Humberto Suazo (Monterrey-MEX).
Para a suplência, merecem destaque o bom zagueiro Jará e o meia Valdívia, tão conhecido dos torcedores do Palmeiras, no Brasil.
Deverá disputar com a Suíça a segunda vaga do grupo. Fará sua estréia diante dos hondurenhos, no que é uma boa vantagem, enquanto que os suíços terão a desvantagem teórica de estrearem contra os espanhóis. As duas seleções terão um confronto direto e muito importante na segunda rodada.
Um grande ataque (Chile) contra uma grande defesa (Suíça).
Acredito numa pequena vantagem do Chile para conquistar a vaga, por conta de melhorias defensivas que Bielsa, no meu entender, conseguirá realizar até o Mundial.
Publicado por Darcio Ricca no dia 3 de fevereiro de 2010
Como jogam as seleções da Copa: Grupo G
O Grupo G, que tem a seleção brasileira como cabeça-de-chave, é considerado um dos mais difíceis do Mundial. Seja pela presença da seleção brasileira, sempre favorita, seja pelo equilíbrio entre outras duas seleções que o compõem, como Costa do Marfim e Portugal. Claro que, como em todo grupo difícil que se preze, sempre tem uma seleção misteriosa e considerada incógnita, como é o caso da Coreia do Norte.
Brasil
Um baixo rendimento em 2006 (5º lugar), em que pesou o clima de já ganhou, do grupo de jogadores que foram alçados à qualidade de titulares inquestionáveis, de falta de comando, de desorganização, de mau planejamento, de falta de comprometimento e de sucessivos erros de direção (todos no ano do Mundial); apesar dos ótimos resultados e títulos pré-Copa até 2005, fizeram com que a seleção brasileira caísse no descrédito da torcida e de grande parte da imprensa.
Tentou-se, então, convocar uma comissão técnica, para um trabalho de 4 anos, com as qualidades de comprometimento e seriedade notórias, porém, sem nenhuma experiência em treinar, como foi o caso, sobretudo, do ex-capitão do tetra Dunga.
Dunga sofreu todos os tipos de questionamentos, sempre ao lado do seu auxiliar, o ex-jogador Jorginho (que ao menos já havia treinado e levado o América-RJ a um vice-campeonato).
Numa mistura de críticas fundamentadas com algumas excessivamente passionais, Dunga, com o tempo, conseguiu uma melhoria significativa de resultados e conquistas de títulos importantes, além de derrotar adversários de renome.
Dunga conquistou uma popularidade das mais altas como técnico de seleção brasileira, mesmo com seu jeito arrogante. Os jogadores e boa parte da torcida confiam muito nele.
Dunga e sua competente comissão técnica têm a seriedade e o envolvimento necessários para ter o grupo em suas mãos, além de ter reconquistado, nos jogadores, à vontade e a disposição em servir à seleção.
O material humano é dos melhores que vão disputar o Mundial. A diferença para se chegar ao título passa pela melhoria de algumas peças, aprimoramento, muito treinamento e sorte.
A seleção brasileira é uma das sérias candidatas ao título. Tecnicamente, a coloco em segundo lugar, atrás da Espanha, mas nossa camisa…
Num sistema baseado no 4-2-3-1, Dunga, que precisa melhorar a capacidade ofensiva da seleção diante de adversários considerados mais frágeis e com retrancas bem armadas (nosso ponto a melhorar) e diante do peso em se manter o foco no planejamento, deverá escalar sua equipe da seguinte maneira:
- Júlio Cesar (um dos melhores do mundo);
- Maicon, Lúcio, Juan e Michel Bastos (a melhor defesa do Mundial);
- Gilberto Silva (ótimo senso de colocação, experiência e fraco no passe) e Felipe Melo (ótima colocação, ótimo passe e cabeça quente, com futebol em queda momentânea);
- Elano (ou Daniel Alves improvisado, nesta função-curinga), Kaká (candidato a melhor do mundo, por ser muito bom em quase todos os fundamentos) Robinho (ou Nilmar, este em melhores condições, porém Robinho pode voltar a ser um ótimo jogador);
- Luis Fabiano (um dos melhores centroavantes do mundo).
No provável banco de reservas,
- Doni (não é de seleção, mas é da confiança de Dunga) e Victor (ótimo 3º goleiro para ganhar confiança);
- Daniel Alves (curinga), os bons Luisão e Miranda (ou Thiago Silva) e a incógnita reserva na lateral esquerda (Fábio Aurélio, André Santos ou Kleber);
- Josué e Lucas (preferia Renato e Anderson);
- Ramires, Ronaldinho Gaúcho (se recuperando, disputa com Julio Baptista) e Nilmar (ou Robinho);
- Adriano (preferia Fred, pelo grupo).
O hexacampenato é possível, mas num torneio curto como este que não admite erros e pouca sorte, é difícil qualquer certeza! Porém, a parte da seleção está sendo feita, num trabalho que vem sendo conduzido a contento, talvez pelo sentimento de culpa da direção em relação a 2006.
Coreia do Norte
Juntei informações de pesquisas que fiz e percebi que esta seleção é bem defensiva, tem um jogador bem habilidoso no ataque e pode ser a equipe que dê trabalho pelas retrancas que irá armar. Que se cuide o Brasil na estreia!
O técnico, desta misteriosa equipe, e nação mais fechada do mundo, Kim Jog-hun, montou sua equipe num clássico 4-4-2, com a seguinte formação:
- Myong Guk;
- Cha Jong Hyok, Pak Nam Chol, Kwan Chon e Ri Jun-il;
- Pak Chol, Ji Yun, Myong e In Guk Mun;
- Hong Yong-jo (Rostov-RUS) e Jong Tae-si.
Como suplentes, o lateral Kwang Chon-Ri, os volantes Yong Hak An e Yun Nam-Ji e o meia Tae Se Jong são os que mais entram em jogo.
Sem chances de surpreender na sua segunda Copa. Quem não se lembra daquela de 1966 que eliminou a Itália e quase aprontou pra cima de Portugal. Os tempos são outros…
Costa do Marfim
Nesta sua segunda Copa, após ter ganhado experiência no grupo da morte em 2006 (com Argentina, Holanda e Sérvia, sobre esta última conquistou sua primeira e única vitória), vem para este Mundial em ótimas condições, com excelentes jogadores em clubes europeus de ponta, bom sistema de jogo, um treinador europeu competente (que também trouxe certo pragmatismo ao time) e muita disposição em fazer história.
Não será surpresa sua chegada a uma semifinal e complicar muito para o caminho do Brasil (seu segundo jogo) , porém, seu último resultado na Copa Africana de Nações (eliminada precocemente pela Argélia com também um pouquinho da ajuda do juiz), levantou alguns questionamentos, mas ainda é cedo para qualquer conclusão.
O técnico Vahid Halihodzic (campeão pelo francês Paris Saint-Germain em 2004), montou sua equipe num 4-3-3 bem ofensivo, com a equipe-base:
- Zogbo (bom goleiro);
- Eboué (Arsenal-ING), Bamba, Kolo Touré (Manchester City-ING) e Boka (ótima defesa);
- Yaya Touré (Barcelona-ESP), Zokora e Romanic (meio de campo muito criativo e de ótimo passe);
- Kader Keita (Barcelona-ESP), Didier Drogba (Chelsea-ING) e Salomon Kalu (Chelsea-ING) (ataque muito insinuante, mas que demora a concluir em gol).
Como reservas, o bom meia Bakari Koné, os bons zagueiros Mejle e Demel e o bom atacante Sanogo, além do veterano goleiro Boubacar; são os de maior destaque.
Por ter uma defesa mais sólida e um bom treinador, leva vantagem teórica e técnica sobre Portugal.
É minha favorita para a segunda colocação deste grupo, em que deverá disputar com Portugal o segundo lugar.
Portugal
Num elenco que sofreu para se classificar para o Mundial, mas que mostrou sinais de significativa melhora nos últimos jogos disputados, Portugal chega ao Mundial com o peso do Brasil e a incômoda sensação Costa do Marfim (que será sua estreia decisiva no Mundial) em seu caminho rumo às oitavas.
Um bom elenco, um pouco envelhecido e experiente, com três brasileiros naturalizados (recorde com Pepe, Deco e Liedson) e um fraco treinador, Carlos Queiroz.
Portugal tem sua aposta na liderança de Cristiano Ronaldo, um craque, um dos melhores do mundo (abaixo apenas de Messi da Argentina) e que poderá fazer a diferença para poder saldar um débito com a torcida, por conta de um baixo rendimento nas Eliminatórias, quando mais os lusitanos precisaram de seu belo futebol.
Num ofensivo 4-3-3, Carlos Queiroz, que tem dificuldades de conquistar seu grupo de jogadores e de ter apoio da torcida (sombra de Felipão), escala seu selecionado da seguinte maneira:
- O bom goleiro Eduardo;
- Paulo Ferreira, Bruno Alves, Ricardo Carvalho e Duda, numa defesa experiente e irregular;
- Pepe (não alivia, muito faltoso), Raul Meireles (revelação) e Deco (ou Nani, como melhor opção);
- Cristiano Ronaldo (o craque que está devendo), Liedson (bom atacante) e Simão Sabrosa (experiente que voltou a se apresentar bem).
No banco, opções como o lateral Bosingwa, o meia Danny, o experiente volante Maniche, o meia Cesar Peixoto e os atacantes Nuno Gomes e Hugo Almeida, são os mais utilizados pelo treinador.
Se Cristiano Ronaldo arrebentar (é bem possível) e o treinador conseguir conquistar o grupo e melhorar a organização tática, Portugal pode se classificar sim, apesar de Costa do Marfim e Brasil (seu último e talvez derradeiro jogo).
Até a próxima coluna com o Grupo H, o da poderosa Espanha!
Publicado por Darcio Ricca no dia 27 de janeiro de 2010
Após alguns dias de ausência, felizmente voltamos ao ar para darmos continuidade às breves e resumidas análises das seleções da Copa, por seus grupos, durante este período de férias do 3 Na Copa.
Hoje, nesta coluna, antes dos comentários sobre o Grupo F, gostaria de ressaltar alguma zebras na Copa Africana das Nações.
A eliminação de Costa do Marfim diante do pior dos africanos classificados para a Copa do Mundo, a Argélia (o gol de empate dos costa-marfinenses, na prorrogação, foi mal anulado). Costa do Marfim, adversária do Brasil na 1a. fase e melhor africano que pode chegar até entre os quatro primeiro na África; mostrou deficiências na defesa e desatenção, permitindo um empate no tempo normal, num jogo não tão difícil.
Que o Egito é o rei da Copa Africana (leva mais a sério que as eliminatórias para a Copa), todos sabemos, porém, Camarões, apesar de alguns desfalques é mais time, mas sucumbiu à disposição e disciplina tática dos egípcios, que não irão ao Mundial.
Nigéria, aos trancos e barrancos, se classificou, nos pênaltis, contra Zâmbia (depois de um 0 x 0 sofrível) e Gana (também desfalcada, principalmente sem Essien) ganhou de Angola (dona da casa), por um magro e sonolento 1 x 0. As seleções africanas ficaram devendo melhor futebol, mesmo diante da violência e da guerra civil em Angola.
O Grupo F tem a tradicional Itália, o perigoso Paraguai, a fraquíssima Nova Zelândia e os burocráticos da Eslováquia.
Itália
A atual campeã Mundial de 2006 tentará se igualar ao Brasil em número de conquistas, usando de sua forte defesa e tradição em mundiais para alcançar este êxito.
Sob o comando de Roberto Donadoni (ex-jogador que assumiu a Azzurra depois da saída de Marcelo Lippi, campeão em 2006), a Itália busca retomar sua força com o retorno recente do próprio Marcelo Lippi, dentro de seu sistema histórico, o 4-4-2, com a seguinte fomação-base:
- Gianluigi Buffon (ao lado de Júlio Cesar e Iker Casillas, entre os 3 melhores goleiros do mundo, se não for o melhor) ;
- A forte defesa (para mim, perde apenas para o Brasil) com Zambrotta (o menos regular e único que não é da Juventus e, sim, da Roma), Chiellini, Cannavaro (capitão e grande zagueiro) e Fábio Grosso, numa defesa testada e aprovada, porém, como é a base da Juventus de Turim, não anda atravessando um bom momento;
- Marchisio e Camoranesi na ótima marcação (ambos também da Juventus), o maestro Pirlo (melhor ponta de lança do mundo) e o relativamente habilidoso De Rossi, compõem um meio de campo de muita marcação e posse de bola, sobrecarregando Pirlo no quesito criatividade;
- Gilardino (veloz e habilidoso) e o oportunista Ianquita no ataque.
No banco de reservas, Marcelo Lippi ainda está escolhendo suas opções, em que se destacam: o experiente volante Gattuso, os irregulares defensores Legrottaglie, Dossena e Perrota, o bom volante Montolivo, os meias Ambrosini (voluntarioso) e Pepe, os atacantes Inzaghi, Luca Toni, Pazzini (revelação da Sampdoria-ITA), Rossi e a possível volta de Totti.
A Itália sempre é favorita, mas com um equipe muito “velha”, porém experiente e com um jogo defensivo que Marcelo Lippi tenta melhorar, além da criação e das conclusões ofensivas, no caso de pretensões de título.
Paraguai
Em primeiro lugar, lamento profundamente o virtual corte de Salvador Cabañas (América-MEX), devido a um tiro no banheiro que sofreu em um bar no México.
Apesar do milagre de ter escapado com vida, sua situação, neste dia 26/01/2010, ainda é muito grave (risco de seqüelas e até de morte), levando a um comunicado sobre seu virtual corte.
Qualquer recuperação levaria de 5 a 6 meses para que ele pudesse poder voltar a treinar, no mínimo, dentro do campo ainda das hipóteses.
Gerardo Martino, técnico da seleção paraguaia, monta e treina sua equipe no tradicional 4-4-2. Com Cabañas, a seleção paraguaia chegava a atuar no 4-3-3. Seu time-base agora é:
- Villar (bom goleiro com ótima saída de bola);
- Dario Véron, Paulo da Silva, Julio Cesar Cáceres e Caniza, numa defesa muito experiente;
- Bonet, Osvaldo Martinez, Victor Cáceres (ou Ledesma) e Santana, num meio de campo muito disciplinado que sabe atacar e defender com muita inteligência e em ritmo cadenciado;
- O habilidoso Roque Santa Cuz e o grande Haedo Valdez (Borussia Dortmund-ALE), num ataque que vai dar trabalho.
Como suplentes, Martino tem à disposição boas opções como o defensor Aureliano Torres, os laterais Rodriguez e Morel, o volante Vera, o meia Riveros e o atacante Oscar Cardozo.
Aposto, mesmo sem o ótimo Cabañas, que o Paraguai vence a Itália (polêmico, não!), ficando com o primeiro lugar no Grupo, deixando a Itália em segundo.
Itália e Paraguai deverão ser os classificados, porém, conta à ordem…
Nova Zelândia
Nesta sua segunda Copa (a primeira foi em 1982, enfrentando inclusive o Brasil), a seleção teoricamente mais fraca do Mundial participará do Mundial para ganhar experiência, uma vez que apenas 3 de seus titulares jogam na Europa. Os demais jogam em equipes nacionais.
O técnico Ricky Herbert, no 4-4-2 clássico, monta sua equipe da seguinte maneira:
- Paton (goleiro razoável);
- Sigmund, Vicelich, Nilsen (Blackburn-ING) e Lockhead, numa defesa irregular, mas com muita disposição;
- McGlinchey, Ttim Brown, Smeltz (o melhor) e Leo Bertos, num meio de campo bem defensivo, liberando apenas o Smeltz;
- Killen e Fallon, dois atacantes rápidos, mas com pouca técnica.
De destaque, o lateral Scott, o volante Eliott e o atacante Chris Wood.
Não deve passar para as oitavas. Será uma coadjuvante plena.
Eslováquia
O ex-jogador da antiga e boa seleção da Tchecoslováquia dos anos 90, Wladimir Weiss conseguir classificar, pela primeira vez como país independente, a Eslováquia para uma Copa do Mundo.
Num defensivo sistema tático 4-1-3-2, os eslovacos tentarão brigar pela segunda vaga, porém, “correm por fora” contra Itália e Paraguai. Sua equipe-base é:
- O ótimo goleiro Mucha;
- Salata, Zabavnik, Skrtel (ótimo zagueiro do Liverpool-ING) e Pekaric, numa defesa bem sólida;
- O bom líbero Kozak;
- O regular Weiss, o bom armador e criativo meia Hamsik (estrela do Nápoli-ITA) e Stoch, num meio de campo que procura jogar apenas nos contra-ataques;
- Os regulares atacantes Vittek e Sestak.
O lateral Durica, os meias Sapara e Stuva e o volante Karhan merecem algum destaque nesta equipe muito defensiva e bem compactada aos outros setores do campo. O importante, para os eslovacos da seleção, é não tomar gols para poder vencer a partida num momento de desatenção adversária.
Não acredito em sua ida às oitavas de final.
Até a próxima coluna com o Grupo G, o do Brasil!
Publicado por Darcio Ricca no dia 15 de janeiro de 2010
Prezados acompanhantes ouvintes e/ou leitores do 3 Na Copa, seguindo a série das colunas sobre os países classificados em seus grupos, teremos, então, uma breve análise do Grupo E.
Holanda
“As holandas”, apelido carinhoso de Anna Fagundes e Ricardo Senise, baseado na pluralidade da palavra, em inglês, “Netherlands”; foi a seleção com o melhor aproveitamento nas Eliminatórias (100 %) com 17 gols marcados e somente 2 gols sofridos.
Estas marcas também foram possíveis graças ao número menor de seleções em seu grupo (1 a menos que nos outros grupos), além de ter tido adversários sem grande expressão como Escócia, Islândia, Macedônia e a irregular Noruega.
A terceira colocada no ranking da FIFA possui o terceiro melhor ataque atual (perde para Espanha e Brasil), fazendo desta seleção, uma equipe muito ofensiva, num sistema 4-5-1 com a utilização de pontas abertos (Kuyit e Elia ou Robben pela esquerda).
Uma equipe que, com certeza, tem o objetivo de disputar o título, ao lado de Espanha, Brasil e Inglaterra (todos favoritos teóricos).
Caso Holanda e Brasil sejam os primeiros de seus grupos, será inevitável que apenas um dos dois vá às semifinais, cruzando-se numa eventual quarta-de-final, por conta da tabela da Copa.
O calmo, experiente e vencedor técnico Bert Van Marwijk (campeão pelo Feyenoord-HOL da UEFA em 2002), auxiliado pelo ex-jogador e ex-capitão da Holanda de 1998 Frank de Boer, deverá ter por equipe-base, esta:
- Stekelenburg (bom goleiro, difícil substituir Van der Sar);
- Van der Wiel (PVC pediu atenção nele), Heitinga, Mathijsen e Van Brockhorst (Gio), numa defesa experiente;
- Kuyit (Liverpool-ING pela direita), o ótimo Van Bommel (Bayern Munique-ALE) com o bom De Jong (ambos na marcação), o inteligente armador Van der Vaart do Real Madrid-ESP (ou o em crescimento Sneijder da Inter-ITA) e Elia (pela esquerda), num ótimo meio de campo;
- O habilidoso Van Persie (Arsenal-ING) como referência na frente e o craque do time.
Como opções, Marwijk tem o experiente defensor Ooijer, os atacantes Huntellar e Robben e o meia Babel. Aposto que chega para repetir as quartas-de-final de 1994 contra nossa seleção.
Apesar de ser um grande time, a Holanda, por tradição, costuma cair nas quartas-de-final. Ela também costuma ser desclassificada em seu auge (vide contra Portugal em 2006 e contra Rússia em 2008), além de ainda não ter sido testada contra equipes de alto nível, porém, ela promete ser forte no Mundial.
Dinamarca
Esta seleção que já foi a sensação da Copa de 1986, apelidada de “Dinamáquina” (seu atual técnico Morten Olsen era o líder daquela geração de futebol bonito, mas que perdeu para Espanha por 5 Butragenõs a 1 nas oitavas) e dos irmãos Laudrup que foram campeões europeus de 1992; joga com eficiência, mas sem o mesmo brilho de antes.
Num caso raro, o técnico Morten Olsen (grande jogador moderno para sua época), completa, este ano, 10 anos à frente desta Dinamarca que precisou se renovar (foi mal em todas as competições de que participou), mas está se firmando como uma boa equipe.
Num tradicional 4-4-2, a Dinamarca aposta na mescla de jovens talentos com jogadores mais experientes, além da valorização da posse de bola.
Seus escores nunca foram muito ”elásticos”, nem suas derrotas.
Sua equipe-base deverá ser:
- O bom goleiro Sorensen;
- Jacobsen, a entrosada dupla Kjaer e Agger (Liverpool-ING) e Jakobsen, numa boa defesa;
- o veterano Rommedahl (Ajax-HOL), os volantes inteligentes Cristian Poulsen (Juventus-ITA) e Jakob Poulsen e Jorgensen, num meio bem organizado;
- O experiente e habilidoso Tomasson (Feyenoord-HOL) e a revelação e artilheiro Bendtner (Arsenal-ING).
O lateral Morten-Christensen, o bom meia Jensen (Werder Bremen-ALE) e o volante Eneveld, são jogadores de maior destaque e mais utilizados.
A Dinamarca disputa com Camarões o segundo lugar deste grupo. Pela organização tática e por ter uma sistema defensivo um pouco melhor, aposto numa pequena vantagem para os dinamarqueses para a segunda fase.
Japão
Estavam em crescimento com Okada no início e Zico na seqüência, porém, com a redução de qualidade dos jogadores atuais, além de nenhuma tradição em Mundiais, o Japão entra na condição de azarão neste grupo.
O técnico Takeshi Okada (o mesmo de 1998, ano do primeiro mundial dos japoneses), confia no sistema 4-4-2 e em seu conjunto com comprometimento disciplinar de seus comandados.
Deverá levar à campo a seguinte formação:
- Narazaki (bom goleiro);
- O experiente Nakazawa, o Marcus Tulio Tanaka, Uchida e Komaro, numa defesa irregular;
- O habilidoso Shunsuke Nakamura (Espanyol-ESP), Endo, Hasebe e Kengo Nakamura, num meio de campo de muita correria, marcação e velocidade, porém, de pouca habilidade;
- Okubo e Okazaki, numa dupla de ataque esforçada.
Para as substituições, a seleção japonesa tem a revelação Keisuke Honda (VW-HOL), os volantes Yuki Abe e Hushimoto, o meia Konno e o atacante Tamada.
Não deverá conseguir passar de fase. vai apenas atrapalhar o caminho dos favoritos da chave.
Camarões
Os Leões Indomáveis que surpreenderam o mundo em 1982 (quase eliminando a Itália que se tornaria nossa carrasca e tricampeã mais tarde) e, sobretudo, em 1990 (7º lugar, eliminados pela Inglaterra somente na prorrogação), classificaram-se numa ótima arrancada no final (já tinham deixado escapar a vaga de 2006 com direito a pênalti perdido por Samuel Eto´o).
O excelente treinador e estrategista francês Paul le Guen (e a França insiste com o Domenech) que dirigiu o PSG e o Lyon em campanhas vitoriosas, aposta na extraordinária velocidade de seu ataque, a dupla Eto´o e Pierre Webo e na experiência de jogadores que vieram do título olímpico de 2000, como Rigobert Song, Alexandre Song, Makoun, Kameri e Geremi.
Sua seleção-base deverá ser:
- Kameri (razoável goleiro):
- Ekotto (Tottenham-ING), Bedimo, Alexandre Song (Arsenal-ING) e N´Koulou, numa defesa razoável e um pouco ríspida;
- Emana e Geremi Njitap na marcação e Jean Makoun e N´Guemo na aramação, num bom e combativo meio de campo ;
- Samuel Eto´o (o craque que nunca havia jogado uma Copa) e Pierre Webo (muita velocidade). Que dupla!
Song Billong, e Rigobert Song serão jogadores que deveremos ouvir falar durante os jogos da seleção camaronesa também.
Numa defesa irregular, num meio de campo que precisa melhorar a posse de bola e os passes para poder municiar melhor seu ataque fulminante, Camarões deverá disputar a segunda vaga com Dinamarca, no que acredito que, mesmo diante da vantagem camaronesa em jogar em seus domínios territoriais, o melhor conjunto dinamarquês deverá ganhar esta disputa.
Até o Grupo F, na semana que vem, dentro do especial 3 Na Copa de férias!
Publicado por Darcio Ricca no dia 11 de janeiro de 2010
Caros ouvintes e leitores, nesta nova coluna de férias, será retratado um dos grupos mais difíceis da Copa do Mundo: o perigoso Grupo D.
Um grupo que tem a seleção que mais semifinais disputou, a Alemanha (unificada desde a Copa de 1990, que inclusive foi seu último título, num atual tricampeonato em seu currículo), a burocrática Austrália, a ofensiva Sérvia e, a agora experiente e disciplinada seleção de Gana.
Alemanha
Uma comissão técnica formada por Joachim Löw (assistente de Jurgen Klismann em 2006) e o ex-jogador Olivier Bierhoff como seu assistente, a seleção alemã vem, com a base que ficou em terceiro lugar no Mundial realizado em sua casa, em busca de seu tetracampeonato.
Num tradicional sistema de jogo baseado no 4-4-2, a Alemanha, mesmo não tão citada entre as 4 seleções com mais chances de levantar a taça (estas seriam Espanha, Brasil, Inglaterra e Holanda), sem cair no lugar comum, além de sua tradição e de sua organização, tem uma equipe que justifica sua fama de “time de chegada”.
Sua equipe-base é a seguinte:
- Adler (goleiro-revelação e que assume o posto do falecido Robert Enke, que cometeu suicídio em 2009, num episódio triste da história do futebol recente);
- O regular Boateng, os zagueiros um pouco “cinturas-duras” Mertesacker e Westermann e o excelente lateral-esquerdo Lahm, compõem a defesa;
- Num meio de campo combativo e de ótimo passe com a revelação Roltes, o ótimo Schweinsteiger, o bom passador e finalizador Michael Ballack e o habilidoso turco naturalizado alemão Ozil;
- Na frente, uma dupla bem entrosada com o rápido Lukas Podolsky e o ótimo finalizador Miroslav Klose.
O banco de reservas deverá ser composto pelo bom goleiro Neuer, o lateral ofensivo Beck, o durão zagueiro Metzelder, o inteligente meia Trochowski, o disciplinado meia Hitzlperger e o veloz atacante Mario Gómez.
Uma seleção que virá à Copa do Mundo novamente para tentar disputar título e tem equipe, currículo e tradição para isso, apesar de jogar num continente completamente difuso ao seu, mas é considerada uma das poucas seleções européias com chances de quebrar este considerável tabu de países europeus que nunca venceram fora de seus domínios.
Acredito que deva passar bem pela Austrália, jogar estrategicamente contra a Sérvia e decidir o primeiro lugar com Gana, no que aposto em seu triunfo máximo neste jogo final.
Austrália
Com um currículo de 2 Copas do Mundo como assistente, em 2002 com Guus Hiddink na estupenda campanha do 3º lugar da Coréia do Sul de 2002 (com ajuda de forças ocultas também) e como também assistente da mesma Coréia do Sul (numa campanha muito fraca) ao lado de seu também compatriota, o holandês Dick Advocaat, Pim Verbeek assumiu a seleção australiana após o bom desempenho desta no último mundial de 2006, com Guus Hiddink (caiu nas oitavas com um gol de Totti aos 50 minutos do 2º tempo!).
Fiel a um estilo de maior marcação e contra-ataques, Verbeek manteve a base de Hiddink, porém, é uma seleção que, neste grupo, tem pouquíssimas chances de se classificar, mas complicar nas suas partidas será a meta de sua equipe, que, num esquema de 4-2-3-1, deverá ter a seguinte formação:
- O experiente goleiro Schwarzer;
- North, o bom zagueiro Neill (Everton-ING), Williams e Stefanutto numa defesa que não “alivia”;
- Culina e Grella são dois volantes de muita marcação e disciplina;
- Nick Carle, o bom Tim Carhill (outro do Everton-ING), o experiente Harry Kewel, num meio de campo de razoável habilidade, mas muita disciplina tática;
- Na frente, o forte Josh Kennedy.
Em sua opções de banco, merecem destaque o defensor Chipperfield, o meia Bresciano, o lateral Wilkshire e o atacante McDonald.
Muita disciplina , vigor físico, controle da posse de bola e os chamados “chuveirinhos” na área. Os Socceroos não devem passar de fase, apesar de terem sido os campeões em pontos nas Eliminatórias asiáticas.
Sérvia
O experiente treinador (ex-Atlético de Madrid – ESP), Radomir Antic, montou uma seleção que se classificou direto para a Copa, deixando a França na repescagem e eliminando Romênia e Áustria.
Com uma vocação ofensiva, dentro de um bom conjunto e com um dos melhores zagueiros do mundo, a Sérvia seria uma virtual possível segunda colocada neste grupo, porém, a hoje experiente seleção de Gana, que joga em seu continente e tão habilidosa quanto, tem um pouco mais de chances de sair com a segunda vaga.
Apesar disso, a Sérvia não deverá se entregar (neste quase grupo da morte). O primeiro jogo será entre estas duas seleções que acredito que será uma dos mais bonitos da Copa. Coloco Gana, pelo time, com um pouco mais de chances de vencer esta partida de suma importância.
Pelo sistema de jogo 4-4-2, a Sérvia deverá ser escalada com:
- O regular goleiro Stojkovic;
- O bom lateral Ivanovic (Chelsea-ING), o excelente defensor Vidic (Manchester United-ING) e os regulares Lukovic e Kolarov;
- Os disciplinados Milijas e Kacar como volantes e os bons Krasic (CSKA-RUS) e Stankovic (Inter-ITA) têm muita habilidade;
- Zigic e o ótimo Jovanovic forma uma dupla de ataque bem entrosada.
O lateral Obradovic, a promessa Sulejmani (Ajax-HOL) e o bom atacante Pantelic são as opções de banco mais significativas. Não há uma suplência de jogadores para modificar a estratégia de jogo iugoslava. Seu jogo é bem interessante, mas seu sistema defensivo e elenco estão um pouco abaixo de Gana.
Gana
O considerado segundo melhor africano, com experiência das oitavas de 2006 (caiu somente diante do Brasil) e com um ótimo progresso em seu sistema defensivo, tornou-se uma seleção extremamente organizada e com a mesma eficiência ofensiva de tempos atrás. Claro que não sobrou nada da fantasia (uma pena, como diria Tostão que julga que um pouco disso seria melhor ter mantido em sua essência).
O técnico Milovan Rajevac conseguiu montar, num sistema 4-4-2, uma seleção eficiente na marcação, criativa e rápida no meio e letal no ataque. Por estas características, aposto no segundo lugar deste grupo para os ganenses em detrimento aos sérvios. Gana poderá fazer a Alemanha literalmente ter que “suar” a camisa.
Sua equipe-base:
- O bom goleiro Kingson
- Pantsil, Addo, Mensah e Affull numa boa defesa;
- Annan e Appiah como implacáveis marcadores e Essien (o melhor jogador do Chelsea ao lado marfinense Drogba) e o habilidoso Muntari (Inter-ITA);
- Asamoah Gyan e Amoah ou Adiyiah (Milan-ITA) num veloz e mortal ataque.
O lateral Inkoom e o zagueiro Quantez são muito bons, mas o banco de Gana chama a atenção por muitos jovens campeões mundiais sub-20 que venceram o Brasil na final em 2009.
Briga com a Sérvia pelo segundo lugar, na teoria, mas acredito mais em sua seleção que a dos europeus.
Até a próxima coluna com a análise do Grupo E!
Publicado por Darcio Ricca no dia 5 de janeiro de 2010
Caros ouvintes e leitores, dando continuidade às colunas especiais de férias do 3 Na Copa, apresento hoje uma breve análise do Grupo C da Copa do Mundo de 2010.
Neste grupo temos 2 países que falam inglês (Inglaterra e Estados Unidos), o pior dos africanos (a Argélia) e o pior dos europeus (a Eslovênia).
Inglaterra
Um italiano estrategista, campeão consagrado nos clubes em que dirigiu e com o maior salário entre os treinadores das seleções deste Mundial, com rendimentos em cerca de 8 milhões de euros anuais (Dunga é só o 11º com cerca de 10 vezes menos) é a aposta do comando técnico do English Team:. Estou falando de Fábio Capelo.
Num clássico 4-4-2, a seleção inglesa possui uma equipe titular com reais condições de brigar pelo título, seja pela qualidade de seus jogadores, seja pela disciplina de seu rigoroso treinador.
Situação esta que os ingleses sofreram, mas aprenderam.
O banco de reservas precisa ter mais opções, mas está melhorando.
Da forma como vem se apresentando e baseando-me na forma de pensar de seu treinador, a Inglaterra deverá ser formada da seguinte maneira:
- Green (goleiro apenas razoável numa safra de muitos estrangeiros nos clubes ingleses);
- O regular Glen Johnson, Terry e Ferdinand (esta zaga só não é melhor que a do Brasil) e o versátil Ashley Cole;
- Barry e Lampard marcam muito bem e o segundo é um jogador polivalente de ótimo chute, Aaron Lennon (ou Theo Walcott) de boa habilidade e Gerrard (um verdadeiro líder e de muita técnica), todos num ótimo meio de campo;
- Rooney (o craque) e o forte Heskey (quem sabe o sempre promessa e em recuperação Michael Owen não apareça de surpresa).
O banco de reservas deverá ser composto por Foster e James (goleiros também razoáveis), o irregular Wes Brown, os bons zagueiros Lescott e Upson, o versátil Carrick, os voluntariosos Wright-Phillips e Miller, o irregular Beckham, os habilidosos Defoe e Joe Cole e o grandalhão Crouch.
Precisa melhorar as opções de banco, porém, os titulares, e com a possível volta de Owen, colocam a Inglaterra em consições de brigar pelo título, por conta de seu competente conjunto.
Estados Unidos
O estudioso e pragmático técnico Bob Bradley, dentro de um esquema tático muito usado, o 4-2-3-1, montou uma equipe que surprendeu a todos por ter eliminado, na última Copa das Confederações em 2009, a grande sensação do futebol mundial atual, a Espanha; além de ter dificultado muito para o Brasil na final, ficando com o vice-campeonato.
O time diz muito, neste caso, de seu treinador, ou seja, estuda os erros do adversário e procura ter o controle emocional da partida. Um verdadeiro pragmatismo.
Sendo assim, a seleção norte-americana, candidata à segunda vaga deste grupo e podendo sonhar até com um avanço às quartas-de-final, joga da seguinte forma:
- Howard (bom goleiro);
- Spector, De Merit, Onyewu e Bocanegra, numa defesa irregular;
- Feilhaber (incansável) e Bradley (versátil);
- Clark, Donovan (o experiente e inteligente líder) e Dempsey (o craque), num meio de campo que justifica a estratégia de seu treinador (marcação sob pressão e posse de bola);
- Altidore (oportunista).
Os reservas Bornstein (defensor), Beasley e Kljestein (meias de boa velocidade) e o habilidoso atacante Davies são as melhores opções de banco para o selecionado norte-americano.
Deverão ficar em segundo lugar.
Argélia
Seu treinador nas Copas de 1982 (injustiçada) e de 1986 (campanha apenas razoável e o fim de uma geração) está de volta: Rabah Saadane.
Esta seleção, considerada a pior dos países africanos classificados, tem um time que joga no sistema tático 4-3-2-1 e seu time-base é:
- Chaouchi (poderá ser um dos melhores goleiros da Copa);
- Bougherra, Hallich, Yahia (bom zagueiro do Bochum-ALE) e Belhadj forma uma defesa razoável;
- O bom Mantmour (do Bayer Monchengladbach – ALE), Mansouri e Lemmouchia num meio de campo de muita marcação, mas de pouca habilidade;
- Ziani (o grande jogador) e Meghni são muito voluntariosos;
- Ghezal (atacante rápido).
Na suplência, merecem destaque apenas o meia Yebda e o atacante Saifi.
Sem pretensões, porém, por terem enfrentado uma verdadeira batalha contra o Egito, pelas Eliminatórias, desde sua chegada ao Cairo (ônibus atacado) até a hostilidade e uma arbitragem temerária à torcida egípcia; acredito que devam demonstrar uma incrível força de vontade em detrimento às suas deficiências técnicas e táticas.
Lembrem-se do jogo-extra contra o Egito no Sudão, que decidiu a vaga.
Eslovênia
O pior dos europeus, do técnico Matijas Kek, escala sua batalhadora e esforçada seleção (parece que não desiste nunca); apesar da baixa qualidade técnica, num tradicional 4-4-2, que demonstro abaixo:
- Handanovic (ótimo goleiro da Udinese-ITA);
- Brecko, Suler, Cesar e Jokic numa defesa muito viril;
- Radosavljevic, Koren e os habilidosos Birsa e Kirm num meio de campo que precisa melhorar o passe de continuidade após a roubada de bola;
- Novakovic (bom atacante do Colônia-ALE) e o razoável Dedic , no ataque.
Com opções de banco de baixa qualidade, a Eslovênia, apesar de ter eliminado a boa seleção da Rússia na repescagem das Eliminatórias (mais por deméritos russos), também não tem pretensões de classificação para a segunda fase, como a Argélia, neste grupo.
Não faltará empenho e espírito guerreiro aos eslovenos, porém, quanto à qualidade…
Semana que vem, teremos o grupo D, um dos mais equilibrados deste Mundial! Até lá!
Publicado por Darcio Ricca no dia 29 de dezembro de 2009
Caros ouvintes e leitores, apresento hoje uma breve análise do Grupo B da Copa do Mundo de 2010. O grupo que tem a Argentina, a Nigéria, a Coreia do Sul e a Grécia.
Argentina
Nossos vizinhos já tiveram uma safra melhor de jogadores que compunham elencos mais qualificados, além de treinadores um pouco mais gabaritados.
O manda-chuva Julio Grondona (da AFA), alçou à condição de treinador seu grande craque e vencedor histórico Diego Armando Maradona, que assumiu a seleção de seu país na reta final das Eliminatórias em lugar de Álfio “Coco” Basile.
Maradona, então, formou sua comissão técnica com Alejandro Mancuso (aquele que passou pelo Palmeiras) e Carlos Bilardo (seu técnico em 1986).
Esta comissão técnica escolhida me fez lembrar da turma do showbol (futebol de quadra de veteranos). Não acredito ser apenas uma coincidência…
Nos últimos três anos e meio de preparação e competições, as 2 comissões técnicas, juntas, chegaram a testar e convocar quase 80 jogadores!
Num esquema tático baseado no 4-4-2, Maradona abandonou os tradicionais 4-3-3 e 4-2-4 habituais de seleções argentinas anteriores que chegavam encantando e terminavam desclassificadas ou, como no favoritismo de 2002, sucumbindo antes da hora.
Num exercício de hipóteses, a equipe base de Maradona, deduzo, deverá ser:
- Romero (goleiro apenas razoável);
- Coloccini, Demichelis, Heinze e Ansaldi formam uma defesa experiente, porém, um pouco lenta;
- Mascherano, Maxi Rodriguez (ou Cambiasso), Gago (ou Verón) e Di Maria (ótimo meia do Benfica) num bom meio de campo que precisa de padrão de jogo;
- Messi (o melhor do mundo que ainda precisa despontar na seleção) e Aguero (ou Tevez) num ataque que precisa ser melhor municiado.
O banco de reservas deverá se completar com o goleiro Pozo, os razoáveis laterais Otamendi e Papa, o zagueiro veterano Schiavi, os volantes limitados Bolatti e Lavezzi, o meia razoável Gutiérrez e o bom atacante Higuaín.
Uma boa equipe que, se bem organizada e treinada, poderá fazer Messi, Verón, Di Maria e Aguero brilharem.
Como Riquelme está brigado com Maradona, Conca do Fluminense é um desconhecido para eles e Zanetti, Milito e Boselli andam sendo esquecidos; mesmo assim a Argentina têm uma equipe para passar para a segunda fase, disputando o primeiro lugar com a Grécia. Não creio que possam ir muito longe no Mundial.
Nigéria
As famosas “Super Águias” do atual técnico Shaibu Amodu já não voam mais com a mesma precisão de tempos passados. Da equipe antiga e famosa, apenas o experiente atacante Kanu que os brasileiros lembram muito bem.
Num esquema tático 4-3-3, eles privilegiam o ataque por herança histórica, porém, seu sistema defensivo deixa muito a desejar.
Seu time-base:
- Enyeama (goleiro razoável);
- Apam, Yobo, Nwaneri e Taye Taiwo numa defesa irregular;
- Olofinjana, Ajilore e o craque Obi Mikel (Chelsea – ING) num meio de campo rápido mas pouco combativo;
- Obinna, Martins (grande jogador do Wolfsburg – ALE) e Kanu (veterano) formam um ataque que promete incomodar os adversários.
Seu elenco ainda conta com os zagueiros Chidi Odeah e Echiejile, os meias Yussuf e Yakubu Aiyegbeni e o interessante atacante Odem Wingie que poderá ser o titular no lugar do experiente Kanu.
Acredito que não deva passar de fase porque Argentina tem mais elenco e o Messi e, a Grécia, é mais consistente e experiente.
Coreia do Sul
O discípulo dos holandeses Guus Hiddink (treinador de 2002) e Dick Advocaat (treinador de 2006), o atual treinador Hu Jung-moo tem por filosofia privilegiar o ataque, como na escola holandesa, e explorar a velocidade no melhor estilo asiático.
A Coreia do Sul é o melhor dos asiáticos e pode até complicar para as demais equipes do grupo, porém, carece da mesma deficência essencial da Nigéria: elenco.
Dentro de seu sistema de jogo tradicional no 4-4-2, sua equipe base deverá ser:
- Lee Won (bom goleiro);
- Oh Beom, Cho Young, Kim Dong e Lee Jung numa razoável defesa;
- Kim Jung, Ki Sung, Lee Chung (bom meia) e a estrela Ji Sung Park (Manchester United – ING) num meio de campo habilidoso mas um pouco disperso;
- Lee Keun (muito veloz) e a revelação Park Chu-Young (Monaco – FRA) forma uma dupla de ataque bem animada.
Um banco de reservas muito fraco será uma grande dificuldade quando das necessidades de reposições durante o Mundial, diminuindo as chances de classificação desta seleção para as oitavas.
Grécia
O experiente e competente treinador Otto Rehhagel (o mesmo do surpreendente título da Euro de 2004 contra Portugal em pleno Estádio da Luz) contará também com a experiência, a tradicional força e compactação defensiva de sua seleção e, desta vez, com uma boa melhoria na criação e nas opções de atacantes que se apresentam.
A Grécia pode até tornar-se a primeira do grupo diante da desorganizada seleção argentina.
Num ousado 3-4-3, sua equipe-base deverá ser:
- Tsorvas (ótimo goleiro);
- Vyntra, Kyrgiakos e Moras numa defesa inteligente;
- Papastathopoulos, o bom Karagounis (Panathinaikos – GRE) e os bons Katsouranis e Spiropoulos formam um meio de campo combativo, preciso e com boas jogadas municiadas aos atacantes;
- Charisteas, Samaras (ou Gekas do Bayer Leverkusen – ALE) e Salpigidis (revelação do Panathinaikos – GRE) foram um trio de ataque objetivo e que marca muito bem a saída de bola adversária.
Possui um banco de reservas apenas razoável, o que minimiza suas opções, mas tem uma equipe competitiva e que vai dar trabalho. Um preparo físico como um diferencial.
A próxima coluna, desta série de dos 8 grupos da Copa do Mundo, volta em 04/01/2010 e, por ser no início do ano que vem, gostaria de agradecer, neste ano que se encerra, e na promessa de grandes programas, entrevistas e coberturas ainda melhores no próximo ano, a:
Nossos ouvintes que debateram conosco em suas mensagens como Ivan Pagliarani (ele tem um blogspot em seu nome bem legal), José Osvaldo, Rodrigo Cardoso, Tuco, Fábio Camarneiro (além de ter sido o primeiro “cururu”), Estevan Xavier e Daniel Barembein.
Aos que deixaram mensagens de carinho e apoio: Renata de Albuquerque do Dárcio e Renata de Albuquerque do Senise, Néia, Luis Mauro, Celso Ricardo, Vanessa Guizi, o quarteto Nivanda, Totô, Julia e Gabi, Gabriella de Albuquerque, Tio Felps (correspondente internacional!!!), Thaís Alckmin, Maria do Carmo Fagundes, João, Carlo Tabuchi e Thomaz Jensen.
Ao apoio e força também de Giuliana Bastos, Maurício Stycer, Cleber Machado, Rodrigo Fávero, redação do Lance, Lédio Carmona, Helder (Dida), José Damião, Nereide Santos (grande Minha Copa de 1970), Thiago Gamboa, Thiago Borges, Ivanna Ferraz, Robson Ramos, Rafael Amaral, Pâmela Félix, professores e alunos da Anhembi Morumbi, Eduardo Anastácio, Sophia Bisilliat, Janaína Ribeiro, Hilário, Teresa e pessoal da Andremari Transportes, pessoal da Torigoe, Titio Cris, Pio, Thiago Furlan, Michel Ruiz, Priscila Vieira, Ricardo Oliveira, Alberto e Fernando da Vídeo B, Fábio Simoni (FSB), Luana Kavanji e todos os demais e aproximados 70 ouvintes de nossos programas e leitores de nossas colunas.
Especial agradecimento para Félix, grande goleiro campeão e para o nosso padrinho Ademir da Guia, além da gentil jornalista Claudia Cruz.
Mais especial agradecimento aos meus parceiros, companheiros e jornalistas Anna Fagundes e Ricardo Senise!
Até 2010. Dia 04 de janeiro teremos o grupo C!
Publicado por Darcio Ricca no dia 23 de dezembro de 2009
O intuito desta série de colunas, num total de 8, é o de apresentar um pouco de informações iniciais a respeito das seleções que participarão da Copa do Mundo de 2010, no que aprofundarei antes do Mundial e diante das convocações finais do mês de maio.
Apresentaremos, nesta primeira coluna, pela lógica sequencial alfabética, as equipes do grupo A que são África do Sul, México, Uruguai e França.
África do Sul
O país-sede do Mundial, atualmente dirigido pelo técnico Carlos Alberto Parreira, que iniciou o trabalho, mas que esteve ausente, por problemas particulares (em que seu substituto e indicado Joel Santana não obteve apoio suficiente para continuar no comando por seus resultados muito oscilantes); chega ao Mundial com a possibilidade real de entrar para história como o primeiro anfitrião de Copa a não se classificar ao menos para a segunda fase.
Num esquema tático baseado no 4-2-3-1, um sistema comumente utilizado por algumas seleções hoje em dia, inclusive a seleção brasileira de Dunga, Parreira tem por time-base:
- Fernandez (bom goleiro);
- Gaxa, Mokoena, Booth (único jogador branco e ídolo) e Masilela (compõem uma defesa relativamente organizada);
- Mhlongo e Dikgacoi (dois volantes razoáveis);
- Modise, Piennar (o craque do Everton – ING) e Tshabalala (boa habilidade e velocidade);
- McCarthy (homem de área e ídolo que está acima do peso e que Parreira está tentando recuperar).
No banco de reservas, o lateral Davids, o zagueiro Gould, o meia Parker e o atacante Mphela são opções de destaque.
As chances da África do Sul estão depositadas no pragmatismo de Parreira e no apoio apaixonado da torcida. Esta equipe tem chances de ao menos vencer o México ou o Uruguai e tentar um empate que a possa clasificar na última rodada com a bagunçada França.
México
Dirigida por Javier Aguirre (que assumiu a recuperação mexicana em 2009 no lugar do fraco e caro técnico Sven-Göran Eriksson), a seleção mexicana tem no 4-3-3 seu esquema tático-base.
Uma seleção que oscilou bons e maus momentos nas Eliminatórias da Concacaf aposta em seu bom ataque, mas precisa melhorar sua defesa e a marcação no meio de campo.
- Ochoa (goleiro razoável);
- Osório, Rafa Marquez (ídolo e experiente do Barcelona), Magallón e Salcido;
- Torrado, Israel Castro e Guardado (destaque do La Coruña);
- Blanco, Sabah e Giovanni dos Santos.
No banco, o zagueiro José Antonio Castro, o volante Efrain Juarez, o meia experiente e pouco utilizado Pavel Pardo e os atacantes Carlos Vera e Nery Castillo são as opções mais interessantes.
Uma equipe de altos e baixos e com ataque insinuante, porém, com um sistema defensivo que ainda não atende as necessidades desta equipe. Deverá disputar com o país-sede e o Uruguai a segunda vaga para as oitavas.
Uruguai
O experiente técnico Oscar Tabares tem uma equipe apenas muito disciplinada em suas mãos, bem ao seu estilo. O sistema de jogo adotado é o defensivo 3-4-1-2 e seu time-base é:
- Muslera (goleiro apenas razoável);
- Lugano, Scott e Godin (boa defesa);
- Maxi Pereira, Egurén, Diego Pérez e Álvaro Pereira (esforçados e duros);
- Nicolás Lodeiro (meia de ligação com o ataque);
- Diego Forlán (o craque) e Luis Suaréz (veloz).
No banco, opções como os defensores Victorino e Cáceres, o meia Álvaro Fernandez e o polêmico atacante “El Loco” Abreu são os mais utilizados.
Pela disciplina tática e o futebol pragmático, poderá até se classificar, mas acredito que deverá sucumbir aos africanos e/ou mexicanos.
França
Uma seleção de tradição com bons jogadores, principalmente do meio de campo para frente, tem em seu fraco e presunçoso técnico Raymond Domenech, uma equipe ainda considerada uma incógnita para este Mundial.
Num sistema tático da moda, o 4-2-3-1 (lembrando que o sistema 4-4-2 será o mais utilizado pela maioria das seleções), a França, tem por time-base (ainda em processo de definição de ocupantes), a seguinte equipe:
- Lloris (ótimo goleiro, podendo ser a revelação da Copa);
- Sagna, Escude, Gallas e Evra (estranho este lateral ter sido escolhido o melhor da Fifa em 2009);
- Alou Diarra e Lassaru Diarra (volantes esforçados);
- Gignac, Gourcuff e Henry (o da mão que eliminou a Irlanda e no site da Fifa nem se menciona isto);
- Anelka.
No banco, ótimas opções como o lateral Abidal, o ótimo meia Ribery, o bom atacante Benzema e os bons jogadores de meio de campo Toulalan, Govou e Malouda são opções que poderiam ser melhor estudadas por um técnico completamente perdido e cheio de si. Um verdadeiro “professor Pardal”, no que peço licença ao Tostão que é o autor deste apelido carinhoso que se utiliza para explicar técnicos desta natureza.
Suponho que nem treino e diálogo com sua equipe sejam habilidades que devam fazer parte do currículo deste treinador.
Mesmo diante disso tudo, a França deverá passar em primeiro por conta do material humano que possui.
Semana que vem farei a análise do Grupo B. Até lá!
Publicado por Senise no dia 8 de dezembro de 2009
Os grupos da Copa 2010 foram sorteados na última sexta-feira. Nesta edição do 3 na Copa Dárcio Ricca analisa cada grupo enquanto Anna Fagundes e Ricardo Senise dão palpites sobre quem deverá se classificar para a segunda fase e quem deve voltar mais cedo pra casa.
Confira os grupos e as apostas de Anna, Dárcio e Senise, em ordem de classificação.
Grupo A: África do Sul, México, Uruguai, França
Dárcio: França e África do Sul
Anna: preferia a Irlanda no lugar da França
Senise: África do Sul e Uruguai
Grupo B: Argentina, Nigéria, Coreia do Sul, Grécia
Dárcio: Argentina e Grécia
Anna: a Argentina deve passar…
Senise: Nigéria e Grécia
Grupo C: Inglaterra, Estados Unidos, Argélia, Eslovênia
Dárcio: Inglaterra e Estados Unidos
Anna: Inglaterra e mais alguém
Senise: Inglaterra e Estados Unidos
Grupo D: Alemanha, Austrália, Sérvia, Gana
Dárcio: Alemanha e Gana
Anna: Alemanha e Gana
Senise: Alemanha e Austrália
Grupo E: Holanda, Dinamarca, Japão, Camarões
Dárcio: Holanda e Dinamarca
Anna: Holanda e Japão
Senise: Holanda e Dinamarca
Grupo F: Itália, Paraguai, Nova Zelândia, Eslováquia
Dárcio: Paraguai e Itália
Anna: Itália e Paraguai ou Eslováquia
Senise: Paraguai e Nova Zelândia
Grupo G: Brasil, Coreia do Norte, Costa do Marfim, Portugal
Dárcio: Brasil e Costa do Marfim
Anna: Brasil e Portugal
Senise: Brasil e Portugal
Grupo H: Espanha, Suíça, Honduras, Chile
Dárcio: Espanha e Chile
Anna: Espanha e Chile
Senise: Chile e Espanha
Vai ser engraçado ver estes palpites depois da Copa!
Além disso, também temos o quadro Minha Copa, com a jornalista Claudia Cruz e a cobertura de Copa de 1998, na França. Ouça agora!

3 na Copa - Sorteio dos Grupos [31:33m]:
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Publicado por Darcio Ricca no dia 5 de dezembro de 2009
Caríssimos simpatizantes ouvintes-leitores do 3 na Copa: foram abertas ontem as apostas no cassino étnico e multicultural da Fifa, no chamado sorteio para a Copa do Mundo de 2010 – que terá nesta edição uma premiação recorde em dinheiro.
Analiso abaixo as chaves sorteadas e as chances das seleções participantes deste próximo Mundial, desde as postulantes a título até as que farão simplesmente turismo.
Antes, uma explicação. “Grupo da morte”, por definição conceitual da prática e previsão futebolística, significa as quatro seleções que o compõem poderiam se classificar se estivessem em um grupo melhor distribuído, dentro do currículo que essas seleções trazem quando se classificam, descontando, é claro, as imprevisibilidades (zebras). A Copa não é um mata-mata como estamos acostumados com campeonatos tradicionais, com os os jogos de volta em uma segunda chance. É, de forma jocosa, um campeonato de morte “morrida” e de morte “matada”.
“Morrida” porque equipes favoritas, num dia digamos meio “nublado” e infeliz, trazem a graça das chamadas zebras – e “matada” quando a obviedade fala mais alto e seleções mais fortes vencem outras mais fracas, mesmo sobre a pressão daquele momento.
Minhas apostas, claro que baseadas em análises durante estes três anos e meio somadas às tradições de Copas passadas, são as seguintes:
Grupo A: França, apesar de não ter técnico, deve passar em primeiro e Parreira (leia-se África do Sul), o rei dos empates e do pragmatismo, elimina México e Uruguai porque empatará com a França, em casa.
Grupo B: A Argentina, que não tem nem comissão técnica (Maradona, Mancuso e Bilardo), mas tem elenco e tradição, passa em em primeiro e a Grécia, de base eficiente, passa em segundo. A Nigéria é coisa do passado e a Coréia do Sul é ajeitadinha.
Grupo C: Inglaterra em primeiro pela eficiência, pela filosofia “copeira” de Fábio Capello e pelo melhor elenco desde 1970. Estados Unidos, pelo estrategista e também pragmático técnico Bob Bradley, fica em segundo. Argélia é o pior dos africanos e Eslovênia está na Copa pela incompetência da Rússia.
Grupo D: Alemanha, pela base de 2006, passa em primeiro e que pode ir longe também pela tradição. Gana, que é experiente e com bons jogadores com um conjunto dos que mais jogaram juntos, fica em segundo. Sérvia pode complicar porque é mais jovem, porém, conta com bons jogadores. Austrália é força física e empenho apenas. Um dos grupos mais complicados, empatado com o do Brasil em grau de dificuldade.
Grupo E: Este é o grupo de Morten: Morten Olsen, técnico da Dinamarca, que deve ficar em segundo. A Holanda, como o segundo melhor ataque do mundo e uma defesa razoável, fica em primeiro. Camarões pode dar um pouco de emoção com a habilidade e velocidade de seu ataque. Japão teve queda em seu rendimento padrão.
Grupo F: Eu aposto que o Paraguai ganha da defensiva Itália na estreia do Mundial, permitindo-o ficar em primeiro neste grupo. Itália fica em segundo com tranquilidade porque Eslováquia é previsível e Nova Zelândia é o pior time da Copa.
Grupo H: Espanha, favorita ao título (na frente do Brasil) e dona do futebol mais bonito jogado hoje, em primeiro. Chile, que vai fazer a Espanha suar um pouco na última partida deste grupo, em segundo. Honduras não deverá ser novamente a surpresa aos espanhóis como foi em 1982 (sua única e interessante participação) e a Suíça, de uma defesa digna do ”ferrolho”, deve perder de pouquíssimo para os dois favoritos.
Grupo G: Pareceu carta marcada a ida do Brasil para o Grupo G, que terá o menor deslocamento e jogará em cidades que estavam no planejamento de nossa comissão técnica.
Brasil, que é o segundo candidato ao título (mas pode ultrapassar a Espanha pela tradição) fica em primeiro no seu grupo. Ganha apertado da Costa do Marfim, que deve ser a segunda no grupo (e dar sufoco à Espanha na primeira partida de morte ou vida das oitavas). Portugal, que virá desesperado para cima do Brasil no último jogo da chave, perde a partida nos contra-ataques e fica de fora. Coréia do Norte – cujo presidente “democrático” transmite por vídeoteipe somente as boas partidas da equipe ao “seu” povo – será coadjuvante. Ao lado dos grupos da Alemanha e da África do Sul, está entre os mais difícieis da Copa.
Para chegar ao título, além da seriedade e do comprometimento habituais, a seleção brasileira terá que focar o planejamento, como nas conquistas que confirmaram Dunga e sua ótima comissão técnica no cargo. Porém, como Copa do Mundo tem muitos cartões e contusões e é um torneio muito rápido, Dunga terá que levar opções melhores e mais criativas para o banco de reservas, como Anderson no lugar de Lucas, Ronaldinho Gaúcho no lugar de Julio Baptista (para reserva de Kaká ou até jogar ao seu lado, na armação), Fred no lugar de Adriano, e repensar Pato no de Robinho (para a reserva de Nilmar).
Sugestões, pitacos e receitas todos temos, mas Copa do Mundo sempre surpreende e encanta com suas exposições sociais e políticas que vão além do futebol. Mesmo diante de tantas “mortes” nas partidas que virão, a vida pulsa em várias cores e ritmos.