Dárcio Ricca Comenta… Brasil x Argentina
De Rosário, só restou a oração.
por Dárcio Ricca
A classificação da Seleção Brasileira de Futebol para a 18º Copa do Mundo veio por antecipação em cima de um invejado rival: a Argentina.
Numa combinação de méritos da nossa seleção e deméritos de nossos adversários portenhos, alcançamos uma vitória por 3 x 1 – convincente, porém sem esquecer nossos erros, para não cairmos na mesma armadilha de 2006.
O tiro de Maradona em mudar a partida de Buenos Aires para Rosário saiu literalmente pela culatra.
Um campo menor possibilitou que nossa defesa, muito bem montada como uma típíca marcação por zona de basquetebol, impedisse a seleção argentina de chegar à nossa meta com perigo. Eles cometeram o erro em não escalar um centroavante de área que fizesse o pivô e que também realizasse as infiltrações conclusivas das jogadas. Messi, Dátolo e Tevez (e depois Aguero) preparavam as jogadas sem conclusão.
No meio de campo, a seleção brasileira adiantava a marcação, como no handebol, retornando ao sistema por zona da entrada da área, dificultando o bom passe dos inteligentes Verón e Mascherano e do apenas esforçado Maxi Rodriguez.
Além do nosso excelente preparo físico, de nossa qualidade técnica e coletiva e da já habitual consciência tática, o fator torcida teve efeito contrário para os hermanos porque, quanto mais perto do cenário que se apresentava, mais calados os torcedores ficavam, gerando agonia nos seus jogadores e técnico-marqueteiro, Diego Maradona, que está parecido com a personagem Mafalda, do cartunista argentino Quino.
No quesito defesa, os argentinos tiveram seu maior demérito. Com um goleiro apenas razoável (Andújar), uma zaga indigna do sagrado manto tricolor (Sebá e Otamendi) e dois laterais sem criatividade e lentos (Zanetti e Heinze), eles sofreram com os méritos de jogadas de bola parada da seleção brasileira (já bem conhecidas e exaustivamente treinadas).
Para fechar, com chave de ouro, nosso grande mérito, o contra-ataque, mais uma vez foi letal, insinuante e vistoso.
É evidente que temos e devemos melhorar muito, mas um bom trabalho está sendo realizado e é enorme o desejo de não repetir os erros passados, tão próximos de nossas lembranças.
Dunga precisa rever suas opções de banco (Júlio Baptista como reserva de Kaká?) para manter o padrão de jogo na mesma qualidade e contarmos com variações que tragam os diferenciais para a disputa de um possível título em 2010.
Infelizmente, por causa das baixas por contusões e cartões, algumas justiças como Cleiton Xavier e Diego Souza do Palmeiras, foram feitas. Não é por isso que deve esquecer do Diego atual e do já esquecido Anderson, aquele que ajudou a manter Dunga na seleção, no decisivo amistoso contra Portugal, de Grafite…
Também não dá mais para Robinho, o craque Orkut: gosta de estar bem relacionado e participar sempre (como as estrelinhas de relacionamento e rede de amigos) de todas as convocações e se acomoda nisso, inclusive no campo, como o fez em Rosário.
E Dunga que precisa respeitar todos os questionamentos, sobretudo os jornalistas que fizeram uma leitura correta dos defeitos da seleção argentina e que foram, de forma mal-educada, tratados com a revolta grosseria do técnico canarinho.
Acredito ainda na classificação direta da Seleção da Argentina, sem repescagem, porque tem elenco e o Chile (que empatou em casa com a Venezuela), a Colômbia (que só ganha em casa) e Equador e Uruguai (em queda) estão facilitando sua vida. O verdadeiro Rosário foi o das orações.

O texto está muito bom e concordo plenamente com o Camarneiro, Robinho Twiter ou Orkut não dá né, ninguem merece…
Parabens e continue firme.
Tuco
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Queridos amigos do 3naCopa.
O Robinho é como o twitter: joga apenas 140 caracteres!
E Dárcio, vc não se enganou no “manto tricolor”? A seleção argentina não usa apenas azul e branco?
Abraços e muita sorte com o podcast!
Fabio Camarneiro