Grupos da Morte, de Morten, de morte “morrida” e de morte “matada”

Publicado por Darcio Ricca no dia 5 de dezembro de 2009

Caríssimos simpatizantes ouvintes-leitores do 3 na Copa: foram abertas ontem as apostas no cassino étnico e multicultural da Fifa, no chamado sorteio para a Copa do Mundo de 2010 – que terá nesta edição uma premiação recorde em dinheiro.

Analiso abaixo as chaves sorteadas e as chances das seleções participantes deste próximo Mundial, desde as postulantes a título até as que farão simplesmente turismo.

Antes, uma explicação. “Grupo da morte”, por definição conceitual da prática e previsão futebolística, significa as quatro seleções que o compõem poderiam se classificar se estivessem em um grupo melhor distribuído, dentro do currículo que essas seleções trazem quando se classificam, descontando, é claro, as imprevisibilidades (zebras). A Copa não é um mata-mata como estamos acostumados com campeonatos tradicionais, com os os jogos de volta em uma segunda chance. É, de forma jocosa, um campeonato de morte “morrida” e de morte “matada”.

“Morrida” porque equipes favoritas, num dia digamos meio “nublado” e infeliz, trazem a graça das chamadas zebras – e “matada” quando a obviedade fala mais alto e seleções mais fortes vencem  outras mais fracas, mesmo sobre a pressão daquele momento.

Minhas apostas, claro que baseadas em análises durante estes três anos e meio somadas às tradições de Copas passadas, são as seguintes:

Grupo A: França, apesar de não ter técnico, deve passar em primeiro e Parreira (leia-se África do Sul), o rei dos empates e do pragmatismo, elimina México e Uruguai porque empatará com a França, em casa.

Grupo B: A Argentina, que não tem nem comissão técnica (Maradona, Mancuso e Bilardo), mas tem elenco e tradição, passa em em primeiro e a Grécia, de base eficiente, passa em segundo. A Nigéria é coisa do passado e a Coréia do Sul é ajeitadinha.

Grupo C: Inglaterra em primeiro pela eficiência, pela filosofia “copeira” de Fábio Capello e pelo melhor elenco desde 1970. Estados Unidos, pelo estrategista e também pragmático técnico Bob Bradley, fica em segundo. Argélia é o pior dos africanos e Eslovênia está na Copa pela incompetência da Rússia.

Grupo D: Alemanha, pela base de 2006, passa em primeiro e que pode ir longe também pela tradição. Gana, que é experiente e com bons jogadores  com um conjunto dos que mais jogaram juntos, fica em segundo. Sérvia pode complicar porque é mais jovem, porém, conta com bons jogadores. Austrália é força física e empenho apenas. Um dos grupos mais complicados, empatado com o do Brasil em grau de dificuldade.

Grupo E: Este é o grupo de Morten: Morten Olsen, técnico da Dinamarca, que deve ficar em segundo. A Holanda, como o segundo melhor ataque do mundo e uma defesa razoável, fica em primeiro. Camarões pode dar um pouco de emoção com a habilidade e velocidade de seu ataque. Japão teve queda em seu rendimento padrão.

Grupo F: Eu aposto que o Paraguai ganha da defensiva Itália na estreia do Mundial, permitindo-o ficar em primeiro neste grupo. Itália fica em segundo com tranquilidade porque Eslováquia é previsível e Nova Zelândia é o pior time da Copa.

Grupo H: Espanha, favorita ao título (na frente do Brasil) e dona do futebol mais bonito jogado hoje, em primeiro. Chile, que vai fazer a Espanha suar um pouco na última partida deste grupo, em segundo. Honduras não deverá ser novamente a surpresa aos espanhóis como foi em 1982 (sua única e interessante participação) e a Suíça, de uma defesa digna do ”ferrolho”, deve perder de pouquíssimo para os dois favoritos.

Grupo G: Pareceu carta marcada a ida do Brasil para o Grupo G, que terá o menor deslocamento e jogará em cidades que estavam no planejamento de nossa comissão técnica.

Brasil, que é o segundo candidato ao título (mas pode ultrapassar a Espanha pela tradição) fica em primeiro no seu grupo. Ganha apertado da Costa do Marfim, que deve ser a segunda no grupo (e dar sufoco à Espanha na primeira partida de morte ou vida das oitavas). Portugal, que virá desesperado para cima do Brasil no último jogo da chave, perde a partida nos contra-ataques e fica de fora. Coréia do Norte – cujo presidente “democrático” transmite por vídeoteipe somente as boas partidas da equipe ao “seu” povo – será coadjuvante. Ao lado dos grupos da Alemanha e da África do Sul, está entre os mais difícieis da Copa.

Para chegar ao título, além da seriedade e do comprometimento habituais, a seleção brasileira terá que  focar o planejamento, como nas conquistas que confirmaram Dunga e sua ótima comissão técnica no cargo. Porém, como Copa do Mundo tem muitos cartões e contusões e é um torneio muito rápido, Dunga terá que levar opções melhores e mais criativas para o banco de reservas, como Anderson no lugar de Lucas, Ronaldinho Gaúcho no lugar de Julio Baptista (para reserva de Kaká ou até jogar ao seu lado, na armação), Fred no lugar de Adriano, e repensar Pato no de Robinho (para a reserva de Nilmar).

Sugestões, pitacos e receitas todos temos, mas Copa do Mundo sempre surpreende e encanta com suas exposições sociais e políticas que vão além do futebol. Mesmo diante de tantas “mortes” nas partidas que virão, a vida pulsa em várias cores e ritmos.

2 Comentários

queridoo darcio. concordo com todas as suas analises, menos com a do chile. a suica mandou bem nas eliminatorias… saudades. bjos

Fala Dárcio…

Concordo com quase todas as suas análises. Com uma, em especial, discordo.

Acho que a África do Sul não passa de fase. Nem com todo o pragmatismo de Parreira.

Digo mais. Talvez, nem se juntassemos o já citado pragmatismo “Parreiristico”, a energia e união “Scollariana” e a genialidade tática “Guardioliana” os anfitriões conseguiriam sorte melhor na competição.

Por um simples motivo. Os atletas sulafricanos são limitadissimos.

Torço por eles e pelo Uruguai.

Mas acho que passam Franca e México.

Grande abraço!!!

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