Como jogam as seleções da Copa: Grupo C

Publicado por Darcio Ricca no dia 5 de janeiro de 2010

Caros ouvintes e leitores, dando continuidade às colunas especiais de férias do 3 Na Copa, apresento hoje uma breve análise do Grupo C da Copa do Mundo de 2010.

Neste grupo temos 2 países que falam inglês (Inglaterra e Estados Unidos), o pior dos africanos (a Argélia) e o pior dos  europeus (a Eslovênia).

Inglaterra

Um italiano estrategista, campeão consagrado nos clubes em que dirigiu e com o maior salário entre os treinadores das seleções deste Mundial, com rendimentos em cerca de 8 milhões de euros anuais (Dunga é só o 11º com cerca de 10 vezes menos) é a aposta do comando técnico do English Team:. Estou falando de Fábio Capelo.

Num clássico 4-4-2, a seleção inglesa possui uma equipe titular com reais condições de brigar pelo título, seja pela qualidade de seus jogadores, seja pela disciplina de seu rigoroso treinador.

Situação esta que os ingleses sofreram, mas aprenderam.

O banco de reservas precisa ter mais opções, mas está melhorando. 

Da forma como vem se apresentando e baseando-me na forma de pensar de seu treinador, a Inglaterra deverá ser formada da seguinte maneira:

  • Green (goleiro apenas razoável numa safra de muitos estrangeiros nos clubes ingleses);
  • O regular Glen Johnson, Terry e Ferdinand (esta zaga só não é melhor que a do Brasil) e o versátil Ashley Cole;
  • Barry e Lampard marcam muito bem e o segundo é um jogador polivalente de ótimo chute, Aaron Lennon (ou Theo Walcott) de boa habilidade e Gerrard (um verdadeiro líder e de muita técnica), todos num ótimo meio de campo;
  • Rooney (o craque) e o forte Heskey (quem sabe o sempre promessa e em recuperação Michael Owen não apareça de surpresa).

O banco de reservas deverá ser composto por Foster e James (goleiros também razoáveis), o irregular Wes Brown, os bons zagueiros Lescott e Upson, o versátil Carrick, os voluntariosos Wright-Phillips e Miller, o irregular Beckham, os habilidosos Defoe e Joe Cole e o grandalhão Crouch.

Precisa melhorar as opções de banco, porém, os titulares, e com a possível volta de Owen, colocam a Inglaterra em consições de brigar pelo título, por conta de seu competente conjunto.

Estados Unidos

O estudioso e pragmático técnico Bob Bradley, dentro de um esquema tático muito usado, o 4-2-3-1, montou uma equipe que surprendeu a todos por ter eliminado, na última Copa das Confederações em 2009, a grande sensação do futebol mundial atual, a Espanha; além de ter dificultado muito para o Brasil na final, ficando com o vice-campeonato.

O time diz muito, neste caso, de seu treinador, ou seja, estuda os erros do adversário e procura ter o controle emocional da partida. Um verdadeiro pragmatismo.

Sendo assim, a seleção norte-americana, candidata à segunda vaga deste grupo e podendo sonhar até com um avanço às quartas-de-final, joga da seguinte forma:

  • Howard (bom goleiro);
  • Spector, De Merit, Onyewu e Bocanegra, numa defesa irregular;
  • Feilhaber (incansável) e Bradley (versátil);
  • Clark, Donovan (o experiente e inteligente líder) e Dempsey (o craque), num meio de campo que justifica a estratégia de seu treinador (marcação sob pressão e posse de bola);
  • Altidore (oportunista).

Os reservas Bornstein (defensor), Beasley e Kljestein (meias de boa velocidade) e o habilidoso atacante Davies são as melhores opções de banco para o selecionado norte-americano.

Deverão ficar em segundo lugar.

Argélia

Seu treinador nas Copas de 1982 (injustiçada) e de 1986 (campanha apenas razoável e o fim de uma geração) está de volta: Rabah Saadane.

Esta seleção, considerada a pior dos países africanos classificados, tem um time que joga no sistema tático 4-3-2-1 e seu time-base é:

  • Chaouchi (poderá ser um dos melhores goleiros da Copa);
  • Bougherra, Hallich, Yahia (bom zagueiro do Bochum-ALE) e Belhadj forma uma defesa razoável;
  • O bom Mantmour (do Bayer Monchengladbach – ALE), Mansouri e Lemmouchia num meio de campo de muita marcação, mas de pouca habilidade;
  • Ziani (o grande jogador) e Meghni são muito voluntariosos;
  • Ghezal (atacante rápido).

Na suplência, merecem destaque apenas o meia Yebda e o atacante  Saifi.

Sem pretensões, porém, por terem enfrentado uma verdadeira batalha contra o Egito, pelas Eliminatórias, desde sua chegada ao Cairo (ônibus atacado) até a hostilidade e uma arbitragem temerária à torcida egípcia; acredito que devam demonstrar uma incrível força de vontade em detrimento às suas deficiências técnicas e táticas.

Lembrem-se do jogo-extra contra o Egito no Sudão, que decidiu a vaga.

Eslovênia

O pior dos europeus, do técnico Matijas Kek, escala sua batalhadora e esforçada seleção (parece que não desiste nunca); apesar da baixa qualidade técnica, num tradicional 4-4-2, que demonstro abaixo:

  • Handanovic (ótimo goleiro da Udinese-ITA);
  • Brecko, Suler, Cesar e Jokic numa defesa muito viril;
  • Radosavljevic, Koren e os habilidosos Birsa e Kirm num meio de campo que precisa melhorar o passe de continuidade após a roubada de bola;
  • Novakovic (bom atacante do Colônia-ALE) e o razoável Dedic , no ataque.

Com opções de banco de baixa qualidade, a Eslovênia, apesar de ter eliminado a boa seleção da Rússia na repescagem das Eliminatórias (mais por deméritos russos), também não tem pretensões de classificação para a segunda fase, como a Argélia, neste grupo.

Não faltará empenho e espírito guerreiro aos eslovenos, porém, quanto à qualidade…

Semana que vem, teremos o grupo D, um dos mais equilibrados deste Mundial! Até lá!

2 Comentários

legal esse post darcio

Será que a política pode atrapalhar o campeonato, como aconteceu nas Olimpíadas de 72? Será que os terroristas argelinos vão permitir que a seleção de seu país participe de verdade da Copa?

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