Como jogam as seleções da Copa: Grupo D
Caros ouvintes e leitores, nesta nova coluna de férias, será retratado um dos grupos mais difíceis da Copa do Mundo: o perigoso Grupo D.
Um grupo que tem a seleção que mais semifinais disputou, a Alemanha (unificada desde a Copa de 1990, que inclusive foi seu último título, num atual tricampeonato em seu currículo), a burocrática Austrália, a ofensiva Sérvia e, a agora experiente e disciplinada seleção de Gana.
Alemanha
Uma comissão técnica formada por Joachim Löw (assistente de Jurgen Klismann em 2006) e o ex-jogador Olivier Bierhoff como seu assistente, a seleção alemã vem, com a base que ficou em terceiro lugar no Mundial realizado em sua casa, em busca de seu tetracampeonato.
Num tradicional sistema de jogo baseado no 4-4-2, a Alemanha, mesmo não tão citada entre as 4 seleções com mais chances de levantar a taça (estas seriam Espanha, Brasil, Inglaterra e Holanda), sem cair no lugar comum, além de sua tradição e de sua organização, tem uma equipe que justifica sua fama de “time de chegada”.
Sua equipe-base é a seguinte:
- Adler (goleiro-revelação e que assume o posto do falecido Robert Enke, que cometeu suicídio em 2009, num episódio triste da história do futebol recente);
- O regular Boateng, os zagueiros um pouco “cinturas-duras” Mertesacker e Westermann e o excelente lateral-esquerdo Lahm, compõem a defesa;
- Num meio de campo combativo e de ótimo passe com a revelação Roltes, o ótimo Schweinsteiger, o bom passador e finalizador Michael Ballack e o habilidoso turco naturalizado alemão Ozil;
- Na frente, uma dupla bem entrosada com o rápido Lukas Podolsky e o ótimo finalizador Miroslav Klose.
O banco de reservas deverá ser composto pelo bom goleiro Neuer, o lateral ofensivo Beck, o durão zagueiro Metzelder, o inteligente meia Trochowski, o disciplinado meia Hitzlperger e o veloz atacante Mario Gómez.
Uma seleção que virá à Copa do Mundo novamente para tentar disputar título e tem equipe, currículo e tradição para isso, apesar de jogar num continente completamente difuso ao seu, mas é considerada uma das poucas seleções européias com chances de quebrar este considerável tabu de países europeus que nunca venceram fora de seus domínios.
Acredito que deva passar bem pela Austrália, jogar estrategicamente contra a Sérvia e decidir o primeiro lugar com Gana, no que aposto em seu triunfo máximo neste jogo final.
Austrália
Com um currículo de 2 Copas do Mundo como assistente, em 2002 com Guus Hiddink na estupenda campanha do 3º lugar da Coréia do Sul de 2002 (com ajuda de forças ocultas também) e como também assistente da mesma Coréia do Sul (numa campanha muito fraca) ao lado de seu também compatriota, o holandês Dick Advocaat, Pim Verbeek assumiu a seleção australiana após o bom desempenho desta no último mundial de 2006, com Guus Hiddink (caiu nas oitavas com um gol de Totti aos 50 minutos do 2º tempo!).
Fiel a um estilo de maior marcação e contra-ataques, Verbeek manteve a base de Hiddink, porém, é uma seleção que, neste grupo, tem pouquíssimas chances de se classificar, mas complicar nas suas partidas será a meta de sua equipe, que, num esquema de 4-2-3-1, deverá ter a seguinte formação:
- O experiente goleiro Schwarzer;
- North, o bom zagueiro Neill (Everton-ING), Williams e Stefanutto numa defesa que não “alivia”;
- Culina e Grella são dois volantes de muita marcação e disciplina;
- Nick Carle, o bom Tim Carhill (outro do Everton-ING), o experiente Harry Kewel, num meio de campo de razoável habilidade, mas muita disciplina tática;
- Na frente, o forte Josh Kennedy.
Em sua opções de banco, merecem destaque o defensor Chipperfield, o meia Bresciano, o lateral Wilkshire e o atacante McDonald.
Muita disciplina , vigor físico, controle da posse de bola e os chamados “chuveirinhos” na área. Os Socceroos não devem passar de fase, apesar de terem sido os campeões em pontos nas Eliminatórias asiáticas.
Sérvia
O experiente treinador (ex-Atlético de Madrid – ESP), Radomir Antic, montou uma seleção que se classificou direto para a Copa, deixando a França na repescagem e eliminando Romênia e Áustria.
Com uma vocação ofensiva, dentro de um bom conjunto e com um dos melhores zagueiros do mundo, a Sérvia seria uma virtual possível segunda colocada neste grupo, porém, a hoje experiente seleção de Gana, que joga em seu continente e tão habilidosa quanto, tem um pouco mais de chances de sair com a segunda vaga.
Apesar disso, a Sérvia não deverá se entregar (neste quase grupo da morte). O primeiro jogo será entre estas duas seleções que acredito que será uma dos mais bonitos da Copa. Coloco Gana, pelo time, com um pouco mais de chances de vencer esta partida de suma importância.
Pelo sistema de jogo 4-4-2, a Sérvia deverá ser escalada com:
- O regular goleiro Stojkovic;
- O bom lateral Ivanovic (Chelsea-ING), o excelente defensor Vidic (Manchester United-ING) e os regulares Lukovic e Kolarov;
- Os disciplinados Milijas e Kacar como volantes e os bons Krasic (CSKA-RUS) e Stankovic (Inter-ITA) têm muita habilidade;
- Zigic e o ótimo Jovanovic forma uma dupla de ataque bem entrosada.
O lateral Obradovic, a promessa Sulejmani (Ajax-HOL) e o bom atacante Pantelic são as opções de banco mais significativas. Não há uma suplência de jogadores para modificar a estratégia de jogo iugoslava. Seu jogo é bem interessante, mas seu sistema defensivo e elenco estão um pouco abaixo de Gana.
Gana
O considerado segundo melhor africano, com experiência das oitavas de 2006 (caiu somente diante do Brasil) e com um ótimo progresso em seu sistema defensivo, tornou-se uma seleção extremamente organizada e com a mesma eficiência ofensiva de tempos atrás. Claro que não sobrou nada da fantasia (uma pena, como diria Tostão que julga que um pouco disso seria melhor ter mantido em sua essência).
O técnico Milovan Rajevac conseguiu montar, num sistema 4-4-2, uma seleção eficiente na marcação, criativa e rápida no meio e letal no ataque. Por estas características, aposto no segundo lugar deste grupo para os ganenses em detrimento aos sérvios. Gana poderá fazer a Alemanha literalmente ter que “suar” a camisa.
Sua equipe-base:
- O bom goleiro Kingson
- Pantsil, Addo, Mensah e Affull numa boa defesa;
- Annan e Appiah como implacáveis marcadores e Essien (o melhor jogador do Chelsea ao lado marfinense Drogba) e o habilidoso Muntari (Inter-ITA);
- Asamoah Gyan e Amoah ou Adiyiah (Milan-ITA) num veloz e mortal ataque.
O lateral Inkoom e o zagueiro Quantez são muito bons, mas o banco de Gana chama a atenção por muitos jovens campeões mundiais sub-20 que venceram o Brasil na final em 2009.
Briga com a Sérvia pelo segundo lugar, na teoria, mas acredito mais em sua seleção que a dos europeus.
Até a próxima coluna com a análise do Grupo E!
Envie seu comentário