Como jogam as seleções da Copa: Grupo E

Publicado por Darcio Ricca no dia 15 de janeiro de 2010

Prezados acompanhantes ouvintes e/ou leitores do 3 Na Copa, seguindo a série das colunas sobre os países classificados em seus grupos, teremos, então, uma breve análise do Grupo E.

Holanda

“As holandas”, apelido carinhoso de Anna Fagundes e Ricardo Senise, baseado na pluralidade da palavra, em inglês, “Netherlands”; foi a seleção com o melhor aproveitamento nas Eliminatórias (100 %) com 17 gols marcados e somente 2 gols sofridos.

Estas marcas também foram possíveis graças ao número menor de seleções em seu grupo (1 a menos que nos outros grupos), além de ter tido adversários sem grande expressão como Escócia, Islândia, Macedônia  e a irregular Noruega.

A terceira colocada no ranking da FIFA possui o terceiro melhor ataque atual (perde para Espanha e Brasil), fazendo desta seleção, uma equipe muito ofensiva, num sistema 4-5-1 com a utilização de pontas abertos (Kuyit e Elia ou Robben pela esquerda).

Uma equipe que, com certeza, tem o objetivo de disputar o título, ao lado de Espanha, Brasil e Inglaterra (todos favoritos teóricos).

Caso Holanda e Brasil sejam os primeiros de seus grupos, será inevitável que apenas um dos dois vá às semifinais, cruzando-se numa eventual quarta-de-final, por conta da tabela da Copa.

O calmo, experiente e vencedor técnico Bert Van Marwijk (campeão pelo Feyenoord-HOL da UEFA em 2002), auxiliado pelo ex-jogador e ex-capitão da Holanda de 1998 Frank de Boer, deverá ter por equipe-base, esta:

  • Stekelenburg (bom goleiro, difícil substituir Van der Sar);
  • Van der Wiel (PVC pediu atenção nele), Heitinga, Mathijsen e Van Brockhorst (Gio), numa defesa experiente;
  • Kuyit (Liverpool-ING pela direita), o ótimo Van Bommel (Bayern Munique-ALE)  com o bom De Jong (ambos na marcação), o inteligente armador Van der Vaart do Real Madrid-ESP (ou o em crescimento Sneijder da Inter-ITA) e Elia (pela esquerda), num ótimo meio de campo;
  • O habilidoso Van Persie  (Arsenal-ING) como referência na frente e o craque do time.

Como opções, Marwijk tem o experiente defensor Ooijer, os atacantes Huntellar e Robben e o meia Babel. Aposto que chega para repetir as quartas-de-final de 1994 contra nossa seleção.

Apesar de ser um grande time, a Holanda, por tradição, costuma cair nas quartas-de-final. Ela também costuma ser desclassificada em seu auge (vide contra Portugal em 2006 e contra Rússia em 2008), além de ainda não ter sido testada contra equipes de alto nível, porém, ela promete ser forte no Mundial.

Dinamarca

Esta seleção que já foi a sensação da Copa de 1986, apelidada de “Dinamáquina” (seu atual técnico Morten Olsen era o líder daquela geração de futebol bonito, mas que perdeu para Espanha por 5 Butragenõs a 1 nas oitavas) e dos irmãos Laudrup que foram campeões europeus de 1992; joga com eficiência, mas sem o mesmo brilho de antes.

Num caso raro, o técnico Morten Olsen (grande jogador moderno para sua época), completa, este ano, 10 anos à frente desta Dinamarca que precisou se renovar (foi mal em todas as competições de que participou), mas está se firmando como uma boa equipe.

Num tradicional 4-4-2, a Dinamarca aposta na mescla de jovens talentos com jogadores mais experientes, além da valorização da posse de bola.

Seus escores nunca foram muito ”elásticos”, nem suas derrotas.

Sua equipe-base deverá ser:

  • O bom goleiro Sorensen;
  • Jacobsen, a entrosada dupla Kjaer e Agger (Liverpool-ING) e Jakobsen, numa boa defesa;
  • o veterano Rommedahl (Ajax-HOL), os volantes inteligentes Cristian Poulsen (Juventus-ITA) e Jakob Poulsen e Jorgensen, num meio bem organizado;
  • O experiente e habilidoso Tomasson (Feyenoord-HOL) e a revelação e artilheiro Bendtner  (Arsenal-ING).

O lateral Morten-Christensen, o bom meia Jensen (Werder Bremen-ALE) e o volante Eneveld, são jogadores de maior destaque e mais utilizados.

A Dinamarca disputa com Camarões o segundo lugar deste grupo. Pela organização tática e por ter uma sistema defensivo um pouco melhor, aposto numa pequena vantagem para os dinamarqueses para a segunda fase.

Japão

Estavam em crescimento com Okada no início e Zico na seqüência, porém, com a redução de qualidade dos jogadores atuais, além de nenhuma tradição em Mundiais, o Japão entra na condição de azarão neste grupo.

O técnico Takeshi Okada (o mesmo de 1998, ano do primeiro mundial dos japoneses), confia no sistema 4-4-2 e em seu conjunto com comprometimento disciplinar de seus comandados.

Deverá levar à campo a seguinte formação:

  • Narazaki (bom goleiro);
  • O experiente Nakazawa, o Marcus Tulio Tanaka, Uchida e Komaro, numa defesa irregular;
  • O habilidoso Shunsuke Nakamura (Espanyol-ESP), Endo, Hasebe e Kengo Nakamura, num meio de campo de muita correria, marcação e velocidade, porém, de pouca habilidade;
  • Okubo e Okazaki, numa dupla de ataque esforçada.

Para as substituições, a seleção japonesa tem a revelação Keisuke Honda (VW-HOL), os volantes Yuki Abe e Hushimoto, o meia Konno e o atacante Tamada.

Não deverá conseguir passar de fase. vai apenas atrapalhar o caminho dos favoritos da chave.

Camarões

Os Leões Indomáveis que surpreenderam o mundo em 1982 (quase eliminando a Itália que se tornaria nossa carrasca e tricampeã mais tarde) e, sobretudo, em 1990 (7º lugar, eliminados pela Inglaterra somente na prorrogação), classificaram-se numa ótima arrancada no final (já tinham deixado escapar a vaga de 2006 com direito a pênalti perdido por Samuel Eto´o).

O excelente treinador e estrategista francês Paul le Guen (e a França insiste com o Domenech) que dirigiu o PSG e o Lyon em campanhas vitoriosas, aposta na extraordinária velocidade de seu ataque, a dupla Eto´o e Pierre Webo e na experiência de jogadores que vieram do título olímpico de 2000, como Rigobert Song, Alexandre Song, Makoun, Kameri e Geremi.

Sua seleção-base deverá ser:

  • Kameri (razoável goleiro):
  • Ekotto (Tottenham-ING), Bedimo, Alexandre Song (Arsenal-ING) e N´Koulou, numa defesa razoável e um pouco ríspida;
  • Emana e Geremi Njitap na marcação e Jean Makoun e N´Guemo na aramação, num bom e combativo meio de campo ;
  • Samuel Eto´o (o craque que nunca havia jogado uma Copa) e Pierre Webo (muita velocidade). Que dupla!

Song Billong, e Rigobert Song serão jogadores que deveremos ouvir falar durante os jogos da seleção camaronesa também.

Numa defesa irregular, num meio de campo que precisa melhorar a posse de bola e os passes para poder municiar melhor seu ataque fulminante, Camarões deverá disputar a segunda vaga com Dinamarca, no que acredito que, mesmo diante da vantagem camaronesa em jogar em seus domínios territoriais, o melhor conjunto dinamarquês deverá ganhar esta disputa.

Até o Grupo F, na semana que vem, dentro do especial 3 Na Copa de férias!

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