Como jogam as seleções da Copa: Grupo H
Chegamos fim das breves análises das seleções, por seus grupos, neste primeiro momento.
Nesta coluna, o Grupo H que tem 3 países de língua hispânica que são a Espanha, o Chile e a Honduras, além da Suíça; um país com vários idiomas (alemão, francês e até italiano).
Espanha
Cotada como principal favorita ao título, por ser a detentora do melhor futebol jogado e organizado da atualidade, a Fúria nunca teve tantos talentos em seu elenco.
Herança da equipe montada por Luis Aragonés, quando de sua saída após o título da Eurocopa de 2008, o atual e também vencedor técnico Vicente Del Bosque, procurou deixar a Espanha bem ofensiva, amparado pelo melhor meio de campo das seleções deste Mundial.
Como nem tudo é um paraíso, a defesa, no meu entendimento, ainda deixa a desejar, se compararmos, é claro, com o restante da equipe.
Num sistema de jogo bem moderno e ousado, um 4-2-2-2, a Espanha tem dois volantes de boa marcação e que sabem sair jogando, dois meias de ótima habilidade e construção de jogadas e um ataque rápido e de ótima finalização.
Vicente Del Bosque deverá enviar a campo:
- Iker Casillas (um dos melhores do mundo);
- O fraco Sérgio Ramos, o experiente e lento Puyol, o bom Marchena e o regular Capdevilla;
- O líder Xabi Alonso e o craque Xavi;
- O constante Fábregas e o craque Iniesta;
- A temida dupla David Villa e Fernando “El Nino” Torres.
Como opções de banco, seu técnico poderá contar com os ótimas opções, num dos melhores bancos de reservas do Mundial.
Entre eles, o ótimo goleiro Reina, os regulares defensores Pique, Alberloa e Albiol, o excelente volante brasileiro naturalizado espanhol Marcos Senna, os ótimos meias Cazorla e Da Matta e os ótimos atacantes David Silva e Negredo (Sevilla-ESP).
Troca de posições nas jogadas de ataque, pouquíssimos passes errados, muita disciplina tática, um banco de reservas com muitas e variadas opções de jogo e a melhor safra de jogadores de sua história; fazem da Espanha a principal favorita ao título, na teoria e diante do extraordinário desempenho nos últimos 4 anos, acima do Brasil.
Porém, sua tradição de cair nas quartas-de-final, mesmo com equipes muito boas como esta de hoje; criam uma incógnita na hora de decisão, ainda mais num torneio curto como a Copa do Mundo. Sua melhor colocação foi um quarto lugar em 1950.
Não será fácil derrotá-la. Numa comparação com nossa seleção brasileira, temos 3 pontos ainda superiores aos espanhóis: nosso sistema defensivo, nosso contra-ataque e nossa tradição.
Como sempre em mundiais e, sobretudo neste caso, é ver para crer!
Suíça
Reconhecido como o melhor sistema defensivo entre as 32 seleções do Mundial, mas com um sistema ofensivo e criatividade quase inofensivas, a Suíça, chega ao à Copa com uma performance recheada de empates.
Uma seleção, que pela tradição da criação do famoso ferrolho futebolístico de antigamente, privilegia o sistema defensivo e procurando, nas poucas jogadas de ataque que cria, finalizar com perfeição, no que nem sempre obtém resultados positivos.
Posso dizer que houve uma boa melhora de sua campanha de 2006 para este Mundial, no que cabe ressaltar um curioso dado: a Suíça não levou nenhum gol na Copa de 2006 nos 3 jogos da 1ª. fase e nem nas oitavas contra Ucrânia (0 x 0), sendo eliminada, sim, nos pênaltis.
O experiente e vitorioso técnico alemão Ottmar Hitzfeld que foi campeão da Copa dos Campeões com o Bayern de Munique e com o Borussia Dortmund, ambos da Alemanha; conseguiu melhorar um pouco a criatividade e a ofensividade da Suíça, mas, neste aspecto, os suíços ainda deixam muito a desejar.
Porém, na defesa, é uma verdadeira muralha, como suas equipes que sempre dirigiu em sua vitoriosa carreira.
Num tradicional 4-4-2, Hitzfeld, tem, por equipe-base:
- O bom goleiro Benaglio;
- A forte defesa, em que os laterais quase na apóiam, com Litchteiner, o ótimo Phillip Senderos (Arsenal-ING), Gritching e Spycker;
- Os experientes trio Barnetta, Inler e Fernandes e o bom meia Padalino;
- O bom atacante Derdyok (Bayern Leverkusen-ALE) e o experiente grandalhão Frei (Basel-SUI).
Para suplentes, o ótimo atacante Nkufo, o defensor Von Berger, o volante Von Lanthen (parece trocadilho da palavra volante) e o meia Huggel.
Devem disputar o segundo lugar do grupo com o Chile e, também, dentro das probabilidades, enfrentarem a seleção brasileira no primeiro jogo eliminatório das oitavas de final da Copa.
A ofensividade insinuante do Chile me faz apostar neste com um pouco mais de chances diante da defensiva Suíça.
A segunda rodada deste grupo deverá ser decisiva para a definição de que, na teoria, deverá passar ao lado dos espanhóis.
Honduras
Em 1982, ano de sua primeira e única participação em Copas do Mundo, a seleção de Honduras protagonizou partidas da envergadura de verdadeiras zebras.
Após empates diante das seleções da Espanha (dona da casa, em pelo estádio do Camp Nou, em Barcelona) e Irlanda do Norte, Honduras fazia seu jogo decisivo contra a Iugoslávia. O time precisava de mais um empate, que conseguiu segurar até os 43 minutos do segundo tempo. Eis que num avanço iugoslavo, a zaga cometeu um pênalti infantil. Vladimir Petrovic bateu e converteu. No fim da partida, eliminados, os jogadores hondurenhos não conseguiram se segurar. Choraram copiosamente diante das câmeras de televisão.
Com certeza, tal surpresa não deverá se repetir, pois é uma seleção até que ofensiva, porém, com problemas com seu sistema de marcação.
Muito oscilante nas Eliminatórias da Concacaf, onde ocupou desde o primeiro lugar até o quarto e quase desclassificado posto, os hondurenhos deverão oferecer pouco perigo aos seus adversários de grupo, com chances remotíssimas de classificação.
Reinaldo Rueda, seu técnico, dentro do sistema 4-4-2, costuma escalar seu time da seguinte forma:
- O irregular goleiro Valladares;
- Sabillon, Chávez, Figueroa (só o nome de zagueiro que é famoso) e Izaguirre, numa defesa irregular;
- Alvarez, o bom William Palácios (Tottenham-ING), Guevara (não é parente do histórico Che) e Nuñez;
- Os habilidosos atacantes David Suazo e Carlos Pavón da Inter-ITA.
Na reserva, os mais utilizados são os zagueiros Morales e Johnny Palácios e o bom meia Julio César de Leon (o 12º jogador do time).
Não deve passar de fase, sendo, talvez, a seleção que fará a diferença no saldo de gols em uma eventual disputa entre Chile e Suíça pela segunda posição. Bom para os chilenos, que falarei a seguir, que farão sua estréia contra os hondurenhos.
Chile
Uma equipe com um sistema ofensivo insinuante, criativo e habilidoso, mas diante de uma defesa de baixa estatura e um sistema defensivo ainda em melhoria, o argentino e polêmico técnico Marcelo “El Loco” Bielsa, leva à Copa uma seleção chilena que poderá ser capaz de surpreender em seu grupo, uma vez que a ousadia é a marca registrada deste treinador.
Bielsa costuma arriscar e polemizar sempre, porém colecionou grandes vitórias e também grandes fracassos. Uma prova de sua oscilação é a seleção de Argentina em 2002, que caiu na primeira fase, mesmo sendo uma das favoritas ao título após impecável campanha nas Eliminatórias para aquele Mundial, com 1 derrota apenas em 3 anos de disputa da vaga.
Emoção é com ele mesmo, no que tem passado para seus jogadores chilenos, fazendo do Chile uma equipe muito criativa e ofensiva, de ótimo toque de bola, mas muito faltosa e defensivamente tendo muito que aprimorar.
Laterais que atuam como alas e meias, volantes que atuam como zagueiros e vice-versa, fazem do Chile uma seleção que poderá dar trabalho no Mundial, com efetivas chances de classificação para as oitavas, podendo até ser adversário da seleção brasileira eventualmente. Neste aspecto, o Brasil foi a única seleção que não encontrou dificuldades diante destes audaciosos chilenos e seu comandante.
Num 3-4-3, que varia para um 3-5-2, o Chile costuma se apresentar da seguinte maneira:
- O bom e experiente goleiro Cláudio Bravo;
- Ponce, Gary Medel e Carlos Carmona, numa defesa irregular, de baixa estatura e viril;
- Os volantes raçudos e duros Arturo Vidal e Milar e os meias González e Matias Fernandez (o organizador do Sporting-POR);
- O trio de atacantes, no melhor estilo de pontas abertos em diagonal, com o ótimo Aléxis Sanchez (pela direita) e o clássico Jean Beausejour (pela esquerda) e o artilheiro das Eliminatórias, com 10 gols, o homem-de-área Humberto Suazo (Monterrey-MEX).
Para a suplência, merecem destaque o bom zagueiro Jará e o meia Valdívia, tão conhecido dos torcedores do Palmeiras, no Brasil.
Deverá disputar com a Suíça a segunda vaga do grupo. Fará sua estréia diante dos hondurenhos, no que é uma boa vantagem, enquanto que os suíços terão a desvantagem teórica de estrearem contra os espanhóis. As duas seleções terão um confronto direto e muito importante na segunda rodada.
Um grande ataque (Chile) contra uma grande defesa (Suíça).
Acredito numa pequena vantagem do Chile para conquistar a vaga, por conta de melhorias defensivas que Bielsa, no meu entender, conseguirá realizar até o Mundial.
1 Comentário
vivi
26.abril.2010
17:50
ho maigode
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