Nem mais, nem menos!

Publicado por Darcio Ricca no dia 3 de março de 2010

A seleção brasileira realizou seu último amistoso antes da sua estreia no Mundial da África do Sul, vencendo a Irlanda pelo placar de 2 x 0, em Londres.

A Irlanda não é nenhuma boa seleção, mas é organizada e tem o estilo pragmático e defensivo do técnico italiano Giovanni Trapattoni.

É uma equipe que tinha a pretensão de jogar para a Fifa como forma de mostrar que merecia estar entre as 32 seleções na Copa, depois do vergonhoso episódio contra a França do passe de mão de Henry, na prorrogação, para o gol de Gallas e o despreparado árbitro sueco (e que vai à Copa, cuidado, Brasil!). Uma questão de honra para os verdes!

Muitos jornalistas, dentro da emoção peculiar, disseram que a Irlanda não merecia estar entre os 32 classificados e que seria mero coadjuvante na Copa.

Como devemos sempre controlar a emoção e enaltecer a razão, nas críticas, o fato é que a Irlanda poderia ser considerada uma figurante, mas seu sistema de jogo dificultaria as ofensivas das seleções de mais renome.

A Irlanda, a meu ver, também não perderia (e até poderia vencer) as classificadas seleções da África do Sul, do México, do Uruguai, das Coréias do Norte e até a do Sul, do Japão, da Argélia, da Eslováquia, da Eslovênia, da Austrália, da Nigéria, da Nova Zelândia, de Honduras e até da Suíça (este seria um jogo duro de assistir). É uma equipe limitada e organizada como a maioria dos países que irão à Copa. Nem mais, nem menos!

Diante deste adversário, que marcava de forma um pouco mais ríspida, o Brasil fez um primeiro tempo sonolento e aceitando a marcação bem feita na sua saída de bola pelos irlandeses, que bateram um pouco além da conta. Para eles era decisão e para o Brasil, mais um amistoso que gerou desatenção em setores que vínhamos bem como defesa e compactação. Típico de amistoso pré-Copa? Nem mais, nem menos!

No segundo tempo, a seleção brasileira fez o que a Irlanda tinha realizado no primeiro tempo com êxito e conseguiu jogar melhor, criando algumas boas jogadas de ataque, que é nosso ponto chave a melhorar até o Mundial. Melhoramos o nosso jogo, mas ficamos devendo mais capacidade de saída da marcação adversária, de precisão e velocidade nos passes e de, sobretudo, de arremates mais certeiros. Nem mais, nem menos!

Com um pouco de brilho, às vezes, demonstramos potencial de uma grande equipe, que é muito organizada em seu sistema defensivo, com um contra-ataque letal, muito preparo físico, disposição e comprometimento, além de ser um grupo com muitas qualidades coletivas.

Nas individuais, jogadores como Felipe Melo (em queda de rendimento), Adriano (não se justifica sua convocação em detrimento a de um Ronaldinho Gaúcho, se pensarmos em 2006), Julio Baptista e Doni (apesar de suas evoluções recentes na Roma); estão abaixo das expectativas, mas estão dentro das características da já famosa Família Verri. Nem mais, nem menos!

Kaká é um ótimo jogador que está passando por uma fase mediana no Real Madrid e acredito que deva estar se poupando para poder ter condições de jogar o Mundial e brilhar. Em 2006, que seria sua grande Copa, além de ter jogado contundido no jogo contra a França, fez duras críticas ao método de trabalho da comissão técnica e recebeu um autêntico cala-boca dos mais experientes e também acomodados da época. Acredito que ele deseja estar em plena capacidade física para fazer valer este seu Mundial. Nem mais, nem menos!

Na lateral esquerda, Michel Bastos pode ainda melhorar, pois é um ótimo jogador no Lyon. Assim como Gilberto são laterais de origem, mas jogam de armadores esquerdos em seus clubes. É possível melhorar. Nem mais, nem menos!

Dunga precisa aprimorar o que está bom e melhorar as jogadas de ataque e de conclusão da seleção que é possível, dentro do período de treinamento e de otimização das qualidades e da polivalência de alguns jogadores, como Daniel Alves, Elano, Ramires, Nilmar e Kleberson. Nem mais, nem menos!

Dunga disse que o grupo está fechado e que todos os jogadores tiveram suas chances. Um exagero, mas também disse que continuará acompanhando cada jogador em seus clubes e vai levar isto em conta.

Apesar do jeito meio displicente e do temor de comprometer o grupo, Ronaldinho Gaúcho está em evolução, é querido pelo grupo, é um jogador diferenciado e faz falta, ainda mais num futebol tão nivelado por baixo hoje em dia. Sabendo comandá-lo (Dunga vigiou Romário em 1994) e usar do seu potencial e criatividade, a seleção só teria a ganhar. Nem mais, nem menos!

É bom baixar um pouco a euforia. Muitos jornalistas estão dizendo que o grupo é bom, organizado, tem atitude, comprometimento e outros predicados de uma equipe aguerrida, bem ao estilo Dunga; que tem os grupo literalmente em suas mãos.

Dizem também que o Brasil fará um bom papel na Copa, mas consideram difícil uma conquista de título e Dunga terá muito que fazer. Considero que Dunga, mesmo com seu jeito duro e agressivo (às vezes, tem cada pergunta…), sabe o que tem ser feito e o fará, da melhor forma possível. Se conseguirá conquistar o campeonato, não sabemos, mas ainda temos condições para isso.

Nem mais, nem menos! O Brasil é um dos favoritos pelo que pode e ainda deve melhorar. Talvez seja bom chegar em boas condições, mas sem favoritismo exagerado e cego.

Baseado nas seleções vitoriosas do futebol moderno e atual, como as de 1994 e de 2002, Dunga busca suas inspirações pela eficiência e união destas e sabe que tem muito trabalho a fazer, subindo um degrau de cada vez.

Vamos acompanhando e comentando. Nem mais, nem menos!

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