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Monthly Archives: agosto 2010

Não pode, mas pôde!

Pode um clube de futebol influenciar, por meio de seu dirigente, a escolha de uma sede de Copa do Mundo de Futebol, junto à sua Confederação, com base numa relação de amizade e interesse e, pior, com o apoio de um torcedor-mandatário de uma nação? Não pode, mas pôde!

Pode um dirigente de uma Confederação aprovar um estádio de Copa do Mundo, ainda mais com promessas deste ainda ser nomeado sede de abertura de um Mundial de Futebol, beneficiando interesses particulares ou políticos e favorecendo laços de amizade e favorecimento sem ter consultado o projeto? Não pode, mas pôde!

Pode uma Confederação de Futebol de um país se apropriar de um produto cultural nacional de sua nação, que é uma sua seleção de futebol, para fazer negócios de interesse particular ou de um grupo de privilegiados? Não pode, mas pôde!

Pode um chefe de um a nação usar de seu carisma e figura de torcedor para facilitar e intermediar negócios de interesse de um grupo específico de pessoas, apenas para satisfazer sua paixão, em detrimento aos procedimentos de livre concorrência que regem as leis de mercado? Não pode, mas pôde!

Um chefe de uma nação e torcedor, que não devem ser uma única pessoa, pode facilitar os caminhos de um clube e de uma Confederação em seus acordos acima dos demais que possuem os mesmos direitos de disputa? Não pode, mas pôde!

Pode um dirigente de uma Confederação de Futebol se auto-nomear presidente de um Comitê de Organização de uma Copa do Mundo em seu próprio país, além de se perpetuar no poder, baseado em mecanismos de acordos de poder e trocas de favores? Não pode, mas pôde!

A falta de planejamento, de calendário, de cronograma de trabalho e de escolhas de prestadores de serviços de um evento do porte de uma Copa do Mundo, podem ser aprovados apenas por meio de apresentações em powerpoint, imagens editadas de obras e discursos conectados com momentos eletivos políticos que estejam em vigor em um país? Não pode, mas pôde!

Uma maquete de estádio em detrimento a projetos em andamento, uma empreiteira contratada que se pronuncia como beneficiária apenas futuramente e com aval do mandatário de uma nação, podem ser beneficiadas sobre outras, ferindo os princípios básicos comerciais? Não pode, mas pôde!

Um estádio de Copa pode ser implodido sem planejamento de danos, no momento desta explosão e, às famílias que o circundam? Não pode, mas pôde!

Um ministro de Estado pode tomar partido de uma causa particular de um clube ou Confederação, em nome da nação?

Os juízes podem ser permissivos e permitirem que jogadores de futebol de um país paguem caro, com contusões de longa recuperação, que os impossibilitem da prática do futebol e de suas possibilidades de retorno a quem apostou neles? Não pode, mas pôde!

Uma seleção de futebol pode ficar sem fazer amistosos oficiais, em datas permitidas pela entidade máxima mundial que a rege, por conta de interesses comerciais acima do futebol? Não pode, mas pôde!

O torcedor de futebol também deveria ser um cidadão comprometido com a informação, a fiscalização e a cobrança sobre aqueles que ferem a ética e a moral e que ocupam cargos eletivos ou ditatoriais em seu município, estado e país e até do clube que torcem? Deveria, mas não faz!

Chefes de estado, chefes de confederações e de clubes de futebol devem dar o exemplo de conduta. Deveriam, mas o fazem!

Fico aliviado que, no país que vivo, não tenhamos estas precocupações!

Melhor jogos-treino de testes a jogar contra Indonésias (respeito à nação) da vida

O técnico da seleção brasileira, Mano Menezes, dentro de um acordo com os clubes brasileiros, convocou, dentro das chamadas Datas-Fifa, apenas jogadores que atuam fora do Brasil, para mais um amistoso que, infelizmente, não ocorrerá, por conta do insucesso da agenciadora da CBF em não conseguir um adversário de, ao menos, razoável nível técnico e/ou comercial.

Um possível adversário era a Indonésia, dentro das disponibilidades que surgiram. Tenho quase certeza da recusa de Mano.

Claro que, diante da boa estreia da seleção brasileira diante dos EUA, algumas seleções possam querer evitar um amistoso contra o Brasil, sobretudo as que mudaram seus técnicos, deram férias aos seus titulares pós-Copa ou ainda em trabalho de reestruturação.

O que precisa ser feita é uma cobrança junto à Kentauro, a tal agenciadora, por parte da CBF, para que apresentem boas possibilidades de amistosos; uma vez que teremos apenas a Copa América, na Argentina, em 2011, um amistoso marcado contra a Alemanha em agosto de 2011, um quase certo (no site da FIFA está acertado) amistoso contra a Argentina em novembro deste ano, as Olimpíadas de 2012 e a Copa das Confederações em 2013, aqui no Brasil.

Brasil que terá estádios que nem iniciaram reformas, gastanças de dinheiro público, oportunismo e jogos políticos asquerosos.

Seria importante, e Mano conta com isso em seu projeto de trabalho, que tenhamos amistosos de bom nível técnico se não mensais, ao menos bimestrais.

Mano vai aproveitar a ocasião para conhecer melhor alguns jogadores de perto, implantar seu método de trabalho como numa semana normal de clube, que, a meu ver, é melhor que nada. A seleção se reunirá entre 02 e 08/09/2010. Jogos-treino serão em 05 e 08/09.

E digo mais: considero mais proveitoso este tipos de jogos e treinamentos a amistosos contra seleções fracas. Clubes ou combinados como a Catalunha não são mais oficiais da FIFA, o que dificultaria liberação de atletas nas datas pré-estabelecidas com a entidade que manda no futebol mundial.

Por ser um ótimo treinador e por promover dois jogos-treino entre titulares e reservas, Mano saberá tirar proveito desta situação estranha. Na vontade de mostrar serviço, estes jovens e esquecidos valores que estão sendo chamados, num jogo-treino, poderão mostrar do que são capazes. Uma boa alternativa para ampliar o leque de opções e conceitos.

Dos convocados anteriores, a dupla Neymar e Ganso (titulares desta nova fase da seleção), não fazem parte do grupo de estrangeiros. Neymar, aliás, graças a uma histórica conquista encabeçada pelo presidente do Santos, o sr. Luis Álvaro de Oliveira, que conseguiu manter Neymar no time, mesmo diante da ótima proposta do Chelsea-ING. O empresário Wagner Ribeiro, no momento, perdeu seu agenciamento, neste caso.

Os goleiros Victor (titular) Renan e Jefferson, o zagueiro Rever e o volante Jucilei não estão nesta lista por ainda jogarem no Brasil. Sandro, Hernanes e Robinho se mudaram para clubes de fora, entre a primeira e a segunda convocação.

Convocados, dentro esquema-padrão 4-2-3-1 do Mano:

O ótimo goleiro Gomes e o bom Diego Alves. Acredito que ao lado de Victor sejam os 3 goleiros de Mano no momento. Possibilidades de Fábio do Cruzeiro e Julio Cesar ainda existem.

Os laterais direitos Daniel Alves e Rafael. Possibilidade de Maicon, pois julgo ser este o jogador que pediu dispensa a Mano, pós-Copa.

Os laterais esquerdos André Santos e Marcelo. Aqui não acredito que o momento peça outras opções.

Os zagueiros Thiago Silva, David Luiz (interessante este desejado zagueiro por Mourinho), Henrique e Alex. Réver tem chances. Luisão, Miranda e Alex Silva podem um dia surgir.

Os primeiros-volantes Lucas (titular) e Sandro (reserva de luxo!). Não vejo nada melhor!

Os segundos-volantes Ramires (titular) e Hernanes. Idem! Douglas Costa, desta lista, ex-Grêmio e do Shakhtar Donestsk (lá jogou Elano, lembram?) como surpresa, a meu ver, apenas passageira, mas em idade olímpica.

Os meias de criação e meias-atacantes Carlos Eduardo, o promissor (também em idade olímpica) Phillipe Coutinho, Robinho, Fernandinho (joga com Douglas Costa e é uma ótima opção a ser avaliada) e Hulk (uma das surpresas de Dunga que podem ser respeitadas). Claro que Ganso, Neymar e Giuliano do Inter deverão estar em futuras listas e brigando por titularidade. Se Kaká estiver bem, será lembrado, com certeza. O azarado Éderson também.

André e Pato para homens de área. Excelentes. Tardelli ainda está em alta conta. Não me surpreenderia se um dia surgisse Fred nesta lista.

Que Mano Menezes aproveite estes treinamentos e jogos-treino para conseguir bons resultados de observações e de trabalho, e que os jogadores nos tragam mais momentos de prazer diante de suas oportunidades.

Que a CBF e a Kentauro façam sua parte, no que estão devendo.

Um início promissor e empolgante do Brasil de Mano Menezes

O título desta coluna reflete mesmo o que senti neste amistoso em que o Brasil venceu os EUA por 2 x 0, com gols de Neymar e Pato, na estreia de Mano Menezes como treinador da seleção brasileira de futebol, em busca da preparação para a Copa de 2014.

Após uma pressão inicial, marcando e dificultado a saída de bola brasileira, nos primeiros 10 minutos de jogo, por parte da boa e entrosada taticamente seleção norte-americana, quase Donovan abriu o marcador, não fosse a intervenção de André Santos a colocar a bola a escanteio.

Após Lucas (pela esquerda) e Ramires (pela direita) conseguirem se posicionar e dar mais tranquilidade ao setor defensivo, o ataque brasileiro começou a alternar de posições, principalmente pelas laterais do campo e, também, a contar com apoio dos laterais, sobretudo André Santos que jogou um partidaço cruzando para Neymar (o melhor em campo) fazer, de cabeça, Brasil 1 x 0.

Gol que teve dedo de Mano, como em quase todas as boas jogadas e principalmente nos acertos de posicionamento ao longo da partida. Mano fez sempre uma leitura correta da dinâmica do jogo e soube passar tranquilidade e instruções aos bons jogadores que escolheu para a partida.

Com isso, a seleção brasileira, com velocidade, passes precisos (principalmente o repertório do genial armador esquerdo Ganso), passou a dominar os EUA em seu próprio campo. Uma ofensividade com variações de ataque, de tabelas e até de dribles objetivos, não permitindo o crescimento do jogo dos EUA e, além disso, fazendo crescer o jogo do Brasil, como a muito tempo não se via.

Apesar de ser o considerado o jogador mais abaixo da média, Daniel Alves até tinha dado um lindo passe de uns 20 metros que Pato (que foi bem de centroavante) desperdiçar na frente do goleiro.

Pato, com falta no goleiro, após outra boa jogada de ataque do Brasil, fez um gol que o juiz corretamente invalidou porque ele tinha feito falta em Howard.

Os 2 x 0, finalmente com Pato, vieram depois de uma troca de posição de Ganso com Ramires (confundindo a marcação adversária) em que o volante (que pulmão!) deu um lindo passe para Pato driblar Howard e decretar a vitória brasileira ainda no primeiro tempo.

No segundo tempo, depois de ótima jogada de Robinho (jogou de capitão e foi útil taticamente), Pato chutou na trave.

Outra bola na trave de Robinho e outra de Ganso refletiram o quão elástico poderia ter sido o placar, não fosse a seleção brasileira ter perdido tantos gols.

Aliás, elástico foi a “cereja do bolo” do maestro Ganso para a plateia, antes de sair, aplaudidíssimo, no finalzinho do jogo.

Com várias mudanças, para estrear novos jogadores, o jogo ficou um pouco mais cadenciado depois, mas serviu para André mostrar que tem qualidade, que podemos contar com Hernanes, Carlos Eduardo, Tardelli e Jucilei.

Quase os norte-americanos, numa falha de posicionamento do Brasil (apesar da ótima atuação de Thiago Silva e a impressionante segurança de David Luiz), fizeram seu gol de honra, mas não contavam com o excelente goleiro Victor que impediu o gol dos EUA, com a perna, em ótima saída de gol.

Que azarado o Ederson que se contundiu no seu primeiro lance e teve que ser substituído. Vamos aguardar.

Um início promissor e empolgante que, apesar do pouco tempo de treinamento, mostrou um entrosamento e um jeito de jogar que foi um pouco de resgate do futebol bonito e também disciplinado, devidamente arquitetado por Mano Menezes.

Causou uma ótima impressão e acima das expectativas para uma estreia. Trouxe um pouco de esperança e um leque de possibilidades que, com a mesma seriedade, planejamento, humildade e paciência (os reveses serão inevitáveis na caminhada) e uma proposta ofensiva para evitar o defensivismo; poderão trazer de volta uma agradável, insinuante e também competitiva seleção brasileira, na medida certa.

Primeiros passos de Mano Menezes na seleção

O técnico da seleção brasileira de futebol, Mano Menezes, decidiu mudar-se para a Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, mais perto da CBF, mas, sobretudo (e mais importante!), mais perto para acompanhar os treinamentos (na questionável Granja Comary, Teresópolis) das seleções de base (costumeiramente ignorada por seus antecessores e pela própria entidade que as gerem); buscando garimpar talentos, realizar uma saudável aproximação entre todas as seleções brasileiras, fomentar o mesmo padrão tático da seleção principal a todas as outras categorias de base e priorizar a sucessão de seleções futuras, amparadas pelos jogadores em real bom momento.

Quanto à comissão técnica, Mano escolheu, positivamente analisando:

Sidnei Lobo, seu auxiliar técnico de sempre e fiel escudeiro.

O ótimo preparador físico Carlinhos Neves que, por enquanto, dividirá suas funções entre o São Paulo e a Seleção. Inovadora escolha nesta área.

O preparador de goleiros Francisco Cersósimo, que trabalhou com Mano no Grêmio. É só observar a qualidade do goleiro Victor para entender seu trabalho.

Um analista de desempenho tático (ótima ideia!) em função a ser exercida por Rafael Vieira.

A saída de Américo Faria com função incoesa.

A manutenção do administrador da seleção Guilherme Ribeiro que está na comissão técnica desde a conquista do penta em 2002.

O aguardo da escolha do profissional de psicologia.

O aguardo do anúncio do novo Coordenador Técnico (que talvez seja Parreira) e que, positivamente também, estará, como todos da comissão técnica, subordinado ao treinador Mano Menezes.

Os experientes e mantidos Odir de Souza (fisioterapeuta que trabalhou com Rosan e está na seleção desde Parreira em 2006) e Denir (massagista desde 1994 com Parreira no tetra).

Não tão positivos assim, teremos:

Ricardo Teixeira – presidente desde 1989 (21 anos no poder). A sorte é que estará mais voltado para a chefia do COL (Comitê Organizador Local) da Copa 2014 aqui no Brasil.

Rodrigo Paiva (Diretor da Assessoria de Imprensa e Comunicação). Poderiam inovar nesta área, não é?

A volta (pedida por Mano em seu grande erro de início) do médico José Luis Runco.

No plano operacional, finalmente o treinador de seleção brasileira vai a jogos de estádio (Mano foi a Flamengo x Vasco e São Paulo x Inter-RS) e irá em todos os possíveis.

Dunga, certa vez, depois do último amistoso do Brasil contra a Irlanda em Londres (no Emirates Stadium do Arsenal) em que vencemos por 2 x 0 (jogo que convocou Grafite e tirou Victor da lista sem explicações), ficou para um amistoso do dia seguinte entre Costa do Marfim e Coréia do Sul.

Resultado: mesmo de forma mediana, jogamos contra os marfinenses sabendo de suas qualidades e defeitos. Eles perderam aquele amistoso de 2 x 0 e também perderam por 3 x 1, para nós, na última Copa.

No plano tático, Mano Menezes deverá optar pelo 4-2-3-1, sem engessar a equipe ou mesmo inibir a criatividade. Uma linha de quatro defensores em que os laterais serão mais participativos na marcação e atacarem na medida certa. Volantes com ótimo passe e boa marcação, mas com características de meias-criadores. Homens de frente com ajuda na marcação, preenchimento de espaços, velocidade, jogadas pelas pontas e marcação sob pressão, com alternância de cadenciamento de jogo, quando necessário. A opção de dinâmica de jogo será sempre ofensiva.

Mano Menezes deseja resgatar a criação de jogadas típicas do futebol brasileiro, aliada à habilidade, ao preparo físico e à consciência de equipe que saiba também jogar “sem a bola”.

Em 2011, exatamente na mesma data do primeiro amistoso de 10/08 contra os EUA em New Jersey; está agendado o amistoso contra a ótima Alemanha, em Stuttgart. Que realmente marquem amistosos de qualidade e com freqüência, pois não disputaremos Eliminatórias. Que usem bem as chamadas Datas-Fifa.

Teremos reedição, só que com outro nome, da Copa Roca, com jogos (lá e cá) entre Brasil e Argentina. Esta última que demitiu Maradona e está pensando ou em Sabella do Estudiantes ou em Claudio Borghi do Boca Juniors. Prefiro a primeira opção porque esse treinador poder dar um padrão de jogo mais interessante ao selecionado albiceleste, como o fez com o time do Estudiantes.

Para reflexão: Considerei, no campo comportamental, a participação da seleção brasileira na Copa de 2010 como a da Copa de 1954 e, no campo de jogo, nosso futebol lembrou-me o praticado na Copa de 1978.

Curtinha: Roberto Baggio de Coordenador Técnico da Itália (que loucura!).

Vamos acompanhar o amistoso do Brasil e as novidades das seleções, nas retomadas rumo a 2014, pelos amistosos da semana que vem!