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Para o bem do futebol brasileiro

O 3 na Copa não comenta campeonatos que não sejam Copa do Mundo ou Eliminatórias, mas este jogo de domingo entre Barcelona e Santos é uma situação muito à parte. Não é natureza deste site, mas exceções são essenciais!

O Barcelona seria o melhor time do mundo, mesmo se perdesse. Messi seria também ainda o melhor do mundo e Neymar ainda é craque, ainda mais depois do que falou, após o jogo, que hoje tomamos uma aula de futebol e é o que levaremos de lição.

Nada mudaria, como diz mestre Tostão, qualquer que fôsse o resultado. Não é o que pensa a maioria dos ignorantes!

Claro que a ideia dos 3 zagueiros poderia dar certo, desde que os volantes jogassem como tal e não aumentassem o congestionamento improdutivo de zagueiros. A defesa do Santos era só um muro com buracos. Buracos de um pífio Durval e um sofrível Leo, além de chamarem o Barcelona mais para o jogo do que já normalmente este time vem.

Danilo (enquanto esteve em campo até se contundir), Rafael e Edu Dracena (que deveria ter sido expulso!) impediram um massacre maior que os 4 x 0, enquanto que Leo e Durval facilitaram os 3 gols do Barcelona ainda no primeiro tempo. Zagueiro que deixa a bola passar embaixo das pernas sugere o adjetivo que Durval ganhou desta coluna.

Um segundo tempo melhor e mais exposto do Santos, mas ainda com um inseguro sistema de marcação, ressaltado pelas opções defensivas que Muricy tinha e como as distribuiu também. Todos erraram absurdamente no primeiro tempo com uma melhoria tardia no segundo.

Um contraste: enquanto Leo cobrava a titularidade, Pedro (reserva imediato de Villa e/ou Fábregas) aceitou a opção tática de Guardiola por Thiago Alcântara. Uma lição apresentada até na hora da substituição de um pelo outro no segundo tempo.

Enquanto a mídia enalteceu os jogadores brasileiros, no melhor nível “Estrelas” (um tipo de programa de sábado apresentado pela primeira-dama da atual mídia), Xavi e Iniesta chegam ao Japão e saem para passear sozinhos, como simples cidadãos como todos nós, que exercemos diversas profissões, como eles. Os nossos têm seguranças e parafernália de estrelas de show. Responsabilidade dos jogadores, da educação de seus pais, dos dirigentes e da maior parte da mídia nefasta.

Gostei de Ganso, mesmo que me critiquem, mas achei que, na hora das poucas e boas chances de definição a gol que o Santos teve, um pouco de pretensão transparecia nos homens de ataque.

Comparem o gol que Messi fez por cima do Rafael com o que Neymar perdeu tentando definir a gol, por debaixo das pernas do goleiro barcelonista.

O futebol brasileiro, principalmente daquele Flamengo de 81, guardadas as devidas proporções de tempo, jogava à maneira do Barcelona e, como a seleção brasileira foi sendo derrotada em Copas do Mundo, foi aderindo ao estilo europeu, com destaque para o estilo da família Scolari. Se há foras-de-série, os títulos encobertam a queda da qualidade do futebol, apesar de ser também importante a eficiência.

O mundo do futebol, tática e tecnicamente, muda, de forma sadia e correta, para a valorização do futebol coletivo que poucos o fazem, e em que o Barcelona reina!

Trabalho humilde de 30 anos atrás que ensina ao mundo que o jogo de futebol tem que ser coletivo, participativo, companheiro, solidário e sabedor de que o time ou a seleção está acima de todos nós e de todas as instituições que os cercam.

Enquanto o futebol brasileiro quiser “sentar no trono de cinco estrelas”, não conseguirá recobrar suas origens e, principalmente, perceber as mudanças que um time como o Barcelona demonstra em campo, empobrecendo seu futebol.

A espetacularização, cruelmente estimulada por boa parte da mídia sanguessuga que vive (e bem!) com isso, é o que “mata” o futebol, principalmente o nosso. Ou é jogo de firula para aparecer ou de guerreiro para “jogar para a torcida e os cururus”.

O emocionante Brasileirão é muito fraco tecnicamente, além da maioria dos jogos que acompanhamos. Poucos se destacam porque a inteligência tem que acompanhar cada jogador, em cada canto do planeta em que se joga futebol.

Valorizo as conquistas de 1994 e 2002, mas não poderíamos apenas viver delas e, sim, deixá-las na importância histórica que tem, de fato!

Precisávamos ter trabalhado nosso futebol com a soma da eficiência que adquirimos e o resgate do jogo coletivo que perdemos, da qualidade dos bons e poucos passes errados, do futebol solidário e consciente dos nossos jogadores.

Futebol não é só vontade e raça, que não faltaram ao Santos e nem na última seleção brasileira na Copa de 2010, por exemplo.

Faltou inteligência emocional, individual e coletiva, humildade, proximidade, companheirismo e aprimoramento da técnica que jogadores pretensiosos, como são a maioria no planeta, acham que não precisam por que são os “vocês s/a´s”.

Culpa deles, da educação dada por suas famílias que os vêm como “tábua de salvação” para seus problemas financeiros e sociais, dos dirigentes e da maior parte da mídia que os cria para sobreviver e lucrar com isso!

Messi é maior do mundo e Neymar um dia será. Isto nada mudou, apenas ressalto que Messi sabe o seu tamanho e de seu time. Talvez Neymar não saiba (mas está aprendendo!) qual é o seu tamanho ainda! Com certeza, não é o tamanho popstar que lhe colocam e que aceita.

Mesmo Daniel Alves jogando muito bem e sendo muito útil ao Barça, percebo um pouco de pretensão “à brasileira” que ele traz para a seleção, como no gol que perdeu aos 44 do segundo tempo. Futebol tem que ser jogado, e bem, durante todo o tempo da partida, independente do resultado! Mais uma lição do Barcelona.

Humildade ganha de goleada da pretensão e contribui para um time ou seleção melhor.

Para o bem do futebol brasileiro e seu futuro, uma goleada muito providencial!

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3 Responses to Para o bem do futebol brasileiro

  • raul cavalcanti says:
  • Querido Dárcio, ao invés de ver o jogo com você, assisti ao certame em um saguao de hostel em Buenos Aires, onde eu e Rejane passamos férias.
    Minha surpresa inicial: mais brasileiros que portenhos acompanhando a partida. Faziam festa: gritavam, vestiam camisetas do Santos e máscaras de Neymar. Os demais olhavam, meio desconfiados (eu entre eles). Um funcionário do hostel, que vestia uma camiseta do Flamengo, colocou o hino do alviverde praiano para tocar em alto e bom som às 7h da manha.
    No primeiro gol, santistas e simpatizantes xingaram, mandaram Messi à merda e a lugares ainda piores. Portenhos e europeus comemoraram.
    No segundo gol, os brasileiros começaram a ficar cabisbaixos, e portenhos começaram a fazer piada. Pediam que Muricy substituísse Neymar, que nao jogava nada. No terceiro gol, todos pareciam conformados com o resultado. As respostas ao gol foram modestas.
    No segundo tempo, muitos cochilavam no sofá enquanto Messi fazia o quarto gol. Os brasileiros, um sono de derrota e fuga. Portenhos sorridentes por Lionel, europeus com aquele sorriso meio arrogante do qual eles nao tem culpa.
    Poucos prestaram atençao na entrevista de Neymar, que admitiu: aprendemos a jogar bola. Na verdade, PRECISAMOS aprender a jogar bola, como você tao brilhantemente coloca na sua coluna.
    P.S.: em La Boca, comendo um bife de chorizo após visitar La Bombonera, pergunto ao garçon se ele tem time. Me responde: Boca e Corinthians! Aperto a mao dele e recebo instantes depois uma bandeira do time do Parque Sao Jorge, que ele coloca nas costas da minha cadeira durante toda a refeiçao. Rejane tirou uma foto e depois mostra a você.
    Desculpe a falta do acento “til”… nao descobri como usá-lo aqui…

    • Darcio Ricca says:

      Camarneiro:

      Obrigado pelas preciosas informações da terra de Lionel!

      Abraço,

      Darcio Ricca

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