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Evidências e disputas

O amistoso contra a Austrália – a mesma que dificultara na primeira fase ante a Holanda no Mundial 2014 – vencido pelo Brasil por 4 x 0 foi apenas mais um complemento para tratarmos aqui de algumas evidências e disputas que perdurarão até a formação do elenco do Mundial de 2018.

Já classificada, a seleção brasileira do preparado e consciente Tite (por vezes com excesso de confiáveis!), deixou de levar para os proveitosos amistosos ante a Argentina renovada e revigorada de Sampaoli e os fortes físicos e táticos australianos, seis de seus titulares, uma vez que o goleiro ainda causa muitas discussões.

Como adendo, a Rússia (país-sede) e o Irã já estavam classificados até a data desta coluna. O Irã, que manteve a base de 2014 embora mediana e com princípio de continuidade, o fez o segundo classificado por antecipação.

Todos sabemos que, em não havendo contusões, quedas de produção técnica e tática em seus times ou mesmo problemas comportamentais, a base titular está definida.

Além de muitos fatores já abordados por estas linhas e letras virtuais, o que também diferencia esta seleção brasileira em relação ao passado de mais de uma década no mínimo, são as disputas de vagas num grupo não fechado em nomes e propostas, sem deixar de possuir suas ditas espinhas dorsais de elenco.

No gol, a reserva de Alisson da Roma está deixando espaço para Weverton, Ederson e, finalmente, Diego Alves.

Diego Alves, após este jogo, pode-se considerar um dos três goleiros. Conquistar a titularidade, são outros degraus, chances e defesas. Será que Alisson, o número 1 de Tite, corre risco? Será que Diego Alves avança a ponto de mudar Ederson ou Alisson pela já confiança em Weverton? Evidência para Diego Alves e 4 x 3 na disputa.

Nas laterais, Daniel Alves e Marcelo garantidos. Briga na esquerda entre Filipe Luis e o bom Alex Sandro. Fagner não vinha convencendo para vaga no time, ainda mais diante do bom jogo de Rafinha de hoje. Disputa na esquerda pela reserva de Marcelo e evidência em Rafinha.

Na zaga, Marquinhos e Miranda estão bem entrosados com Thiago Silva ressurgindo, mais maduro. Thiago é o melhor de todos tecnicamente, mais ainda precisa de melhor desempenho e convencimento emocional para superar seu colega de PSG Marquinhos. A disputa fica entre Gil mais comumente chamado e Rodrigo Caio. 2 x 1 na disputa, uma vez que observo poucas evidências para Jemerson.

Casemiro está num patamar de primeiro grupo da seleção ao lado de Neymar, Philippe Coutinho, Marcelo e Daniel Alves (este da Juventus hoje!). No segundo grupo temos Paulinho e Gabriel Jesus e, no terceiro, os zagueiros citados acima e Renato Augusto.

Voltando à evidente suplência tática de Casemiro, Fernandinho reinava até chegar a presença de David Luiz como volante em seu crescimento com o Antonio Conte no Chelsea. Fabinho do Mônaco não foi testado, mas deveria, para que Fernandinho não fosse evidência e David Luiz única disputa.

Renato Augusto e Paulinho ainda não possuem opções de mesmo nível, embora Tite confie muito no bom Giuliano.

Além disso, sempre Lucas Lima e Diego disputavam posição. Porém, uma boa novidade tática que tem-se feito interessante é Rodriguinho. Neste caso, e com o acréscimo da análise de Ganso em seu momento atual, por que não? Ou seja, 2 evidências e 4 x 2 nas disputas de meio, a definir melhor as opções.

No ataque e composição de meio de superatleta para acompanhar lateral adversário e atuar pelas extremas, temos Philippe Coutinho e Neymar como uma ótima dupla de protagonistas e William a opção tática, habilidosa e de fôlego mais evidentemente direta.

Por ter tido muitas contusões e jogado pouco com Tite, Douglas Costa pouco mostrou de entrosamento hoje contra Austrália e, seu substituto Taison, além de colocar fogo na partida, ainda marcou um gol digno de sua posição, além de ser versátil. 2 x 1 na disputa.

Por fim, o tal do centroavante moderno está na evidência de aposta em Gabriel Jesus, que hoje teve um problema com a vista de pancada sofrida no olho, mas com fratura descartada contra os argentinos. Torcemos por ele!

Seu reserva que vinha sendo chamado, Roberto Firmino, ainda não justificou valer a pena estar na disputa. Diego Souza, improvisado, como um “falso nove’, larga na frente, e com dois gols hoje, mais ainda. A disputa encontra-se aberta porque Tite aviltou a possibilidade de teste com o melhor atacante do futebol brasileiro (e no melhor time, Grêmio), o garoto campeão olímpico Luan.

O amadurecimento de Luan e a experiência de Diego Souza devem deixar a disputa em 2 x 1 pela evidente desistência de Firmino ou até do veterano Fred, nunca chamado desde 2014?

Evidentemente que sim às polêmicas e às disputas por espaço estimulado pela meritocracia do treinador.

 

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2 respostas a Evidências e disputas

  • José Carlos Asbeg disse:

    Pena que não temos você nos comentários das TVs brasileiras. Ótima análise. Agora entendo mais da seleção brasileira! Abraço. Saúde.