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Darcio Ricca

O que vamos encontrar na Copa

Exceção à Espanha e Alemanha, jogar contra a seleção brasileira será isso: postura altamente defensiva dos adversários.
Como o fizeram os desfalcados ingleses que, mesmo sendo um amistoso, se tivessem com seus titulares de ataque lesionados Harry Kane, Delle Ali e Sterling, o jogo ficaria mais aberto e correriam mais riscos que os tão poucos que sofreram em apenas três chances de gol brasileiras, que dominou mas não concluiu.
Quanto aos defeitos, a ansiedade em vencer o jogo gerou algumas situações abaixo:
1) quase nenhuma ultrapassagem de laterais com Daniel Alves nervoso e Marcelo, este em uma de suas piores partidas e o que errou mais passes;
2) Neymar, sobretudo no primeiro tempo, teve duas oportunidades de passar a bola para um companheiro melhor colocado: Coutinho em uma e Paulinho em outra, melhor posicionados, que poderiam ter resultado em perigoso chute a gol. Quis chutar de qualquer jeito Neymar;
3) Coutinho vem de contusão e não poderia ter jogado esta partida: percebia-se que seu corpo não acompanhava seu raciocínio, ainda mais diante de uma retranca tão forte dos donos da casa que exigia a questão física em dia;
4) Os laterais cumprem um papel tático importante neste esquema e, hoje, ambos foram muito mal;
5) Paulinho precisava chegar mais próximo de Gabriel Jesus como um ponta-de-lança e Renato contar mais com os laterais e os extremas. Neymar precisa ajudar mais na marcação;
6) Tite demorou muito tempo em mexer. A entrada de William no lugar de Coutinho – após o erro de sua escalação hoje – seria essencial que fosse muito mais cedo;
7) Tite levou Diego Ribas para quê? Luan é bem melhor nesta função, deslocando Paulinho para a ponta-de-lança e aumentando a qualidade da chegada ao ataque;
8) Tite levou Giuliano pra quê? Hernanes faz o jogo apoiado tão bem quanto Renato e chega como elemento surpresa, atacando os espaços, com força e excelente finalização;
9) Tite não testou a opção de amplitude de Taison no jogo de hoje, em lugar de Neymar. Douglas Costa, infelizmente, não dá mais;
10) Tite poderia ter testado Firmino pelo lado com Gabriel Jesus também, como o faz o Liverpool com a dupla Saha e o próprio Firmino.
A defesa foi muito bem. Apenas Casemiro precisa controlar sua afobação em alguns lances, mas Marquinhos e Miranda impecáveis e Alisson muito seguro.
Tite começa equilibrando seus setores com o jogo apoiado, compactação e o perde-ganha.
Mas, isto parece consolidado!
Creio que agora começará uma nova fase de aprimoramento ofensivo porque nenhuma seleção – abdicando de jogar, inclusive – jogará contra o rápido e habilidoso Brasil de frente, com as exceções no início desta análise.
Por outro lado, além da alta viabilidade do teste, foi muito importante o resultado final de 0 x 0 para baixar o ufanismo.
Ufanismo que, desde 2006 tem nos prejudicado quando chegamos aos Mundiais, criando uma ilusão de que tudo está bom, seleção pronta, elenco fechado e acomodação!
Isto teve um preço muito alto de anos de preguiça: os 7 a 1 de 2014!
Com certeza Tite e sua competente comissão técnica sabem do trabalho que terão, mas seria importante que Edu e a moralmente falida CBF conseguissem ao menos mais um amistoso contra uma Espanha, por exemplo; além de Rússia e Alemanha marcados para março de 2018.
Honestamente, prefiro assim, consolidando sem ufanismo e com a completa noção da realidade do que encontraremos de nossos adversários na Copa.
Nada é mais importante que a reflexão e arejamento de idéias!

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4-3-3 nos testes

O amistoso do Brasil de Tite contra o Japão hoje foi pautado por uma característica: testes.
Tais testes, com seis mudanças no time titular, mudaram o plano tático do 4-1-4-1 do Real Madrid que ele adota – talvez influenciado pelo seu estágio com Carlo Ancelloti – para um 4-3-3 por conta das peças utilizadas.
Num primeiro tempo muito bom ofensivamente e com poucos erros defensivos, o placar de 3 x 0 foi construído com a facilidade que por conta do Brasil atacar os espaços, executar o perde-ganha da bola, recompor rápido e usar a velocidade com amplitude do campo e muita movimentação.
Daí, mais algumas mudanças no segundo tempo e a reorganização da equipe nipônica levaram o jogo – e costuma ser assim diante de tantas mudanças também – para uma partida de nível fraco e com o Japão descontando no marcador.
Total descaracterização na segunda etapa e erros defensivos como de Jemerson no gol de Matiko e Cássio, que não soube aproveitar seu momento.
Falando primeiramente dos atletas que entraram para tentarem fazer parte do grupo dos 23 na Rússia…
Danilo, na lateral-direita, foi o que teve a melhor participação dos postulantes. O “fantasma” de Fagner começa a ser eliminado.
Jemerson não foi nada bem na zaga. Dos que disputam vaga com ele, Gil já está descartado e Rodrigo Caio em declínio técnico. Geromel poderia ser chamado.
Thiago Silva foi bem, mas deverá ser o reserva imediato de Marquinhos e Miranda.
Fernandinho foi razoável, mas deverá ser reserva de Casemiro. Sou a favor de repetir a dupla com os desfalcados ingleses dia 14/11 em Wembley. Renato Augusto cumpre melhor a função de chegada, mas a fase do meia do Manchester City demanda mais oportunidades de titular. Entre os 23 sempre esteve!
Já Giuliano, atualmente no Fenerbahçe – complicada negociação de transferência – foi pouco produtivo na vaga do titular Paulinho. Nesta vaga, a pressão por Hernanes é muito grande na suplência ao meia do Barcelona! Claro que Luan do Grêmio será reconvocado na próxima lista de amistosos e, neste função, pode contribuir e muito! Eu levaria os dois e Luan no lugar de um dos chamados “extremas” (Taison e Douglas Costa disputam esta vaga).
Ganharíamos em opções polivalentes e de qualidade técnica ascendente.
E William é a sexta opção como titular, também muito garantido na Copa. Com ele, o sistema muda para 4-3-3. Com Coutinho, volta o 4-1-4-1, um pouco resumidamente.
Dos que entraram no segundo tempo, Cássio não foi bem e não sabe jogar com os pés e não tem um bom tempo de saída da área. Se fosse com ele no primeiro tempo, o Japão teria feito um gol em contra-ataque que Alisson rapidamente saiu do gol e interviu de cabeça. Vanderlei é melhor como terceira opção! Alisson e Ederson estão consumados!
Infelizmente, pelo destino das contusões de Filipe Luis, Alex Sandro vem ganhando, merecidamente, a disputa para a reserva de Marcelo. Já Renato Augusto ainda sofre por jogar na China, mas está bem mais adaptado ao esquema tático que Fernandinho.
Taison foi um pouco melhor que Douglas Costa, nesta disputa na última vaga do ataque brasileiro, mas prefiro dar a opção de levar Hernanes e Luan em seus lugares e de Giuliano, na lista de 23, uma vez que Paulinho, Neymar, Coutinho, Gabriel Jesus e William fecham a conta.
Já Diego Souza não é a melhor alternativa. Firmino deverá ter chance como “9” contra os ingleses e é bom jogador. É esperar!
Mas, diante da minha proposta de plantel e testes, diante de uma eventual contusão ou suspensão de Gabriel Jesus, por que não testar Paulinho de ‘falso nove”?
As possibilidades e variações podem e devem ser trabalhadas, em elenco e propostas de jogo, que nunca, em nossa história – e neste futebol moderno – nunca tivemos!

Consolidar é preciso

A convocação de Tite para os bons amistosos de novembro ante Japão (10/11, Lille-FRA, logística) e Inglaterra (14/11, histórico Wembley, mesmo reformado) teve 25 jogadores chamados, principalmente dois atacantes a mais, de acordo com a dificuldade de escolher suplentes, não consolidados como Neymar, Philippe Coutinho, Gabriel Jesus e William.

Firmino vem bem no Liverpool e sai na frente para a reserva de Gabriel Jesus. Diego Souza volta a concorrer à esta vaga.

Taison retorna após teste improdutivo com o veterano Tardelli e Douglas Costa volta para disputar com Taison por uma vaga, dentre as opções.

O quarteto Casemiro, Renato Augusto, Paulinho e Fernandinho se consolidam.

Giuliano, agora na Turquia, e de confiança de Tite, vai tentar garantir sua posição, aos poucos, na convocação final de maio. Neste caso, Arthur, do Grêmio – convocado apenas uma vez – foi apenas poupado por conta dos compromissos do Grêmio na Libertadores? Ser versátil é condição intrínseca para ambos os atletas em competição.

O mesmo se aplica na disputa entre o experiente Diego – ótima jornada pelo Flamengo nesta semana – e Luan do Grêmio, bem mais versátil.

Os quatro representantes zagueiros estão se mantendo firmes e de forma justa: Marquinhos, Miranda, Thiago Silva e Jemerson. Não há chances para Geromel e Gil (antes com ótima frequência) e Rodrigo Caio, salvo contusões.

Nas laterais, por mérito, Alex Sandro soube aproveitar a oportunidade da contusão de Filipe Luís e de Marcelo para ganhar competividade em relação ao lateral-esquerdo do Atlético de Madrid.

Danilo, polivalente, conseguiu tirar Fagner da cabeça de Tite, mesmo ainda não atuando nos dois últimos jogos.

Marcelo e Daniel Alves mais que consolidados, assim como os goleiros Alisson e Ederson. Cássio está quase lá, mesmo diante do clamor nacional por Vanderlei como terceiro goleiro, ao menos.

Convocação vai ganhando consistência com a proximidade do Mundial, com a fase de testes praticamente concluída.

Restam as dúvidas dos dois atletas do Grêmio poupados da convocatória e as finalizações de opções variadas de ataque.

A próxima convocação será para jogos contra Rússia em março (23, Moscou) e Alemanha (27, lendária Berlim).

E segue o planejamento, acompanhamento e as águas (de maio!) que ainda passarão pela ponte que liga Granja Comary a Sochi.

 

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