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Darcio Ricca

Como jogam as seleções da Copa: Grupo A

O intuito desta série de colunas, num total de 8, é o de apresentar um pouco de informações iniciais a respeito das seleções que participarão da Copa do Mundo de 2010, no que aprofundarei antes do Mundial e diante das convocações finais do mês de maio.

Apresentaremos, nesta primeira coluna, pela lógica sequencial alfabética, as equipes do grupo A que são África do Sul, México, Uruguai e França.

África do Sul

O país-sede do Mundial, atualmente dirigido pelo técnico Carlos Alberto Parreira, que iniciou o trabalho, mas que esteve ausente, por problemas particulares (em que seu substituto e indicado Joel Santana não obteve apoio suficiente para continuar no comando por seus resultados muito oscilantes); chega ao Mundial com a possibilidade real de entrar para história como o primeiro anfitrião de Copa a não se classificar ao menos para a segunda fase.

Num esquema tático baseado no 4-2-3-1, um sistema comumente utilizado por algumas seleções hoje em dia, inclusive a seleção brasileira de Dunga, Parreira tem por time-base:

  • Fernandez (bom goleiro);
  • Gaxa, Mokoena, Booth (único jogador branco e ídolo) e Masilela (compõem uma defesa relativamente organizada);
  • Mhlongo e Dikgacoi (dois volantes razoáveis);
  • Modise, Piennar (o craque do Everton – ING) e Tshabalala (boa habilidade e velocidade);
  • McCarthy (homem de área e ídolo que está acima do peso e que Parreira está tentando recuperar).

No banco de reservas, o lateral Davids, o zagueiro Gould, o meia Parker e o atacante Mphela são opções de destaque.

As chances da África do Sul estão depositadas no pragmatismo de Parreira e no apoio apaixonado da torcida. Esta equipe tem chances de ao menos vencer o México ou o Uruguai e tentar um empate que a possa clasificar na última rodada com a bagunçada França.

México

Dirigida por Javier Aguirre (que assumiu a recuperação mexicana em 2009 no lugar do fraco e caro técnico Sven-Göran Eriksson), a seleção mexicana tem no 4-3-3 seu esquema tático-base.

Uma seleção que oscilou bons e maus momentos nas Eliminatórias da Concacaf aposta em seu bom ataque, mas precisa melhorar sua defesa e a marcação no meio de campo.

  • Ochoa (goleiro razoável);
  • Osório, Rafa Marquez (ídolo e experiente do Barcelona), Magallón e Salcido;
  • Torrado, Israel Castro e Guardado (destaque do La Coruña);
  • Blanco, Sabah e Giovanni dos Santos.

No banco, o zagueiro José Antonio Castro, o volante Efrain Juarez, o meia experiente e pouco utilizado Pavel Pardo e os atacantes Carlos Vera e Nery Castillo são as opções mais interessantes.

Uma equipe de altos e baixos e com ataque insinuante, porém, com um sistema defensivo que ainda não atende as necessidades desta equipe. Deverá disputar com o país-sede e o Uruguai a segunda vaga para as oitavas.

Uruguai

O experiente técnico Oscar Tabares tem uma equipe apenas muito disciplinada em suas mãos, bem ao seu estilo. O sistema de jogo adotado é o defensivo 3-4-1-2 e seu time-base é:

  • Muslera (goleiro apenas razoável);
  • Lugano, Scott e Godin (boa defesa);
  • Maxi Pereira, Egurén, Diego Pérez e Álvaro Pereira (esforçados e duros);
  • Nicolás Lodeiro (meia de ligação com o ataque);
  • Diego Forlán (o craque) e Luis Suaréz (veloz).

No banco, opções como os defensores Victorino e Cáceres, o meia Álvaro Fernandez e o polêmico atacante “El Loco” Abreu são os mais utilizados.

Pela disciplina tática e o futebol pragmático, poderá até se classificar, mas acredito que deverá sucumbir aos africanos e/ou mexicanos.

França

Uma seleção de tradição com bons jogadores, principalmente do meio de campo para frente, tem em seu fraco e presunçoso técnico Raymond Domenech, uma equipe ainda considerada uma incógnita para este Mundial.

Num sistema tático da moda, o 4-2-3-1 (lembrando que o sistema 4-4-2 será o mais utilizado pela maioria das seleções), a França, tem por time-base (ainda em processo de definição de ocupantes), a seguinte equipe:

  • Lloris (ótimo goleiro, podendo ser a revelação da Copa);
  • Sagna, Escude, Gallas e Evra (estranho este lateral ter sido escolhido o melhor da Fifa em 2009);
  • Alou Diarra e Lassaru Diarra (volantes esforçados);
  • Gignac, Gourcuff e Henry (o da mão que eliminou a Irlanda e no site da Fifa nem se menciona isto);
  • Anelka.

No banco, ótimas opções como o lateral Abidal, o ótimo meia Ribery, o bom atacante Benzema e os bons jogadores de meio de campo Toulalan, Govou e Malouda são opções que poderiam ser melhor estudadas por um técnico completamente perdido e cheio de si. Um verdadeiro “professor Pardal”, no que peço licença ao Tostão que é o autor deste apelido carinhoso que se utiliza para explicar técnicos desta natureza.

Suponho que nem treino e diálogo com sua equipe sejam habilidades que devam fazer parte do currículo deste treinador.

Mesmo diante disso tudo, a França deverá passar em primeiro por conta do material humano que possui.

Semana que vem farei a análise do Grupo B. Até lá!

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Grupos da Morte, de Morten, de morte “morrida” e de morte “matada”

Caríssimos simpatizantes ouvintes-leitores do 3 na Copa: foram abertas ontem as apostas no cassino étnico e multicultural da Fifa, no chamado sorteio para a Copa do Mundo de 2010 – que terá nesta edição uma premiação recorde em dinheiro.

Analiso abaixo as chaves sorteadas e as chances das seleções participantes deste próximo Mundial, desde as postulantes a título até as que farão simplesmente turismo.

Antes, uma explicação. “Grupo da morte”, por definição conceitual da prática e previsão futebolística, significa as quatro seleções que o compõem poderiam se classificar se estivessem em um grupo melhor distribuído, dentro do currículo que essas seleções trazem quando se classificam, descontando, é claro, as imprevisibilidades (zebras). A Copa não é um mata-mata como estamos acostumados com campeonatos tradicionais, com os os jogos de volta em uma segunda chance. É, de forma jocosa, um campeonato de morte “morrida” e de morte “matada”.

“Morrida” porque equipes favoritas, num dia digamos meio “nublado” e infeliz, trazem a graça das chamadas zebras – e “matada” quando a obviedade fala mais alto e seleções mais fortes vencem  outras mais fracas, mesmo sobre a pressão daquele momento.

Minhas apostas, claro que baseadas em análises durante estes três anos e meio somadas às tradições de Copas passadas, são as seguintes:

Grupo A: França, apesar de não ter técnico, deve passar em primeiro e Parreira (leia-se África do Sul), o rei dos empates e do pragmatismo, elimina México e Uruguai porque empatará com a França, em casa.

Grupo B: A Argentina, que não tem nem comissão técnica (Maradona, Mancuso e Bilardo), mas tem elenco e tradição, passa em em primeiro e a Grécia, de base eficiente, passa em segundo. A Nigéria é coisa do passado e a Coréia do Sul é ajeitadinha.

Grupo C: Inglaterra em primeiro pela eficiência, pela filosofia “copeira” de Fábio Capello e pelo melhor elenco desde 1970. Estados Unidos, pelo estrategista e também pragmático técnico Bob Bradley, fica em segundo. Argélia é o pior dos africanos e Eslovênia está na Copa pela incompetência da Rússia.

Grupo D: Alemanha, pela base de 2006, passa em primeiro e que pode ir longe também pela tradição. Gana, que é experiente e com bons jogadores  com um conjunto dos que mais jogaram juntos, fica em segundo. Sérvia pode complicar porque é mais jovem, porém, conta com bons jogadores. Austrália é força física e empenho apenas. Um dos grupos mais complicados, empatado com o do Brasil em grau de dificuldade.

Grupo E: Este é o grupo de Morten: Morten Olsen, técnico da Dinamarca, que deve ficar em segundo. A Holanda, como o segundo melhor ataque do mundo e uma defesa razoável, fica em primeiro. Camarões pode dar um pouco de emoção com a habilidade e velocidade de seu ataque. Japão teve queda em seu rendimento padrão.

Grupo F: Eu aposto que o Paraguai ganha da defensiva Itália na estreia do Mundial, permitindo-o ficar em primeiro neste grupo. Itália fica em segundo com tranquilidade porque Eslováquia é previsível e Nova Zelândia é o pior time da Copa.

Grupo H: Espanha, favorita ao título (na frente do Brasil) e dona do futebol mais bonito jogado hoje, em primeiro. Chile, que vai fazer a Espanha suar um pouco na última partida deste grupo, em segundo. Honduras não deverá ser novamente a surpresa aos espanhóis como foi em 1982 (sua única e interessante participação) e a Suíça, de uma defesa digna do “ferrolho”, deve perder de pouquíssimo para os dois favoritos.

Grupo G: Pareceu carta marcada a ida do Brasil para o Grupo G, que terá o menor deslocamento e jogará em cidades que estavam no planejamento de nossa comissão técnica.

Brasil, que é o segundo candidato ao título (mas pode ultrapassar a Espanha pela tradição) fica em primeiro no seu grupo. Ganha apertado da Costa do Marfim, que deve ser a segunda no grupo (e dar sufoco à Espanha na primeira partida de morte ou vida das oitavas). Portugal, que virá desesperado para cima do Brasil no último jogo da chave, perde a partida nos contra-ataques e fica de fora. Coréia do Norte – cujo presidente “democrático” transmite por vídeoteipe somente as boas partidas da equipe ao “seu” povo – será coadjuvante. Ao lado dos grupos da Alemanha e da África do Sul, está entre os mais difícieis da Copa.

Para chegar ao título, além da seriedade e do comprometimento habituais, a seleção brasileira terá que  focar o planejamento, como nas conquistas que confirmaram Dunga e sua ótima comissão técnica no cargo. Porém, como Copa do Mundo tem muitos cartões e contusões e é um torneio muito rápido, Dunga terá que levar opções melhores e mais criativas para o banco de reservas, como Anderson no lugar de Lucas, Ronaldinho Gaúcho no lugar de Julio Baptista (para reserva de Kaká ou até jogar ao seu lado, na armação), Fred no lugar de Adriano, e repensar Pato no de Robinho (para a reserva de Nilmar).

Sugestões, pitacos e receitas todos temos, mas Copa do Mundo sempre surpreende e encanta com suas exposições sociais e políticas que vão além do futebol. Mesmo diante de tantas “mortes” nas partidas que virão, a vida pulsa em várias cores e ritmos.

Amistoso Brasil x Escócia Galesa ou Inglaterra B

Neste sábado, véspera da proclamação da República Federativa do Brasil, nossa Seleção, com 6 desfalques no banco de reservas e 3 desfalques no time titular (apesar de Thiago Silva ter ido muito bem, podendo ser opção para uma possível não ida de Juan ao Mundial), enfretamos a Seleção “B” da Inglaterra com 8 desfalques (Foster, Rooney e quase Wright-Philips como titulares). Foi uma partida em que a seleção inglesa jogou (peleou seria melhor para ilustrar seu jogo) num estilo escocês (pela virilidade) e galês (pelo sistema de jogo) com um molho italiano de Fábio Capelo.

Vencemos por 1 x 0, gol do Nilmar e, apesar do primeiro tempo patético e do segundo tempo um pouquinho mais animado, poderíamos ter feito uns 2 gols a mais por Lúcio (emociantes suas subidas ao ataque) e por Luis Fabiano (ele bateu que pênalti?). Finalmente atacamos uma retranca no segundo tempo, mas precisamos melhorar muito nosso jogo contra equipes muito defensivas.

Este jogo só serviu para provar a titularidade de Nilmar e a queda de Robinho, que deve lutar pela condição de reserva com Tardelli, Carlos Eduardo e Alexandre Pato.

De positivo, Nilmar (um Marechal republicano), Elano, Thiago Silva, Lúcio e um pouco de Kaká. Michel Bastos é inferior a Fábio Aurélio que não foi testado por contusão. Pelas risadas, ver Hulk e a Besta (Júlio Baptista) jogarem juntos por quase 15 minutos foi sensacional! Os outros jogaram para o gasto, talvez cientes de suas futuras convocações. Melhor atenção a Carlos Eduardo, Diego, Alex, Anderson (o estranhamente esquecido), Pato e até Ronaldinho Gaúcho (reserva mais criativo para Kaká).

Gerrard, Lampard (se contundiu viajando de classe econômica ao Qatar), Terry (se contundiu em treino), Ferdinand e Ashley Cole fazem falta ao time inglês, tornando-o, como neste sábado, muito comum e apenas disciplinado. Carrick e Glen Johnson não são tão bons quanto Wes Brown e Milner, seus reservas. Rooney precisa da volta de Owen porque Peter Crouch, Herskey e Bent não são cavaleiros dignos de Her Majesty. Beckham é marketing e Wright-Phillips é um pouco melhor. Goleiros ingleses de ponta não existem. São reservas de estrangeiros de times grandes ou jogam em equipes menores (como Foster e Green).

Este Brasil e Inglaterra poderia ter sido bem legal com todos os titulares presentes da Inglaterra e alguns dos nossos. Mas ficou provado que Dunga precisa de opções menos previsíveis no banco de reservas (temos que rezar para Kaká não se machucar?). O time também precisa treinar, criar e escolher melhores opções de armação de jogadas ofensivas, buscando variações táticas. Só assim poderemos vencer o próximo mundial, em 2010.

Não percam o próximo programa 3 na Copa, ainda esta semana, com os fechamentos das últimas rodadas das eliminatórias pelo mundo. Tem cada surpresa…

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