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Darcio Ricca

Negros ágeis sob as traves de Paris

A seleção brasileira venceu a França, no Stade de France, por 3 x 1 nesta noite em Paris.

O resultado é um pouco enganoso, uma vez que os donos da casa, mesmo sem seu líder técnico Paul Pogba contundido, dominaram na primeira metade do primeiro tempo.

Neste primeiro quarto de jogo, a França (mais entrosada e com elenco formado), poderia ter aberto o placar, no início, por meio de uma cabeçada fulminante do artilheiro Benzema que foi evitada numa grande defesa (a mais difícil do jogo intenso e aberto!) do goleiro brasileiro Jefferson.

O camisa 10, e atacante marroquino, certamente abriria o placar. E debaixo das mesmas traves, do lado do campo em que o espetacular meia Zidane (também camisa 10), havia aberto o caminho do título naquele 12 de julho de 1998 ante o Brasil.

Zidane, um argelino, naquela data inesquecível de consumação da força gaulesa, fez, no final do mesmo primeiro tempo, o segundo gol diante das falhas grotescas defensivas canarinha.

Numa nova falha nesta noite, Varane (quem em breve será um dos melhores zagueiros do mundo!), abriu o placar, em falha de Thiago Silva, uma vez que Miranda marcava Evra no lance.

No lance do quase gol inicial dos azuis, a falha tinha sido de Miranda. Em ambos, Valbuena levou vantagem significativa sobre o lateral Danilo.

Num dos poucos ótimos jogos de Oscar, o Brasil chegou ao empate com ele ainda no primeiro tempo, na base do esforço, alta movimentação e cabeça fria que a equipe brasileira demonstrou. Grande jogada de oportunismo de Roberto Firmino. Não é centroavante, mas tem potencial e jovem. Empatada a peleja.

Confronto equilibrado, foram para o segundo tempo.

O Brasil voltou ligeiramente superior, principalmente com melhoria de Neymar, Luiz Gustavo e William.

Com isso, Oscar manteve a regularidade e o segundo gol, de Neymar (igual ao seu segundo na final da enganosa Copa das Confederações ante a Espanha em 2013), virou o placar. Que visão de jogo da dupla William e Luiz Gustavo.

Luiz Gustavo faria, de cabeça, com categoria, o terceiro gol, num jogo ainda mais aberto, veloz, mas com passes errados e alguns momentos de partida truncada.

Os goleiros ágeis e negros Mandanda e Jefferson brilharam e evitaram placares mais elásticos.

Negros na noite negra da bela e fria cidade-luz! Nota dez como nas dez defesas importantes somadas dos arqueiros.

Um 6 x 5 não teria sido injusto, em favor dos brasileiros, que foram melhores em 3/4 do jogo.

Mas que a sorte de início em favor do Brasil colaborou para a construção do placar que empolga os cativadores de espetáculo e desmemoriados, isso colaborou!

Gostaria de ver, pena que foram apenas 2 minutos, Marcelo como meio-campista, no lugar de Elias.

E Phillippe Coutinho, que merece uma chance e não esta turma do Shakthar Donetsk. Em seus lugares temos Robinho do Palmeiras e Jadson do Corinthians.

Destaques para Jefferson, Oscar, Filipe Luis (em seu lado a França não obteve bons resultados), Luiz Gustavo, William e Neymar (segundo tempo) e Firmino (primeiro tempo).

 

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Clube dos cinco

Numa paródia ao clássico filme Clube dos Cinco (Breakfast Club)*, o 3 na Copa elege os 5 jogadores de futebol que estão ocupando o lugar de outros de melhor qualidade, na lista de convocados por Dunga para amistosos contra França e Chile, dias 26 e 29 de março, em Paris e Londres, respectivamente.

Inclusive, os dois últimos amistosos antes da convocação para a Copa América, em lista não fechada ainda, segundo o treinador.

Mesmo não fechada, a lista demonstra que não há espaços para mudanças de filosofia de trabalho e reconstrução.

Apenas competitividade: a marca do treinador  e dos que querem apenas tentar ganhar uma Copa do Mundo e esquecerem as lições pós 7 a 1, mais significativas para o futebol brasileiro como um todo.

Até Milton Neves, que para defender o retrocesso com a volta dos “mata-matas” no Campeonato Brasileiro ao invés dos “pontos corridos” atuais, discursa que “desde que o Brasileirão virou pontos corridos em 2003 que a seleção brasileira não ganha um Mundial desde 2002, no penta. Volta emoção dos mata-matas!”. Brada, simplista, ao extremo!

Voltando ao meu próprio “Clube dos Cinco”, e pelas tabelas e gráficos de pesos e medidas de Dunga, jogadores como o lateral Fabinho (Monaco-FRA), David Luiz, Douglas Costa (Shakhtar Donetsk-UCR), Roberto Firmino e Robinho (ex-jogador que Dunga gosta pelo prazer de jogar e alegria!), são convocações medianas e mais direcionadas a preferências pessoais do treinador gaúcho que de cunho meritocrático.

De primeira, posso citar 5 atletas com mais condições de fazer parte do elenco que os demais acima: Myke (Cruzeiro-BRA), Naldo (Wolfsburg-ALE), Ganso e a ex-dupla do Cruzeiro Everton Ribeiro e Ricardo Goulart, dispensados desta lista por Dunga por considerá-los fora de forma em suas transferências para o mundo asiático sem expressão. Tardelli, mesmo na China, Dunga alegou que ele vinha sendo titular, por isso o chamou. Estranho? Escolha pessoal pragmática.

Isto sem falar num “Clube dos Cinco II – a não renovação”, que não existiu na vida real, mas que poderia ser possível na seleção brasileira, com jogadores em pequena queda técnica como o próprio Tardelli (e sua escolha financeira de clube na China), Fernandinho (Manchester City-ING), Souza (São Paulo) e até Oscar e Thiago Silva. Por que não?

Por que não Lucas Silva (aprendendo ao lado de Tony Kroos no Real Madrid), Jadson, Fred (Shakthar-UCR) e Robinho (Palmeiras)?

Faltou um? Não faltou, não.

Seria um novo Oscar, como um camisa 5 que seria o responsável pela saída de bola da equipe, o primeiro passe, a ajuda na marcação e qualidade da inversão de jogadas, entre tantas coisas. Recuando-o, como ele mesmo o fez em amistoso contra África do Sul em 2012 e no Mundial 2014 contra a Croácia. Partidas em que se destacou!

Esta nossa mania de “preencher as casinhas” e limitar as funções dos atletas, ignorando seu real potencial produtivo.

Os goleiros Diego Alves, Jefferson e Marcelo Grohe mostram nossa excelência nesta posição no mundo.

Nas laterais com Danilo e Filipe Luis, temos uma ótima marcação na linha de quatro homens.

Marcelo, seria justo se viesse como jogador polivalente no meio de campo.

Criativo, habilidoso e rápido, seria muito útil nesta nova função, numa releitura invertida de Oscar. Como lateral, não é mais viável!

Miranda vive ótima fase ainda e Marquinhos, mesmo improvisado por Blanc no PSG até de lateral, tem muita qualidade defensiva!

Luiz Gustavo é volante clássico, mas de bom passe longo e está em ótimo momento. Assim como seu futuro parceiro na seleção Elias, que voltou a jogar seu melhor e versátil futebol. Prefiro Oscar e Lucas Silva neste esquema tático.

Agora, quanto ao excelente trio Neymar, Willian e Philippe Coutinho, basta um mínimo de acompanhamento do esporte mundial para vislumbramos a possibilidade de evitarmos a “neymardependência”.

E lá vem o lendário craque, técnico e coletivo, Jairzinho, da inesquecível seleção de 1970, e defensor da multiplicidade de responsabilidades e protagonismos em prol do coletivo, como auxiliar de Dunga nestes dois amistosos.

Preste atenção, Dunga!

* Clube dos Cinco (Breakfast Club), de John Hughes, 1985, comemora 30 anos de sua primeira exibição nos cinemas, é uma estória que mostra um dia na vida de cinco adolescentes que, por terem se comportado mal na escola, ficam detidos num sábado de sol, o dia inteiro e tendo que redigir um longo texto, com mais de mil palavras, sobre o que eles pensam sobre si mesmos. Apesar de muito diferentes, eles acabam se conhecendo melhor e dividindo seus dramas pessoais.

 

A eleição deste espaço

Num espaço voltado apenas para a Copa do Mundo, suas eliminatórias e o caminho técnico, administrativo e político da seleção brasileira; a eleição dos melhores de 2014 teriam o enfoque no clássico Mundial, aqui no Brasil.

Por conta disso, a seleção do 3 na Copa ficou assim:

Neuer; Lahm (quando foi posto na lateral em tempo), Hummels, Mascherano (aqui de zagueiro, diante da fragilidade neste setor) e Blind; Schweisteiger, Kroos e James Rodriguez; Robben, Messi e Neymar (levou a responsabilidade da desorganização brasileira literalmente nas costas!).

Melhor da Copa: Tony Kroos, aquele que o Brasil deixou jogar com seu 4-2-4 de “alegria das pernas” pretensioso.

A Alemanha mereceu o título, mas a Argentina mereceu no jogo único e final.

Porque o melhor técnico, de longe, Alejandro Sabella, tirou da Argentina, e sua defesa desacreditada, o quase impossível, apesar do caminho bem fácil no início do certame.

Já o título de “Professor Pardal” ficou o “simpático” treinador holandês Louis Van Gaal. Até troca de goleiro em disputa de pênaltis teve. Deu sorte, inclusive!

Coisa que Felipão e Parreira apenas tinham Dona Lúcia, seus chefes e parte da imprensa torcedora e “babona” a enganar-nos. Jogar prá quem, cara pálida?

Os Estados Unidos de Bob Bradley deram aula tática, mas com limitação técnica.

Gana não deu aula de esportividade.

Gol mais bonito e improvável: Van Persie, de cabeça e voando, ante a Espanha, nos 5 a 1 dos “laranjas” (que estavam de azul) sobre os “vermelhos” (que estava de branco), em Salvador.

Maior decepção: pior que os 7 a 1 foi a coletiva de imprensa pós-derrota de toda a comissão técnica num feriado da Revolução Constitucionalista de 1932. 48 minutos de sofrimento e vergonha!

O pior resultado da história em Copas do Mundo, os 7 a 1, eram para ser uma lição para quem os levou de aprendizado, mas ainda os cadernos e livros estão guardados no armário da arrogância.

E os prêmios da festa da entidade máxima do futebol são tão emocionantes e profundos quanto os sentimentos mostrados ao planeta nas expressões do líder russo Vladimir Putin, ex-KGB, na final do Mundial. “Cara de vilão de 007”, como sempre enfatiza José Simão.

Por fim, este espaço gostaria de esclarecer um pouco sua função por aqui:

Somos conscientes de que o mais importante não é vencer uma Copa do Mundo, acima de todos os problemas, mazelas e má gestão, como pensam, por exemplo, os brasileiros em sua maioria!

Queremos voltar a ter uma seleção brasileira forte que seja o resultado de um resgate de excelência no futebol praticado e pensado por aqui.

E de ser possível que o esporte futebol possa contribuir para a evolução cultural, social, econômica e política deste país.

Porque estamos fazendo tudo exatamente ao contrário por jogos de interesses, ignorância, má preparação e formação, safadeza, mau caratismo, lucro fácil e rápido, gestão de alto risco e passional, irresponsabilidade e mimo.

Porque certa vez o ex-presidente Lula disse, em linhas gerais, que não poderia fechar os clubes por um tempo até acertarem suas dívidas e melhorarem suas administrações.

Ora, bolas! Continuem “passando a mão na cabeça” dos clubes, como pais frouxos que não sabem dizer não na hora certa, perdoando!

Porque como disse o atleta francês Thierry Henry, depois da derrota da seleção brasileira ante a França, em 2006, de Zidane e com gol deste atacante diante da morosidade verde-amarela: É difícil definir os jogadores do Brasil, pois eles já nascem com a bola nos pés. Por outro lado, quando eu era criança, precisava estudar das 7h às 17h. Pedia ao meu pai para jogar bola, e ele dizia que antes vinham os estudos. Já eles (brasileiros) jogam futebol das 8h às 18h”.

 

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