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Dárcio Ricca

Propostas e mudanças

A convocação de Tite para os dois últimos compromissos pelas Eliminatórias Russia 2018 ante Bolívia (5/10 na altitude de La Paz) e Chile (10/10 no estádio do Palmeiras) veio com surpresas em testes, atreladas a propostas de jogo alternativas.

Lembrando que somente neste país até o resultado – mesmo diante da classificação e campeões do grupo – suscita paixões incontroláveis em detrimento à real necessidade de novas experimentações, que são parte integrante do planejamento. Bem parecido com outras áreas tupiniquins!

Além disso, Bolívia já desclassificada, mas com a ausência de oxigênio para nossos atletas selecionados e o Chile, que virá desesperado – dependendo de seu penúltimo resultado em casa – por ao menos um empate que o leve a uma repescagem, num extremo ponto.

Tite, que convocou 24 atletas, se irritou com as perguntas sobre a não convocação do goleiro Vanderlei do Santos, que realmente faz por merecer. O problema está na confiança que Taffarel tem em Alisson, hoje titular da Roma e vindo de uma impecável partida contra o Atlético de Madrid, Ederson muito bem no City de Guardiola (meu, titular diga-se de passagem!) e Cássio, que não foi bem na última rodada e não sabe jogar com os pés, mas é um goleiraço. Pelos critérios, previa Vanderlei no lugar de Cássio.

Nas laterais, um conforto e uma dúvida: Fagner finalmente não foi chamado, porém, Danilo, hoje no City na reserva do ótimo Walker, não creio que possa ser melhor que o também reserva Rafinha do Bayern, já testado e ido bem. Ele é reserva de Kimmich. Daniel Alves e Marcelo, sem restrições. Já Filipe Luis deveria ceder lugar para Alex Sandro, em melhor fase.

Uma ótima notícia na defesa: Jemerson na vaga de Rodrigo Caio, em declínio técnico. Marquinhos e Miranda bem entrosados e Thiago Silva recuperando a confiança: ponto significativo com Tite.

Uma mudança de proposta de jogo reflete-se na possível tentativa de Casemiro e Fernandinho atuarem juntos, na marcação, no passe, na movimentação de uma intermediária a outra e na chegada em gol, uma vez que o bom e versátil Fred do Shakthar vem para incomodar positivamente Renato Augusto e sua escolha por atuar no futebol chinês, fatura que começa a pagar e a justificativa, talvez, pela escolha de 24 atletas desta vez. Fred passaria a ser ótima opção por este setor, assim como o jovem e inteligente Arthur do Grêmio. Gratas surpresas, as melhores ao lado de Jemerson vencendo a disputa com Rodrigo Caio.

Paulinho poderá ser utilizado talvez como um “falso nove” com sua versatilidade em vários setores do campo e mais: poderá formar um quadrado pelo meio – que lembra a Alemanha de 2014 – com a organização de Philippe Coutinho e revezamento pelos lados, ampliando o campo de atuação e triangulando com os laterais.

Podemos somar a isso o meia e atacante William, como um “coringa” ofensivo em apoio a Coutinho e Paulinho. Todos podem se juntar a Neymar e Gabriel Jesus no ataque. Atacar com 5 ou 6 jogadores contra retrancas, sem perder a cobertura e a compactação. Triângulos ofensivos e defensivos.

A volta do experiente meia Diego do Flamengo pode ser interessante para alternativas de jogo mais cadenciado e criativo. Ele ainda tem mais chegada na área que Arthur e bem melhor criação que Paulinho e Fred. Gostei de não ver mais o atual Giuliano sendo chamado, assim como Fagner.

Compreendo a convocação de Firmino, que vai muito bem no Liverpool, mas tem um limite para ver se dá resultado. Preferia ver Luan (por que não foi chamado de novo e testado?) como alternativa na posição, flutuando.

Já quanto a Tardelli, hoje na China, tenho tantas dúvidas quanto Paulinho na época que foi chamado pela primeira vez por Tite. Taison foi muito bem contra a Argentina e iniciou bem a Champions League. Não entendi nada a mudança por Tardelli. Surreal, uma vez que Douglas Costa não vem bem.

Apesar de Tardelli, Firmino, Cássio e Filipe Luis, a melhor convocação até o momento!

E, sobretudo, o leque maior de probabilidades e variáveis com mudança de poucas peças ao longo das partidas: 4-1-4-1, 4-2-3-1, 4-5-1, 4-2-2-2, 3-4-3, 4-2-1-3 e por aí vai, dentro do processo dinâmico, de postura e mental!

 

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37 graus, 1×1 e 0 individualismo e irritação

Primeiro Tempo

Cabe ressaltar, desta vez, tanto o jogo coletivo quanto a cabeça no lugar de Neymar ante a faltosa seleção colombiana na primeira etapa, em jogo bem mediano tecnicamente.

Neymar procurou alta movimentação com Firmino e Paulinho, estes dois últimos se revezando pela esquerda quando Neymar estava entre os colombianos Sanchez e Aguillar.

William ficou mais entre o centro e a direita, tentando jogadas em diagonal, mas bem marcado pouco produziu, assim como Firmino.

Paulinho conseguiu algumas chegadas, mas a armação de jogadas nem é seu forte, apesar de sua força de chegada ao gol, habitual.

Coube a Renato Augusto e Fernandinho tanto a marcação como a saída de bola e o bom passe que desafogasse a marcação bem realizada aos laterais Daniel Alves e Filipe Luís que, como sempre, os adversários de bom nível fazem com a seleção brasileira.

Entretanto, Renato Augusto jogou uma partida pouco produtiva, além de Fernandinho, em más execuções de armação da equipe e distribuição de jogo.

Filipe Luís foi mediano na frente e deixou alguns espaços perigosos a Cuadrado na defesa. Daniel Alves teve algumas falhas, mas, ao menos, buscava auxiliar na construção de jogadas, por vezes pelo meio, dada a ausência criativa de Renato, Paulinho e Fernandinho.

Thiago Silva vinha muito bem, mas quase fez um gol contra em Alisson, que fez ótima defesa. Marquinhos estava bem seguro. Zaga oferecia tranquilidade, além do goleiro Alisson, bem.

Firmino quase abriu o placar em grande defesa de Ospina. Colômbia chutou mais de longe, dada a ótima marcação brasileira.

E algumas grandes jogadas de Neymar para o time. Numa delas, uma pintura para um golaço de William, de primeira, depois de um cachorro ter entrado no final e causado um grande trabalho para sair de campo!

Segundo Tempo

Falcão Garcia empatou em falha coletiva de Renato Augusto, Filipe Luís e Marquinhos, sem chances para Alisson. Neymar quase nunca volta para ajudar na marcação pelo lado esquerdo!

Gabriel Jesus no lugar de Firmino. Firmino não parece ser a melhor opção a Gabriel Jesus. Por que não tentar Pedro Rocha neste setor?

William grande atuação na frente e na marcação.

No segundo tempo, devido aos 37 graus, começaram a faltar pernas e fôlego.

Philippe Coutinho no lugar de Renato Augusto, na alteração tática de Tite.

Os dois titulares entraram bem, mas o jogo ficou um pouco pior nesta segunda etapa. Amarrado e, sobretudo, bom para ambas as partes. Um Brasil campeão no grupo e uma Colômbia mantendo asa chances de ir à Rússia.

O ponto altamente positivo foi o jogo coletivo e a postura de Neymar, bem melhor hoje em relação ao jogo contra o Equador.

Rodrigo Caio somente entrou no lugar de Thiago Silva para dizer que veio e para mostrar que tirou uma “catota” do nariz!

Infelizmente, Tite poderia ter testado Luan no lugar de Renato Augusto, Alex Sandro no de Filipe Luís e Jemerson no de Thiago Silva ou, ao invés de mudança de zaga, Giuliano no lugar de Paulinho.

Estes três, sendo dois chamados de última hora (Jemerson e Alex Sandro) poderiam incomodar os suplentes Rodrigo Caio e Filipe Luís, uma vez que vivem ótimos momentos.

Renato Augusto está no futebol chinês e já começa a sentir o peso desta escolha, ao passo que Fabinho do Mônaco vem muito bem e não é chamado. Tenho ainda dúvidas em relação a Fernandinho. O que dirá de Rafinha, que deveria estar no lugar de Fagner.

Alisson segue de titular, mas Cassio tem que estrear e Ederson merece chance. Vanderlei seria o terceiro goleiro.

Hoje Tite não foi bem, assim como a maioria de seus jogadores, mas devemos colocar na conta também o calor, a situação privilegiada, o comodismo e a ausência de desafios mais significativos, que deverão vir… precisam vir.

 

Variações, não necessariamente táticas

Depois de um jogo bem morno no primeiro tempo que justificou o placar em 0x0 diante do Equador fechadinho e de rápido contragolpe, um segundo tempo com variações de posições e opções de jogadores, não necessariamente táticas.

Com placar de 2×0 construído no segundo tempo, a seleção brasileira, que fazia mais um jogo treino e amistoso que competição em função da segurança da classificação já garantida, teve, na mudança de Renato Augusto por Philippe Coutinho, a justificativa de evolução para o patamar de jogo e foi bem interessante.

Não mudou taticamente, mas de variação de condução de bola e passes agudos que ampliam o jogo em possibilidades de jogadas e ataque com maior número de jogadores.

O 4-1-4-1 de Tite, de variação em 4-3-3 e 4-2-3-1 sempre será evidenciado no jogo da seleção brasileira. O que mudam são as peças na execução deste jogo, sobre a qual a mudança de Renato Augusto por Philippe Coutinho é nítida prova da postura mais ofensiva.

Neymar quis ser estrela em noite que Tite não gostou da seleção brasileira no tempo geral.

Neymar, mimado, tomou cartão amarelo, não suportando, com maturidade, a pressão e as faltas equatorianas.

Apesar do amarelo de Gabriel Jesus, este sim mostrou personalidade, talento, força e jogo coletivo impecáveis. Aliás, um dos dos destaques ao lado de Casemiro, Marquinhos e Miranda (saiu por ficar desacordado em lance com Alisson) e, depois Coutinho.

O Brasil foi eficiente em não conceder contragolpes ao Equador, mas as questões do relaxamento na primeira etapa pela situação favorável, irritações de Neymar paparicado (trabalho para Tite!) e início de temporada dos jogadores que atuam na Europa, foram pontos importantes a serem destacados.

William melhora quando se movimenta mais, o que ocorre pouco, sendo mais fixo. Precisa se atentar mais a isso.

Me incomodou muito ver o grande titular Philippe Coutinho entrar no jogo mesmo em litígio com Liverpool e uma tal “dor nas costas, migué de negociação”! Apesar disso, que dinâmica deu à equipe com sua entrada!

Paulinho sempre preciso quando necessário, mas deve e faz-se viável melhorar seu futebol agora no Barcelona, fora da China: sina de Renato.

Hoje os laterais foram bem abaixo das expectativas. Alisson nem foi exigido.

Tite precisa corrigir o comportamento individualista de Neymar para que seu talento seja a serviço do time.

E continuar a motivação e o trabalho mental de sua equipe, com apoio de sua comissão técnica.

 

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