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E agora Emily?

E agora, Emily?

O bom jogo chegou

A imprensa errou

A Formiga mereceu

A tática chegou

A comissão se profissionalizou

O time evoluiu

Como nunca se viu

E agora, Emily?

Patrocinador fugiu

Dinheiro faltou

Dirigente não geriu

Presidente não viajou

CPI não vingou

E agora, Emily?

Competência surgiu

Narrador errou

Comentarista bobeou

Defeito surgiu

Leitura de jogo corrigiu

Trabalho vingou

Competência emergiu

E agora, Emily?

Copa Algarve miou

Amistoso da FIFA restou

A seleção melhorou

A sub (base) ruiu

Atleta descontratou

Emprego foi pra …

E agora, Emily?

Elogio ao presidente exagerou

Mais ainda, envergonhou

O ótimo trabalho que emocionou

O título que veio

O Amor que veio

O futebol que veio

A torcida que pouco veio

E agora Emily?

A vida continua

A entidade está nua

Merecem a rua

O jornal pobre

Mas você não morre

Que o sonho se renove

Você é dura Emily

Sua equipe é briosa Emily

Não precisa elogiar o chefe

Mas precisa fazer uma prece

Para seguir em frente

Você marcha Emily

Emily, você e sua equipe sabem para onde …

 

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Sem miséria, por favor

Infelizmente, a abertura desta coluna vai tratar de uma das coisas mais absurdas já realizadas pela CBF: o cancelamento e negação da participação da seleção feminina principal na importante Copa Algarve, em Portugal, no mês de março.

O motivo, se é que se pode assim denominá-lo é falta de dinheiro, custas de viagem caras!

Porque amistosos em datas FIFA não têm o mesmo grau de competitividade e de testes que um torneio como este possui, que reunirá 12 boas seleções como Japão, Noruega, Canadá, Portugal, entre outras.

Do que adianta montar uma comissão técnica altamente competente? Para somente disputar amistosos e ficar um longo período sem se reunir? Falta de planejamento e de cuidado vergonhosos!

E Marco Aurélio Cunha? Até quando prosseguirá na mesma função pelo São Paulo e pela seleção feminina de futebol?

Optei por este título para acentuar minha indignação quanto às equivocadas diretrizes da CBF.

Indo para o jogo, e diante das poucas opções de torneios significativos, Emily resolveu dar chances a algumas jogadoras desde o início, poupando titulares.

Mesmo de extrema valia, é apenas importante ressaltar o desempenho destas atletas que iniciaram a partida ante a forte defesa italiana, treinada há quatro anos por um ex-jogador e lateral-esquerdo que estava na Tragédia do Sarriá: Cabrini.

Chu no lugar de Debinha: pouca movimentação e muitas e insistentes instruções de Emily que a atleta não correspondeu, sobretudo para a luta pela roubada de bola. Tem que amadurecer. Debinha retornou e a dinâmica ofensiva, ausente em quase todo o primeiro tempo, renasceu.

A jovem Gabi Nunes no lugar de Gabi: muito esforço da jogadora do Audax/Corinthians, porém, ansiedade e insistência em algumas jogadas individuais fora de hora. Gabi voltou no finalzinho, oferecendo opções e variações à Debinha e Beatriz.

Franciele no lugar de Thaisa: a diferença mais gritante. Na linha do 4-1-4-1, Fran ficou confusa e com muitos problemas de posicionamento e recomposição. Thaisa, assim como as demais titulares, entrou nos segundo tempo trazendo equilíbrio entre as linhas e triangulações defensivas de recomposição impecáveis. Com sua ausência, o esforço de Formiga rendeu-a um incômodo físico e teve que ser substituída por Milene. Esta, sim, promissora.

Camila no lugar de Tamires: uma avenida no setor esquerdo do Brasil, bem explorado pelas italianas, num setor do campo em que seu treinador conhece muito bem. As melhores oportunidades em contragolpes, inclusive o lance do pênalti de Bruna, tiveram origem por este lugar. Tamires é taticamente muito inteligente, assim como Thaisa, Rafaele e Andressinha.

Mônica no lugar de Rafaele: mais experiente, não comprometeu, apesar do passe e saída de bola de Rafaele serem muito superiores.

Pela primeira vez o time de Emily não teve saída de bola com qualidade contra uma marcação bem executada sob pressão pelas italianas. Com Franciele e Gabi Nunes não colaborando na recomposição, o meio de campo da Itália dominou a maior parte das ações do primeiro tempo. E a bola pouco permanecia no setor ofensivo brasileiro.

Já Andressinha, que apanhou e foi muito provocada, ao lado da potência e habilidade de Beatriz, abriram o placar para o Brasil.

O empate italiano no primeiro tempo foi justo.

Com as mudanças pelas jogadoras titulares, a seleção brasileira retomou o controle do jogo a partir dos 15 minutos do segundo tempo, convertendo, de forma eficaz e letal (sua marca), mais dois gols (3 x 1). Foi necessário um terço de jogo para demonstrar a nossa superioridade.

Uma diferença que deve-se levar em conta, apesar dos testes necessários e a harmonia com a preparação física de Jairo Porto, poupando algumas atletas. A capacitação física tem também impressionando na equipe que não dá nenhum chutão e que gosta de ficar com a bola, mesmo contra uma seleção que a estudou muito bem nesta noite!

E pensar que ainda teremos os retornos de Érika (a maestrina Formiga vai parar por questão de idade), Andressa Alves, Cristiane, Rosana e Marta. Muitas delas por problema de liberação.

E, para encerrar, estas mulheres dão sim … muita alegria e orgulho.

O que não dá mais para aguentar é o machismo, em todos os aspectos e níveis, como no abominável título da matéria do Jornal de Manaus que, por pressão de muita gente (encabeçados por Lu Castro), teve que se retratar.

Um dia, sem miséria, em qualquer setor, mudaremos e prepararemos melhor este país!

 

Cresce a experiência

Uma seleção feminina adversária um pouco melhor qualificada que a Costa Rica. A Rússia estudou as jogadas brasileiras de movimentação na grande área e as aproximações pelas pontas. Fez boa marcação até a metade do primeiro tempo!

E apostou na bola longa e em velocidade, sua marca registrada, para superar o Brasil.

Quando estava 1 x 0 para a seleção brasileira, e dominando a partida, uma destas bolas longas surpreendeu a zagueira e capitã Bruna, com saída precisa em corte da ótima goleira Bárbara. E apenas esta jogada de maior perigo!

Debaixo das traves já é uma das melhores do mundo, numa equipe que não dá nenhum chutão e possui domínio de passe, aproximação e adiantamento de linhas em harmonia defensiva e ofensivamente, é fundamental que a goleira seja a última atleta da defesa na troca de passes rápidos e seguros.

Bárbara está evoluindo muito neste aspecto. A continuar assim, se tornará um divisor de águas.

Para alcançar um jogo coletivo de muita compactação, movimentações e troca de passes com velocidade e distribuição de jogo intensas e insinuantes, necessita-se de um ótimo preparo físico, como já pudemos começar a observar no bem direcionado trabalho do preparador físico Jairo Porto.

Além do jogo, o local da partida e o tempo de recuperação entre os jogos, na nada fácil cidade de Manaus, foi perceptível. E mantendo um ritmo de futebol tático evoluído, aliás, único na história da sempre individual seleção feminina de futebol, dependente de talentos e correria.

O que não ocorre nas categorias de base femininas. Tal situação que não se repete no trabalho de Rogério Micale.

Emily Lima realiza uma interessante combinação entre teoria e prática nos treinamentos atualizados ao lado de sua comissão técnica e orienta, à beira do gramado, com muita clareza, confiança e conhecedora do jogo e de suas atletas, em suas virtudes e pontos de melhoria.

Adoro quando ela diz sempre “bola no pé”. Porque isto é futebol, isto sempre foi o futebol que nós nos esquecemos.

Hoje nenhum gol de bola parada de cabeça em conclusão, mas com jogadas bem ensaiadas num 4-1-4-1 bem dinâmico e com variações com o já habitual perde-ganha de resposta automática coletiva nas ações ofensivas de contragolpe e precisões nos gols.

Marcação por pressão de linhas adiantadas e roubada de bola de Debinha para a grande jogada de talento de Beatriz.

Andressinha em grande movimentação e passe para cruzamento de Gabi em gol de peixinho de Debinha.

Denilson, uma caricatura de comentarista, até este momento, dizia que Andressinha e Debinha não estavam jogando bem. À medida do decorrer da peleja, disse que vinha cobrando das duas e por isso suas evoluções.

Surrealismo de transmissão!

Num segundo tempo mais intenso em 4-3-3 bem ofensivo, a pressão, por meio do diferencial físico, com movimentação e passe de quebra de linhas da Rússia por Andressinha, em nova eficiência da ponta-de-lança Gabi no gol de esperteza de Beatriz.

Além de um bom repertório de jogadas e boas mudanças com Gabi Nunes, que jogou com Emily Lima pelo São José-SP, Debinha fechou o placar, sem diminuição do volume de jogo depois.

Triangulações e mais um grande jogo. Lateral Fabiana começou a entender o momento certo em se arriscar mais ao ataque. Tamires manteve o bom jogo alternado da partida anterior.

Cresce experiência.

Mas também poderia ser: cresce a expectativa, cresce o carinho e cresce a esperança!

 

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