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Grupos da Morte, de Morten, de morte “morrida” e de morte “matada”

Caríssimos simpatizantes ouvintes-leitores do 3 na Copa: foram abertas ontem as apostas no cassino étnico e multicultural da Fifa, no chamado sorteio para a Copa do Mundo de 2010 – que terá nesta edição uma premiação recorde em dinheiro.

Analiso abaixo as chaves sorteadas e as chances das seleções participantes deste próximo Mundial, desde as postulantes a título até as que farão simplesmente turismo.

Antes, uma explicação. “Grupo da morte”, por definição conceitual da prática e previsão futebolística, significa as quatro seleções que o compõem poderiam se classificar se estivessem em um grupo melhor distribuído, dentro do currículo que essas seleções trazem quando se classificam, descontando, é claro, as imprevisibilidades (zebras). A Copa não é um mata-mata como estamos acostumados com campeonatos tradicionais, com os os jogos de volta em uma segunda chance. É, de forma jocosa, um campeonato de morte “morrida” e de morte “matada”.

“Morrida” porque equipes favoritas, num dia digamos meio “nublado” e infeliz, trazem a graça das chamadas zebras – e “matada” quando a obviedade fala mais alto e seleções mais fortes vencem  outras mais fracas, mesmo sobre a pressão daquele momento.

Minhas apostas, claro que baseadas em análises durante estes três anos e meio somadas às tradições de Copas passadas, são as seguintes:

Grupo A: França, apesar de não ter técnico, deve passar em primeiro e Parreira (leia-se África do Sul), o rei dos empates e do pragmatismo, elimina México e Uruguai porque empatará com a França, em casa.

Grupo B: A Argentina, que não tem nem comissão técnica (Maradona, Mancuso e Bilardo), mas tem elenco e tradição, passa em em primeiro e a Grécia, de base eficiente, passa em segundo. A Nigéria é coisa do passado e a Coréia do Sul é ajeitadinha.

Grupo C: Inglaterra em primeiro pela eficiência, pela filosofia “copeira” de Fábio Capello e pelo melhor elenco desde 1970. Estados Unidos, pelo estrategista e também pragmático técnico Bob Bradley, fica em segundo. Argélia é o pior dos africanos e Eslovênia está na Copa pela incompetência da Rússia.

Grupo D: Alemanha, pela base de 2006, passa em primeiro e que pode ir longe também pela tradição. Gana, que é experiente e com bons jogadores  com um conjunto dos que mais jogaram juntos, fica em segundo. Sérvia pode complicar porque é mais jovem, porém, conta com bons jogadores. Austrália é força física e empenho apenas. Um dos grupos mais complicados, empatado com o do Brasil em grau de dificuldade.

Grupo E: Este é o grupo de Morten: Morten Olsen, técnico da Dinamarca, que deve ficar em segundo. A Holanda, como o segundo melhor ataque do mundo e uma defesa razoável, fica em primeiro. Camarões pode dar um pouco de emoção com a habilidade e velocidade de seu ataque. Japão teve queda em seu rendimento padrão.

Grupo F: Eu aposto que o Paraguai ganha da defensiva Itália na estreia do Mundial, permitindo-o ficar em primeiro neste grupo. Itália fica em segundo com tranquilidade porque Eslováquia é previsível e Nova Zelândia é o pior time da Copa.

Grupo H: Espanha, favorita ao título (na frente do Brasil) e dona do futebol mais bonito jogado hoje, em primeiro. Chile, que vai fazer a Espanha suar um pouco na última partida deste grupo, em segundo. Honduras não deverá ser novamente a surpresa aos espanhóis como foi em 1982 (sua única e interessante participação) e a Suíça, de uma defesa digna do “ferrolho”, deve perder de pouquíssimo para os dois favoritos.

Grupo G: Pareceu carta marcada a ida do Brasil para o Grupo G, que terá o menor deslocamento e jogará em cidades que estavam no planejamento de nossa comissão técnica.

Brasil, que é o segundo candidato ao título (mas pode ultrapassar a Espanha pela tradição) fica em primeiro no seu grupo. Ganha apertado da Costa do Marfim, que deve ser a segunda no grupo (e dar sufoco à Espanha na primeira partida de morte ou vida das oitavas). Portugal, que virá desesperado para cima do Brasil no último jogo da chave, perde a partida nos contra-ataques e fica de fora. Coréia do Norte – cujo presidente “democrático” transmite por vídeoteipe somente as boas partidas da equipe ao “seu” povo – será coadjuvante. Ao lado dos grupos da Alemanha e da África do Sul, está entre os mais difícieis da Copa.

Para chegar ao título, além da seriedade e do comprometimento habituais, a seleção brasileira terá que  focar o planejamento, como nas conquistas que confirmaram Dunga e sua ótima comissão técnica no cargo. Porém, como Copa do Mundo tem muitos cartões e contusões e é um torneio muito rápido, Dunga terá que levar opções melhores e mais criativas para o banco de reservas, como Anderson no lugar de Lucas, Ronaldinho Gaúcho no lugar de Julio Baptista (para reserva de Kaká ou até jogar ao seu lado, na armação), Fred no lugar de Adriano, e repensar Pato no de Robinho (para a reserva de Nilmar).

Sugestões, pitacos e receitas todos temos, mas Copa do Mundo sempre surpreende e encanta com suas exposições sociais e políticas que vão além do futebol. Mesmo diante de tantas “mortes” nas partidas que virão, a vida pulsa em várias cores e ritmos.

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Amistoso Brasil x Escócia Galesa ou Inglaterra B

Neste sábado, véspera da proclamação da República Federativa do Brasil, nossa Seleção, com 6 desfalques no banco de reservas e 3 desfalques no time titular (apesar de Thiago Silva ter ido muito bem, podendo ser opção para uma possível não ida de Juan ao Mundial), enfretamos a Seleção “B” da Inglaterra com 8 desfalques (Foster, Rooney e quase Wright-Philips como titulares). Foi uma partida em que a seleção inglesa jogou (peleou seria melhor para ilustrar seu jogo) num estilo escocês (pela virilidade) e galês (pelo sistema de jogo) com um molho italiano de Fábio Capelo.

Vencemos por 1 x 0, gol do Nilmar e, apesar do primeiro tempo patético e do segundo tempo um pouquinho mais animado, poderíamos ter feito uns 2 gols a mais por Lúcio (emociantes suas subidas ao ataque) e por Luis Fabiano (ele bateu que pênalti?). Finalmente atacamos uma retranca no segundo tempo, mas precisamos melhorar muito nosso jogo contra equipes muito defensivas.

Este jogo só serviu para provar a titularidade de Nilmar e a queda de Robinho, que deve lutar pela condição de reserva com Tardelli, Carlos Eduardo e Alexandre Pato.

De positivo, Nilmar (um Marechal republicano), Elano, Thiago Silva, Lúcio e um pouco de Kaká. Michel Bastos é inferior a Fábio Aurélio que não foi testado por contusão. Pelas risadas, ver Hulk e a Besta (Júlio Baptista) jogarem juntos por quase 15 minutos foi sensacional! Os outros jogaram para o gasto, talvez cientes de suas futuras convocações. Melhor atenção a Carlos Eduardo, Diego, Alex, Anderson (o estranhamente esquecido), Pato e até Ronaldinho Gaúcho (reserva mais criativo para Kaká).

Gerrard, Lampard (se contundiu viajando de classe econômica ao Qatar), Terry (se contundiu em treino), Ferdinand e Ashley Cole fazem falta ao time inglês, tornando-o, como neste sábado, muito comum e apenas disciplinado. Carrick e Glen Johnson não são tão bons quanto Wes Brown e Milner, seus reservas. Rooney precisa da volta de Owen porque Peter Crouch, Herskey e Bent não são cavaleiros dignos de Her Majesty. Beckham é marketing e Wright-Phillips é um pouco melhor. Goleiros ingleses de ponta não existem. São reservas de estrangeiros de times grandes ou jogam em equipes menores (como Foster e Green).

Este Brasil e Inglaterra poderia ter sido bem legal com todos os titulares presentes da Inglaterra e alguns dos nossos. Mas ficou provado que Dunga precisa de opções menos previsíveis no banco de reservas (temos que rezar para Kaká não se machucar?). O time também precisa treinar, criar e escolher melhores opções de armação de jogadas ofensivas, buscando variações táticas. Só assim poderemos vencer o próximo mundial, em 2010.

Não percam o próximo programa 3 na Copa, ainda esta semana, com os fechamentos das últimas rodadas das eliminatórias pelo mundo. Tem cada surpresa…

Convocação com restrições e dúvidas

Dunga convocou, para os amistosos de 14/11 contra a Inglaterra em Doha e dia 17/11 contra Omã em Mascate, 24 jogadores, com a restrição de não levar jogadores de sua preferência que atuam no Brasil, para não atrapalhar seus clubes na fase final do Brasileirão. Os jogadores nesta situação são Adriano, Miranda, Victor e Diego Tardelli. Diego Souza também ficou de fora, mas acredito que ele tenha sido descartado pelo treinador.

A maioria dos nomes não me causou nenhuma surpresa: Júlio Cesar, Maicon, Daniel Alves, Lúcio, Juan, Luisão, Naldo (pela ausência do Miranda), Gilberto Silva, Josué, Felipe Melo, Elano, Ramires, Julio Baptista e Alex (que devem disputar a reserva de Kaká), Kaká, Luis Fabiano, Nilmar e Robinho (pela confiança). Fiquei um pouco surpreso com a chamada de Lucas, pois achei que ele havia sido reprovado.

Fiquei feliz pela oportunidade dada a Fábio Aurélio, que sempre comentei no 3 na Copa, mas curioso pela chamada do Michel Bastos. Ao contrário da maioria, acredito que estes dois laterais esquerdos disputam com Felipe Luis a reserva de André Santos, que deverá estar entre os 23 do Mundial. Torço pelo Fábio Aurélio, inclusive como titular.

Também fiquei curioso com a convocação do Carlos Eduardo que, na minha opinião, jogava melhor que o Diego Souza, quando ambos eram do Grêmio. Acredito que Dunga esteja pensando agora na eventualidade da queda do Robinho, abrindo a disputa de duas vagas entre Carlos Eduardo, Nilmar e Tardelli.

E a graça, ou melhor, a vedete da convocação, pela ausência do Adriano: Givanildo, do incrível Hulk, que jogou no futebol japonês dos 19 aos 22 anos e que hoje é a sensação do Porto. Calma, ele não deve ir à Copa, mas também não é nenhum Alfonso. Será interessante de ver.

Em março, Dunga fará uma convocação mais próxima da final, que será no início de maio para a Copa de 2010.

O que Dunga espera, pretende e tentará aprimorar em seus comandados e quase totalmente escolhidos? Um goleiro de segurança; um sistema defensivo bem posicionado e experiente; uma saída de bola rápida; um meio de campo que possa distribuir jogadas com dinamismo e em velocidade; um aprimoramento de chutes de meia e de longa distância, com laterais que apóiem e que possuam cobertura, um ataque que coordene trocas constantes de posição com compactação de espaço em harmonia com o meio de campo. Jogadores polivalentes (tanto no chamado time titular, como principalmente no time reserva), disciplina, muita vontade, comprometimento, foco e, sobretudo, total entrega ao grupo.

É evidente que a seleção, em seu período de treinamento, mesmo com o grupo quase fechado para novas oportunidades de testes, deverá tentar corrigir seus erros de posicionamento, melhorar sua estratégia de jogo, criar variações de ataque, melhorar passes, otimizar o preparo físico do elenco, preparar-se para situações adversas em campo e permitir espaços para o improviso e a criatividade. Porém, como sabemos, falta criatividade ofensiva contra equipes muito fechadas. A seleção precisa e pode crescer com a compreensão de seus pontos fracos.

O infográfico abaixo mostra o esquema tático e a escalação que está sendo adotada pelo Dunga, e a minha sugestão de como o time deveria ser montado. O que você acha? Mande sugestões de como a Seleção deveria ser escalada!

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