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Enquanto isso, na de 48

Enquanto as Eliminatórias para a Copa do Mundo Rússia 2018 acontecem, a FIFA aumenta de 32 para 48 seleções para o Mundial de 2026, ou seja, aproximadamente 20 % dos países filiados.

Enquanto tivemos que esperar que os inchaços políticos de seleções desde a era Havelange – que beijava mãos de ditadores em troca de votos e fez seu sucessor por décadas e agora punido – pudessem se reorganizar mais de 20 anos depois na qualidade das disputas; na de 48 teremos um maior número de jogos no mesmo período, comprometendo a qualidade do torneio.

Enquanto estávamos esquecendo as fórmulas mágicas de segunda-fase e regulamentos surreais como os das Copa de 54 (a mais bizarra), 74, 78 e 82; na de 48 teremos um mata-mata entre os dois melhores da chave, numa nova partida para saber quem passará às oitavas.

Enquanto a distribuição geográfica por vagas ainda sofre em aprimorar a seleção das melhores, na de 48 privilegia-se a periferia, a politicagem, o dinheiro e as futuras eleições do apenas sorridente presidente como diferencial estético.

Enquanto 4 seleções jogam entre si 3 partidas cada em 8 grupos, na de 48 serão 3 seleções em 2 jogos cada em 16 grupos.

Enquanto na primeira-fase são 48 jogos em 15 dias, na de 48 serão 60 jogos, sendo 16 repetidos.

Enquanto na primeira-fase atual os empates são considerados resultados, na de 48 a primeira-fase exaustiva estuda-se a possibilidade estranha de disputas de pênaltis para as igualdades ainda na fase classificatória inicial.

Enquanto hoje a Europa tem 13 vagas mais a Rússia como país-sede (9 primeiros colocados de grupos e 8 melhores segundos-colocados em duplas de mata-mata para definirem os demais 4), na de 48 serão apenas mais 3 vagas diante de um forte continente no cenário mundial futebolístico. 16 vagas.

Apostas 2018 da Europa: França, Portugal, Alemanha, Sérvia, Polônia, Inglaterra, Espanha, Bélgica e Croácia. As 8 para sorteio de mata-matas ficam em Suécia, Hungria, País de Gales, Montenegro, Eslovênia, Itália, Bósnia e Islândia.

Enquanto na África temos 5 vagas suadas, na de 48 aumentarão para 9 vagas e uma repescagem.

Apostas 2018 para África: Tunísia, Nigéria, Gabão (desbancando Costa do Marfim e Marrocos), Burkina Faso (finalmente após 3 ciclos) e Egito.

Enquanto na Ásia são 4 vagas e meia (repescagem) em que Austrália disputa nesta fora de sua Oceania, na de 48 dobraram para 8 vagas e meia (repescagem)!

Apostas 2018 para Ásia: Irã, Coréia do Sul, Japão e Arábia Saudita. Austrália ou Uzbequistão na repescagem.

Enquanto na nossa destruída Conmebol de muitos presidentes presos (nossa exceção que escapa) são 4 vagas e meia, na de 48 mais força em 6 vagas e meia.

Apostas 2018 para América do Sul: Brasil, Uruguai, Argentina e mais uma com Chile ou Colômbia. O perdedor deste duelo de pontos, na repescagem.

Enquanto na Concacaf repleta de países são 3 vagas e meia, na de 48 o dobro em 6 vagas e meia.

Apostas 2018 para a Concacaf: Costa Rica, México e Panamá (finalmente). Honduras vai para repescagem com a asiática. Estados Unidos de fora!

Enquanto todo continente americano é dividido para as eliminatórias, na de 48 pensam em ser tornarem um único continente em longas e cansativas disputas de mais de 3 anos.

Enquanto na Oceania sem Austrália gera uma vaga de campeão de seu continente para disputar repescagem contra um sulamericano, na de 48 terá vaga direta! Austrália voltará para casa?

Aposta 2018 da Oceania: Nova Zelândia, mas que pode ter a hegemonia quebrada pelo Taití.

Enquanto convivemos com o desgaste do tempo no torneio mais importante do esporte mundial ao lado dos Jogos Olímpicos, na de 48 as invenciones dão as mãos ao improviso num esperado resultado de perda de credibilidade e competitividade. Tudo lamentável!

 

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E agora Emily?

E agora, Emily?

O bom jogo chegou

A imprensa errou

A Formiga mereceu

A tática chegou

A comissão se profissionalizou

O time evoluiu

Como nunca se viu

E agora, Emily?

Patrocinador fugiu

Dinheiro faltou

Dirigente não geriu

Presidente não viajou

CPI não vingou

E agora, Emily?

Competência surgiu

Narrador errou

Comentarista bobeou

Defeito surgiu

Leitura de jogo corrigiu

Trabalho vingou

Competência emergiu

E agora, Emily?

Copa Algarve miou

Amistoso da FIFA restou

A seleção melhorou

A sub (base) ruiu

Atleta descontratou

Emprego foi pra …

E agora, Emily?

Elogio ao presidente exagerou

Mais ainda, envergonhou

O ótimo trabalho que emocionou

O título que veio

O Amor que veio

O futebol que veio

A torcida que pouco veio

E agora Emily?

A vida continua

A entidade está nua

Merecem a rua

O jornal pobre

Mas você não morre

Que o sonho se renove

Você é dura Emily

Sua equipe é briosa Emily

Não precisa elogiar o chefe

Mas precisa fazer uma prece

Para seguir em frente

Você marcha Emily

Emily, você e sua equipe sabem para onde …

 

Sem miséria, por favor

Infelizmente, a abertura desta coluna vai tratar de uma das coisas mais absurdas já realizadas pela CBF: o cancelamento e negação da participação da seleção feminina principal na importante Copa Algarve, em Portugal, no mês de março.

O motivo, se é que se pode assim denominá-lo é falta de dinheiro, custas de viagem caras!

Porque amistosos em datas FIFA não têm o mesmo grau de competitividade e de testes que um torneio como este possui, que reunirá 12 boas seleções como Japão, Noruega, Canadá, Portugal, entre outras.

Do que adianta montar uma comissão técnica altamente competente? Para somente disputar amistosos e ficar um longo período sem se reunir? Falta de planejamento e de cuidado vergonhosos!

E Marco Aurélio Cunha? Até quando prosseguirá na mesma função pelo São Paulo e pela seleção feminina de futebol?

Optei por este título para acentuar minha indignação quanto às equivocadas diretrizes da CBF.

Indo para o jogo, e diante das poucas opções de torneios significativos, Emily resolveu dar chances a algumas jogadoras desde o início, poupando titulares.

Mesmo de extrema valia, é apenas importante ressaltar o desempenho destas atletas que iniciaram a partida ante a forte defesa italiana, treinada há quatro anos por um ex-jogador e lateral-esquerdo que estava na Tragédia do Sarriá: Cabrini.

Chu no lugar de Debinha: pouca movimentação e muitas e insistentes instruções de Emily que a atleta não correspondeu, sobretudo para a luta pela roubada de bola. Tem que amadurecer. Debinha retornou e a dinâmica ofensiva, ausente em quase todo o primeiro tempo, renasceu.

A jovem Gabi Nunes no lugar de Gabi: muito esforço da jogadora do Audax/Corinthians, porém, ansiedade e insistência em algumas jogadas individuais fora de hora. Gabi voltou no finalzinho, oferecendo opções e variações à Debinha e Beatriz.

Franciele no lugar de Thaisa: a diferença mais gritante. Na linha do 4-1-4-1, Fran ficou confusa e com muitos problemas de posicionamento e recomposição. Thaisa, assim como as demais titulares, entrou nos segundo tempo trazendo equilíbrio entre as linhas e triangulações defensivas de recomposição impecáveis. Com sua ausência, o esforço de Formiga rendeu-a um incômodo físico e teve que ser substituída por Milene. Esta, sim, promissora.

Camila no lugar de Tamires: uma avenida no setor esquerdo do Brasil, bem explorado pelas italianas, num setor do campo em que seu treinador conhece muito bem. As melhores oportunidades em contragolpes, inclusive o lance do pênalti de Bruna, tiveram origem por este lugar. Tamires é taticamente muito inteligente, assim como Thaisa, Rafaele e Andressinha.

Mônica no lugar de Rafaele: mais experiente, não comprometeu, apesar do passe e saída de bola de Rafaele serem muito superiores.

Pela primeira vez o time de Emily não teve saída de bola com qualidade contra uma marcação bem executada sob pressão pelas italianas. Com Franciele e Gabi Nunes não colaborando na recomposição, o meio de campo da Itália dominou a maior parte das ações do primeiro tempo. E a bola pouco permanecia no setor ofensivo brasileiro.

Já Andressinha, que apanhou e foi muito provocada, ao lado da potência e habilidade de Beatriz, abriram o placar para o Brasil.

O empate italiano no primeiro tempo foi justo.

Com as mudanças pelas jogadoras titulares, a seleção brasileira retomou o controle do jogo a partir dos 15 minutos do segundo tempo, convertendo, de forma eficaz e letal (sua marca), mais dois gols (3 x 1). Foi necessário um terço de jogo para demonstrar a nossa superioridade.

Uma diferença que deve-se levar em conta, apesar dos testes necessários e a harmonia com a preparação física de Jairo Porto, poupando algumas atletas. A capacitação física tem também impressionando na equipe que não dá nenhum chutão e que gosta de ficar com a bola, mesmo contra uma seleção que a estudou muito bem nesta noite!

E pensar que ainda teremos os retornos de Érika (a maestrina Formiga vai parar por questão de idade), Andressa Alves, Cristiane, Rosana e Marta. Muitas delas por problema de liberação.

E, para encerrar, estas mulheres dão sim … muita alegria e orgulho.

O que não dá mais para aguentar é o machismo, em todos os aspectos e níveis, como no abominável título da matéria do Jornal de Manaus que, por pressão de muita gente (encabeçados por Lu Castro), teve que se retratar.

Um dia, sem miséria, em qualquer setor, mudaremos e prepararemos melhor este país!

 

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