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Vamos falar de 2015? Senhora? Senhora?

No ano da mais acentuada intolerância política, sexual, racial, religiosa, social, cultural, regional e bairrista que já vivemos; o futebol, por paixão que cega, também foi prejudicado.

Tal qual no Brasil e no resto do mundo, o esporte recebeu sua dose intensa de descobertas de escândalos que envolveram corrupção, favorecimentos, conchavos, subornos, lobbies e interesses pessoais, executados direta e indiretamente.

Discursos vazios com tons populistas, fascistas, reacionários, bajuladores e enganadores, das tribunas ao parlamento, das resenhas às ruas, dos vestiários às mídias sociais, dos centros de treinamento aos programas de entretenimento esportivo ou similar, das preleções às rodas de bar. Opinião gerou muita violência!

Um espetáculo, por muitas vezes enganoso nas quatro linhas, ora enaltecendo trabalhos apenas medianos, ora justificando raça e entrega em detrimento à qualidade do jogo, acirrando as disputas internas. Um Fla-Flu, lá e cá!

Bons jogos ocorreram, assim como a Operação Lava Jato, o FBI, os escândalos nas entidades máximas do futebol (lá e cá, idem!) com presos, procurados e licenciados. Apreensões e vergonhas, que, infelizmente, os corruptos e espertalhões não possuem. Um jogo que continuará por um bom tempo ainda. Ainda bem!

Boas revelações no futebol também aconteceram, além de nomes como Loretta Lynch (procuradora-geral dos EUA), juiz Sergio Moro, procurador geral da república Rodrigo Janot, integridade de Eduardo Suplicy, ministra do Supremo Carmem Lúcia, Thais Araújo, Chico Buarque, e tantos outros.

Jogos ruins e mortes, extremismos territoriais e religiosos, violências contra o diferente, o mais fraco. A truculência, a covardia e a manipulação.

Dirigentes omissos e covardes, federações em conchavo e métodos ultrapassados de gestão e processo eletivo que também navegaram no mesmo mar do oportunismo político que fez o país parar. Da presidência ao parlamento, passando pelo seu avalista, o povo, a estagnação completa!

Supervalorização do mercado da bola e de treinadores, como figuras salvadoras da pátria e ausência de argumentações. Lá e cá, ibidem! Classe política desgastada, mas autovalorizada!

Senhora? Senhora? Por favor, senhora? Uma palavrinha para 2015…

 

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Saiu de Ceni

O 3 na Copa trata apenas de Copa do Mundo, como bem sabem!

Mas, não poderia deixar de homenagear um dos maiores goleiros do futebol brasileiro e mundial com as mãos e os reflexos. E, com os pés, o maior da história, referência de modernidade e necessidade no futebol.

Dúvidas? Leiam o que mestre Tostão disse a seu respeito na coluna de quarta, dia 09/12 na Folha de São Paulo. Manuel Neuer não possui todos os recursos técnicos que dispõe o goleiro Rogério Ceni.

Como ele se despede do futebol, “pendurando as luvas e as chuteiras”, o 3 na Copa não precisa citar os grandiosos números e marcas pelo São Paulo Futebol Clube.

Até porque não haveria espaço nestas linhas! Gols, jogos, títulos. Um M1to, que é com a grafia inesquecível e digna do seu tamanho!

Mas, em termos de seleção brasileira, suas participações em elencos e conquistas, nunca como titular (um erro histórico!), deixaram passagens interessantes:

Em 1997, na Copa das Confederações, na disputa pelo título, se recusou a raspar os cabelos, mostrando personalidade. Custou caro a sua não convocação para o Mundial de 98. Mostrou que foi, como pouquíssimos e raros, um atleta, cidadão e politizado.

Para muitos, em ignorância, já começava o injusto rótulo de arrogante que o persegue até hoje! Lamentável!

No Mundial 2002, foi terceiro goleiro, mas deveria ter sido reserva imediato de Marcos. Pudera, Felipão não levou nem Alex. Aliás, este foi o autor do gol mais bonito que Ceni levou na vida!

Em 2006, era reserva direto de Dida, mesmo em melhor fase. Dida fez um grande Mundial, mas a seleção entregou muito menos do que prometia. Rogério jogou apenas 6 minutos na última rodada da primeira fase contra o Japão. Muito pouco!

Naturalmente seria o goleiro de 2010, mesmo com Julio Cesar vindo de grande fase (era reserva de Ceni em 2006).

Infelizmente, o goleiro carioca vinha de contusões e seus reservas não estavam à altura do M1to. Mas, que sequer foi convocado, cabendo ao limitado Dunga a missão de encerrar suas participações em seleção brasileira.

E olha que poderia, com sua experiência, ter jogado em 2014, na seleção preguiçosa de Felipão e Parreira, que vinha em boas mãos de Mano Menezes, também saído.

Para homenageá-lo, nada melhor que sua defesa mais importante e seu gol mais significativo.

Defesa de título! Já viram um goleiro, em um torneio internacional de renome, ser o melhor da decisão?

Pergunte ao Gerard, do Liverpool, lá em 2005 e reveja:

E, claro, apesar de passar da marca dos 100 gols, o centésimo foi inesquecível, num domingo, diante do Corinthians.

Rogério CENi

Rogério CENpre

No amigão Paulo Soares:

 

As águas de março

São as águas de março fechando o verão, é a promessa de vida no teu coração…

Esta bela estrofe da brilhante canção do saudoso maestro Tom Jobim e sua não menos saudosa intérprete Elis Regina, é o que me acalmou hoje, como a chuva que caía nas ruas de São Paulo.

Tal lembrança trouxe-me a esperança de que até março do ano que vem, data em que a seleção brasileira volta a campo, sem amistosos e direto pelas Eliminatórias contra o Uruguai, tudo mude na cúpula e, consequentemente, na comissão técnica.

Tempos de chuva que amenizam, espalham, lavam e reconduzem à uma nova vida, repleta de renovação de promessas.

Porque o grande mal desta seleção está contido na sua direção (que não pode viajar!), seus assessores e sua comissão técnica que serve de escudo para se manterem no poder.

Caindo a direção, o castelo das cartas marcadas desmoronará e poderemos nos livrar de tamanha incompetência.

Novamente os jogadores tiveram que se virar, em detrimento à ausência de jogo coletivo.

Pasmem, Galvão, Casão e Junior viram melhoras no jogo coletivo. Onde? Na mesa tática do Caio Ribeiro?

Individualmente, Gil foi muito bem e entrou no lugar do marqueteiro e afobado David Luiz.

Renato Augusto com Elias trouxeram sentido a uma equipe com um treinador perdido: no campo e nas coletivas. Pena não estarem ao lado de Lucas Lima.

Douglas Costa e Willian muito bem, permitindo que Neymar jogasse bem abaixo de seu repertório, diminuindo a dependência.

Desde o goleiro Dida, com alguns bons momentos de Julio Cesar, não encontrávamos um goleiro tão seguro como o jovem Alisson.

Filipe Luis vem se estabelecendo.

Mas Miranda vem deixando a desejar, Luiz Gustavo irregular e o que é Daniel Alves? Como porta-voz da seleção, bem adequado e alinhado com a pobreza da comissão técnica. Danilo no banco é brincadeira!

Como não é possível não tentarem a recuperação psicológica de Thiago Silva? E escolhas estranhas, que nem o treinador deve saber o por quê, como a turma dos 7 a 1 (David Luiz, Fernandinho, Oscar, Hulk, Daniel Alves e Luiz Gustavo) e, claro, a tresloucada idéia de Kaká, justificada pela experiência?!

O treinador que não é treinador, sem méritos para estar nesta posição e sua comissão técnica de parceiros e camaradas nos proporciona gols da Alemanha, no nosso memorial afetivo e analítico, até hoje!

E que vai herdar o ótimo trabalho de Rogério Micale com a seleção olímpica, rebaixando o treinador de fato e de ofício, a seu auxiliar. Um absurdo!

Mas, que as águas que ainda vão passar por debaixo da ponte das vaidades e da presunção, sejam as mesmas que levem o destrato com nossa história para bem longe, fechando um verão quente, de dor de cabeça.

Para que bons jogadores que temos, com as trocas de alguns nomes por outros, também por mérito, possam formar uma grande equipe de futebol, diminuindo a diferença de gols que levamos como lição.

Que não seja apenas uma promessa de vida nos nossos corações!

 

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